“Cada vez mais mulheres estão usando relógios grandes”

Franziska Gsell, CMO da IWC, fala sobre a preocupação da marca com sustentabilidade e tendências do mercado de relojoaria
 (Remy Steiner/Getty Images/Divulgação)
(Remy Steiner/Getty Images/Divulgação)
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Ivan Padilla, de GenebraPublicado em 04/04/2022 às 06:30.

Frankiska Gsell, CMO da IWC Schaffhausen, chega para a entrevista com um Top Gun Edition Lake Tahoe no pulso. O relógio chama a atenção por dois motivos. Primeiro, tem a caixa e a pulseira na cor branca, algo bastante inusual no mercado. Segundo, mede 43 milímetros. No pulso fino da executiva, parece ainda maior do que é.

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Estamos sentados no estande da manufatura suíça no Watches & Wonders, salão de relojoaria de luxo que vai até 5 de abril em Genebra, na Suíça Franziska comentou sobre o apelo da IWC, uma marca associada ao universo masculino, junto ao público feminino.

“Hoje, 18% dos compradores em nossas lojas são mulheres, e esse número parece estar crescendo”, afirma. “Vemos com maior frequência mulheres usando relógios grandes. Mas não sabemos quantas estão comprando relógios para elas ou quantas estão comprando para presente.”

Confira a seguir os principais trechos da entrevista e acompanhe a cobertura do Watches & Wonders na Casual Exame.

 

A IWC lançou a nova coleção do modelo Big Pilot com cores criadas em colaboração com a Pantone. Qual foi a ideia por trás?

É a primeira vez que fazemos uma colaboração com eles. Top Gun é a coleção mais esportiva que temos. A inspiração veio do uniforme dos pilotos de elite. O desafio foi transportar as cores precisas nos diferentes componentes do relógio, o mostrador, a pulseira. E fizemos uma colaboração na música com Hans Zimmer, com o concerto Sounds of Color, ele compôs músicas para as diferentes cores, tom a tom. Muito bonito.

A cor verde do modelo Woodland tem conexão com a natureza? Sei que sustentabilidade é um pilar importante para a IWC.

Sustentabilidade passa por todo o nosso trabalho. Responsabilidade e transparência são nossas duas palavras-chave. Temos responsabilidade desde o esboço dos nossos produtos até a entrega final. Precisamos nos assegur que tudo o que fazemos é o mais responsável possível. Quanto à transparência, abrimos a janela para nossa a indústria. Temos um reporte em que mostramos todas as nossas ações e os progressos. Temos ainda uma unidade especial de treinamento para relojoeiros para restaurar qualquer modelo, desde o primeiro relógio feito pela IWC. Isso é excepcional na nossa indústria e parte da sustentabilidade da nossa marca. Nossos relógios são feitos para a eternidade, mas temos que garantir que o planeta vai estar aqui. Outro exemplo, estamos lançando o novo conceito da nossa boutique, diferente de hoje, com alto conceito de sustentabilidade, escolha de materiais, tudo, é o jeito de fazer, falamos e fazemos. Se nos comprometemos e divulgamos as ações, não podemos voltar atrás.

 

Sustentabilidade é um valor forte para a IWC, mas é também um jeito de atingir consumidores mais novos, não?

Se você disser que a geração Z vai viver mais do que a nossa, é verdade, eu diria que eles estão mais preocupados com sustantabilidade. Mas eu não diria que nossa geração não liga para sustentabilidade. O mindset para eles é maior porque eles têm a vida toda pela frente, claro. Eles enxergam que a nossa geração não fez a coisa correta e nos desafiam. Nós temos esse diálogo aberto com eles sobre nossas ações.

Como você compara as ações do mercado de relógios com o mercado de luxo em geral em termos de sustantabilidade?

A indústria de relógios de luxo e joalherias lança produtos que ficam para a geração seguinte. A indústria de moda tem desafios diferentes, você vive o momento. Eu não diria que é mais fácil para nós. Pode parecer, porque nosso produto é perene, mas você precisa se assegurar que todos os processos em volta sejam ambientalmente responsáveis. Quando você compra um produto que não precisa não é uma decisão racional. Você não precisa do relógio para ver as horas, isso pode ser feito no celular. A longevidade do nosso produto é muito importante nesse sentido.

IWC tem muitas linhas de relógio, cada um apreciado mais por um tipo de público. O que eles têm em comum?

Em comum eles têm o apreço pela engenharia, é algo único na marca. Isso vem dos relógios de instrumento, que surgiram com outro propósito, e você passa a usá-los no dia -a-dia. O design é puro. A coleção Big Pilot é formada por relógios grandes, robustos. Quando você vê a linha Portugieser e Portofino, são uma expressão mais elegante da IWC. É o mesmo cliente para diferentes ocasiões ou são diferentes clientes, mas com o mesmo espírito? Depende. O cronógrafo Portugieser pode ser usado numa reunião de negócios, enquanto o Big Pilot tem uma expressão mais esportiva. As duas coleções são muito importantes, mostram facetas diferentes da marca. Mas tudo é sobre engenharia. Nós mudamos a forma de comunicar nossos produtos no marketing nos últimos dois ou três anos, sempre reforçávamos a linha mais esportiva e agora passamos a ressaltar essa conexão com a engenharia.

Há uma tendência no mundo da relojoaria de ter tamanhos menores...

(Interrompe) O que nós fizemos. Antes tínhamos o Big Pilot somente na caixa de 46 milímetros, agora temos em 43. Tínhamos cronógrafo Big Pilot em 43 milímetros e agora temos em 41. Isso é algo que temos sempre em mente na hora de desenvolver novos relógios. Com isso não canibalizamos nossos produtos, nós miramos públicos diferentes. Procuramos trazer relógios cada vez mais ergonômicos. Com os relógios menores trazemos mais elegância e provavelmente falamos mais com o público feminino.

Trazer relógios menores é uma forma de tornar a marca mais democrática, sem dúvida. Mas qual o limite em tamanho para a IWC, que é conhecida por relógios grandes, sem perder a identidade?

O relógio precisa ser perfeitamente ergonômico no pulso. Nosso menor tamanho é 34 milímetros, mas para relógios elegantes da linha Portofino.  Não temos tamanho menores, mas esse realmente é pequeno. Para relógios cronógrafos esportivos é 41 milímetros, para Portofino é 39 milímetros, o que não é necessariamente pequeno, mas para a IWC é, são relógios que ficam muito bem no pulso. No momento estamos felizes com o que temos hoje. Vamos ver para onde vamos. Temos um calendário perpétuo em 42 milímetros, o que é bastante bom.

A IWC é uma marca associado ao universo masculino. Qual a importância das mulheres como público consumidor?

Nós temos esse apelo de engenharia, mas hoje 18% dos compradores em nossas lojas são mulheres, e isso parece estar crescendo. Mas temos de ser verdadeiros com a nossa marca. Vemos com maior frequência mulheres usando relógios grandes. Não sabemos desses 18% quantas estão comprando relógios para elas ou quantas estão comprando para presente. A pandemia mudou a forma de nos vestirmos, estamos mais informais, mais casual. Vamos ver no futuro.