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CEO do Milan defende combate ao racismo para valorizar liga

Eliminar esse tipo de comportamento poderia ajudar a tornar o futebol italiano uma marca internacional tão valiosa quanto a Premier League inglesa

Ivan Gazidis, presidente do Milan: “Esta é uma grande oportunidade se olharmos para o futuro em cinco, 10 ou 15 anos do futebol italiano” (Claudio Villa/Getty Images)

Ivan Gazidis, presidente do Milan: “Esta é uma grande oportunidade se olharmos para o futuro em cinco, 10 ou 15 anos do futebol italiano” (Claudio Villa/Getty Images)

Guilherme Dearo

Guilherme Dearo

Publicado em 11 de agosto de 2020 às 10h32.

Ivan Gazidis estava há apenas alguns meses no cargo de diretor-presidente do AC Milan quando viu dois dos jogadores negros do clube de futebol italiano serem insultados com gritos racistas de torcedores rivais.

Eliminar esse tipo de comportamento poderia ajudar a tornar o futebol italiano uma marca internacional tão valiosa quanto a Premier League inglesa, disse Gazidis, que foi contratado depois que o bilionário Paul Singer, da Elliott Management, comprou o time há dois anos.

Empresas como a Elliott compram ativos subvalorizados, resolvem os problemas e os vendem com lucro. Combater o racismo nas arquibancadas ajudará a valorizar os direitos de transmissão da liga, bem como o valor dos próprios clubes, de acordo com os investidores atuais e potenciais. Construir estádios melhores e aperfeiçoar a experiência dos torcedores no dia dos jogos também valorizam o produto, disse Gazidis.

“Esta é uma grande oportunidade se olharmos para o futuro em cinco, 10 ou 15 anos do futebol italiano”, disse Gazidis em entrevista. “Acho que é a maior vantagem de qualquer uma das ligas europeias se conseguirmos acertar as coisas e fazermos mudanças.”

A Elliott é apenas um dos investidores internacionais apostando no fim de abusos racistas nos jogos italianos para ajudar a tornar a liga mais valiosa. Na quinta-feira, o bilionário americano Dan Friedkin fechou a compra do AS Roma, enquanto a Serie A trabalha com um consultor para revisar as propostas por uma participação na liga, um processo que atraiu o interesse de uma série de empresas globais de private equity.

Pelo menos dois investidores acreditam que tomar medidas para reprimir comportamento racista em dia de jogos seja a chave para desenvolver um produto de mídia que possa ser vendido no mundo todo, de acordo com executivos com conhecimento dos planos, que não quiseram ser identificados.

Os potenciais investidores avaliaram a Serie A em até 13 bilhões de euros (US$ 15,4 bilhões), segundo reportagem da Bloomberg News. Advent International, Bain Capital, Cinven e CVC Capital Partners estão entre as empresas que manifestaram interesse em comprar uma participação minoritária na liga.

“Queremos ajudar a levar o esporte a um lugar onde o amor pelo jogo preenche os estádios e o ódio e o preconceito não estão em lugar nenhum”, disse Gordon Singer, sócio da Elliott. Representantes da Advent, Bain, Cinven e CVC não quiseram comentar.

Com a colaboração de Jan-Henrik Foerster, Aaron Kirchfeld e Samuel Dodge.

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