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Champagne: uma região, muitos estilos e cinco produtores para conhecer

Conhecido mundialmente como sinônimo de luxo e celebração, o universo dos espumantes franceses vai muito além das grandes marcas

Champagne  (Anastassiya Bezhekeneva/Getty Images)

Champagne (Anastassiya Bezhekeneva/Getty Images)

Pedro Fadanelli
Pedro Fadanelli

Especialista em vinhos

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 14h13.

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Poucas regiões vinícolas do mundo conseguiram construir uma identidade tão forte quanto Champagne. Nomes como Moët & Chandon, Veuve Clicquot, Bollinger e Dom Pérignon são reconhecidos internacionalmente e, para muitos consumidores, são praticamente sinônimos da bebida. Não por acaso. As grandes casas investiram durante décadas em qualidade, marketing e distribuição, ajudando a transformar Champagne em um dos maiores símbolos de celebração e luxo do mundo.

Mas existe um universo muito maior dentro dessa região francesa. Ao lado das grandes maisons, centenas de produtores familiares elaboram vinhos com estilos, histórias e propostas bastante diferentes. Alguns trabalham há gerações nos mesmos vinhedos, enquanto outros estão trazendo novas ideias e ajudando a renovar a maneira como entendemos Champagne.

Tenho percebido que o consumidor brasileiro está cada vez mais interessado em conhecer esse outro lado da região. Não se trata de substituir as grandes marcas, mas de ampliar o repertório. Descobrir que um Champagne elaborado principalmente com Chardonnay pode ser completamente diferente de outro dominado por Pinot Noir, ou que dois produtores de vilarejos vizinhos podem apresentar estilos muito particulares.

E a própria Champagne vive um momento interessante. Existe uma valorização crescente dos vinhedos, das pequenas parcelas e da identidade de cada lugar. Produtores estão revisitando técnicas antigas, experimentando novas formas de elaboração e mostrando que uma região com séculos de história ainda tem muito a oferecer.

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O que são os Champagnes de vigneron?

Tradicionalmente, as grandes maisons de Champagne compram parte importante de suas uvas de diferentes viticultores e trabalham com vinhos de várias origens e safras para construir um estilo próprio. É uma das grandes competências da região e permite manter uma identidade reconhecível ao longo dos anos.

Já os chamados Champagnes de vigneron, ou grower Champagnes, são elaborados por produtores que cultivam seus próprios vinhedos e fazem seus vinhos. Em muitos casos, são pequenas propriedades familiares, com produção limitada e uma relação muito próxima entre quem cuida da vinha e quem decide como o vinho será elaborado.

Isso não significa necessariamente que sejam melhores do que os Champagnes das grandes casas. São propostas diferentes. Enquanto muitas maisons se destacam pela arte de combinar diferentes origens para alcançar um estilo consistente, os vignerons frequentemente procuram mostrar as particularidades de seus vinhedos, de um vilarejo ou de uma safra.

É justamente essa diversidade que torna Champagne tão interessante. E, para quem está começando a explorar esse universo, conhecer os produtores familiares pode ser uma excelente maneira de entender melhor a região.

Nesta sexta-feira, 23 de outubro, celebramos o Champagne Day. Aproveito a data para apresentar cinco produtores que gosto muito e que ajudam a conhecer outros estilos e interpretações de Champagne.

Cinco produtores para conhecer

Drappier

Fundada em 1808, a Drappier fica em Urville, na Côte des Bar, ao sul de Champagne, e continua administrada pela família. É uma casa especialmente ligada ao Pinot Noir, com vinhos que costumam apresentar bastante fruta, textura e profundidade. Também se destaca pelo trabalho com baixas dosagens de açúcar e pelo resgate de variedades históricas da região. Uma excelente referência para quem procura Champagnes com personalidade.

Bérêche et Fils

Os irmãos Raphaël e Vincent Bérêche estão entre os nomes mais interessantes da nova geração de produtores de Champagne. A família está instalada em Ludes, na Montagne de Reims, e ganhou reconhecimento por vinhos que combinam profundidade, frescor e muita identidade. É um trabalho que valoriza os diferentes vinhedos e a expressão de cada safra, com Champagnes que merecem ser degustados com atenção.

Pierre Péters

Localizada em Le Mesnil-sur-Oger, na Côte des Blancs, a família Pierre Péters é uma das grandes referências em Champagnes elaborados exclusivamente com Chardonnay, conhecidos como Blanc de Blancs. Seus vinhos costumam mostrar frescor, precisão e uma mineralidade muito característica da região. O Cuvée de Réserve é uma ótima maneira de começar a conhecer esse estilo mais delicado e elegante.

Bonnet-Ponson

A Bonnet-Ponson é uma propriedade familiar fundada em 1862, em Chamery, na Montagne de Reims. Hoje, Cyril Bonnet conduz um trabalho com forte atenção aos vinhedos e à agricultura orgânica. Seus Champagnes valorizam a fruta, o frescor e as características de cada parcela. Um nome que mostra como tradição familiar e uma visão contemporânea de viticultura podem caminhar juntas.

Domaine Bichery

Localizado em Neuville-sur-Seine, na Côte des Bar, o Domaine Bichery é conduzido por Raphaël Piconnet e Hannah Boesel-Piconnet. É um projeto pequeno, com trabalho cuidadoso nos vinhedos e uma elaboração voltada a preservar a identidade das uvas e do lugar. Seus Champagnes apresentam fruta, textura e frescor, representando muito bem essa geração de produtores que vem trazendo novas perspectivas para a região.

O mais interessante de Champagne é justamente essa diversidade. As grandes casas continuam sendo referências fundamentais, enquanto os produtores familiares ajudam a revelar outras expressões da região. Não existe uma escolha entre um mundo e outro. Quanto mais conhecemos os dois, melhor entendemos Champagne.

Neste Champagne Day, minha sugestão é aproveitar a ocasião para descobrir algo novo. Pode ser uma grande maison que você ainda não provou ou um pequeno produtor que nunca tinha ouvido falar. O importante é continuar explorando uma das regiões mais fascinantes do mundo do vinho.

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