De 'vilão' a peça-chave do sucesso: a relação de Max Verstappen com pai ex-F1

Holanda sempre foi apaixonada por automobilismo, mas faltava representante nas pistas para atrair os milhares de torcedores
 (Mark Thompson/Getty Images)
(Mark Thompson/Getty Images)
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Rodrigo França, de Montreal, Canadá

Publicado em 01/07/2022 às 08:00.

Última atualização em 01/07/2022 às 18:11.

Em meados dos anos 1990 surgiu uma jovem promessa que parecia colocar de vez o pequeno país europeu como protagonista da F1: Jos Verstappen. E a esperança durou pouco: com muitos acidentes e sendo constantemente superado por seu companheiro de equipe – ninguém menos que Michael Schumacher na Benetton de 1994 –, Verstappen foi um sinônimo de pouca confiança e velocidade na Holanda.

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Até que vieram os anos 2010 e com eles um novo Verstappen chamou atenção novamente dos holandeses: Max, filho de Jos. E detalhe, com mãe também pilota, a belga Sophie Marie-Kumpe, que foi campeã europeia de kart e, brincam os críticos de Jos, de fato deu a genética veloz a Max.

Com carreira de sucesso no kart e rápida ascensão nos fórmulas, a Red Bull tratou de promover a estreia de Max na F1 com apenas 16 anos, tornando o holandês o mais jovem piloto a estrear na principal categoria do automobilismo mundial, com a equipe "de entrada" Toro Rosso.

O resto é história e em 2021 Max finalmente trouxe para a Holanda o tão sonhado título mundial. Mas e o papel de Jos nesta história? Circulam no paddock histórias de um pai severo, que não dava um minuto de descanso para o filho na busca pelo título da F1. É conhecida a história de que Jos fez Max voltar a pé para o hotel após errar em uma importante competição europeia de kart.

Mas foi justamente em um dia dos Pais, no último GP do Canadá de F1, disputado no dia 19/6, que Max relevou que a criação “linha dura” foi fundamental para o seu sucesso. Perguntado por este repórter o quão importante foi seu pai na carreira, o piloto da Red Bull respondeu imediatamente.

“Sem meu pai, eu não estaria sentado aqui agora. Então o que ele fez por mim é, bem, difícil de explicar. Você sabe, assim que ele parou na F1, ele basicamente dedicou os próximos 12 anos para ter certeza que ele tentaria de tudo e fez de tudo para eu estar onde estou agora. Quero dizer, a quantidade de horas que viajamos juntos pela Europa e não apenas isso, mas também a carga de trabalho que ele fez em casa na Holanda, trabalhando nos meus motores, preparando meus karts, estando no dinamômetro, foi muito louco”, diz Verstappen.

O atual campeão do mundo de F1 deu detalhes desta rotina intensa. “Como quando eu acordava e saia de casa, ele me trazia para escola e depois ia para a oficina e continuava seu trabalho. Depois que eu terminava a escola, eu ia lá e ele ainda estava trabalhando e ele estaria no dinamômetro. Eu o ajudava, ele me mostrava o que estava fazendo porque queria que eu entendesse, sabe, o que realmente estava me levando. E, sim, tem sido muito… especialmente agora, quando olho para trás, é uma loucura e realmente… sou muito grato por esses momentos”, completou o piloto.

É claro que a emoção após a vitória em Montreal, que lhe conferiu uma vantagem de 46 pontos no Mundial e que abriu um ótimo caminho rumo a um segundo título seguido, pode ter comovido Max Verstappen. Mas o próprio holandês pontua que nem sempre foi fácil enxergar o “estilo Jos” de conduzir sua carreira.

“Na época eu pensei um pouco sobre isso porque eu estava tipo ‘por que eu preciso fazer tudo isso? Por que eu preciso me envolver?' Mas definitivamente me ajudou muito, também mais tarde na minha carreira e até agora como... claro, ele não me diz mais 'você tem que se entregar aqui e você tem que fazer isso e fazer isso', mas eu realmente gosto de compartilhar todos os fins de semana, não apenas sobre corridas, mas em geral, apenas, você sabe, o que estou fazendo e coisas assim. Acho muito importante ter esse tipo de relacionamento. Então, sim, espero que ele tenha gostado desta vitória em Montreal. Tenho certeza que ele estava muito nervoso lá fora. Ele está sempre nervoso. Então, sim, pelo menos nós fizemos isso ficar. Então foi um bom presente de Dia dos Pais”, concluiu Max.

Pelo depoimento, com certeza Jos ficou feliz. Mas certamente já estará roendo as unhas novamente e cobrando o máximo do filho já neste final de semana, no GP da Inglaterra, que será realizado na tradicional pista de Silverstone, onde Max pode ampliar ainda mais a sua vantagem e quem sabe sacramentar o caminho do bicampeonato mundial de F1.

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