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América do Sul dribla crise do turismo nos EUA

Enquanto a chegada de visitantes de regiões como Europa e Ásia despenca, sul-americanos cresceram 5,5% no primeiro semestre de 2026, movidos pela Copa do Mundo, vistos mais rápidos e câmbio favorável

Times Square, em Nova York: a cidade é o principal destino da nova onda de turistas sul-americanos, com o Brasil perto de se tornar o terceiro maior mercado emissor de visitantes para os Estados Unidos em 2026 (Pexels)

Times Square, em Nova York: a cidade é o principal destino da nova onda de turistas sul-americanos, com o Brasil perto de se tornar o terceiro maior mercado emissor de visitantes para os Estados Unidos em 2026 (Pexels)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 08h00.

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O turismo americano vive um dos piores momentos das últimas décadas, com queda de visitantes vindos da Europa, da Ásia e da Oceania. Nesse cenário, a América do Sul se tornou a única região do mundo a puxar os números para cima. Mais de 2,7 milhões de sul-americanos visitaram os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, alta de 5,5% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração de Comércio Internacional dos Estados Unidos compilados pela Bloomberg Businessweek.

O crescimento chama atenção porque vai na contramão do resto do mundo. Alemanha, Índia e Austrália registraram quedas expressivas de visitantes ao país no mesmo intervalo, refletindo a tensão geopolítica que se instalou desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A instabilidade na fronteira sul e o desgaste diplomático com parceiros tradicionais afastaram parte do turismo internacional, mas não impactaram da mesma forma os países latino-americanos.

O impulso da Copa

A Copa do Mundo, sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, deu um empurrão extra a essa movimentação. Cerca de 50 mil equatorianos entraram no país só em junho, alta de 55% ante o mesmo mês de 2025. Os colombianos cresceram mais de 20% no período, somando quase 150 mil visitantes. O Brasil teve quase 1 milhão de turistas no semestre, volume que o coloca no caminho para ultrapassar o Japão e virar a terceira maior origem de visitantes dos Estados Unidos em 2026, atrás só do Reino Unido e da Índia. A Argentina cresceu 15% em 2025.

Ainda assim, nem a força do futebol foi suficiente para elevar o total de chegadas internacionais ao país em junho, mês de estreia do torneio. O México teve resultado oposto, com salto de visitantes durante a competição.

Visto mais rápido, voos a mais

O visto para a entrada nos EUA durante a Copa do Mundo teve tempo reduzido de espera em relação aos anos anteriores (Imagem gerada por IA)

Nesse período, viajantes do Brasil, da Argentina, da Colômbia e do Equador esperaram em média 80 dias em julho por uma entrevista de visto de turismo, ante mais de 230 dias no início de 2024, de acordo com levantamento da Associação de Viagens dos Estados Unidos citado pela Bloomberg Businessweek. A taxa do visto americano é de US$ 185, cerca de R$ 960 na cotação atual.

A resposta das companhias aéreas também ajuda a explicar o fluxo. A American Airlines afirma operar 100 destinos na América Latina e no Caribe, com a retomada de voos para a Venezuela. A United Airlines mantém mais de 60 rotas para a região e planeja ampliar a oferta para a Colômbia neste ano. A Delta Air Lines também reforçou sua presença na América do Sul, apontada internamente como destaque de sua operação internacional.

O setor de turismo dos Estados Unidos tenta aproveitar essa janela. A Associação de Viagens dos Estados Unidos publicou um guia para operadoras acompanharem as mudanças nas políticas de fronteira, e a maior feira do setor, realizada em maio na Flórida, recebeu o maior contingente de profissionais latino-americanos já registrado no evento.

Câmbio a favor

A valorização das moedas locais frente ao dólar também favoreceu as viagens. A rupia indiana, o iene japonês e o won sul-coreano perderam valor desde que Trump assumiu o governo, enquanto o peso colombiano, o guarani paraguaio e o real brasileiro se valorizaram no período.

A exceção é a Argentina, onde a desvalorização do peso, resultado da reforma econômica conduzida pelo governo de Javier Milei, encareceu as viagens ao exterior. Mesmo assim, o desempenho da seleção argentina no torneio, que chegou à segunda final consecutiva de Copa do Mundo liderada por Lionel Messi, sustentou a demanda por viagens ao país sede das partidas decisivas, segundo dados levantados pela Bloomberg Businessweek.

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