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A gata mais rica do mundo pode nunca ter herdado nada de Karl Lagerfeld

Sete anos após a morte do estilista, Choupette segue no centro de rumores bilionários, mas quem cuida dela diz que ainda não recebeu nada

Lagerfeld com Choupette próxima ao rosto. Os olhos azuis da gata viraram parte da imagem pública do estilista

Lagerfeld com Choupette próxima ao rosto. Os olhos azuis da gata viraram parte da imagem pública do estilista

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 12 de julho de 2026 às 11h54.

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Karl Lagerfeld morreu em fevereiro de 2019 num hospital em Paris, e a especulação sobre sua fortuna começou antes mesmo do funeral. Veículos internacionais estimaram o patrimônio do estilista alemão em mais de US$ 200 milhões, cerca de R$ 1,12 bilhão na cotação atual. Uma parte dessa fortuna, segundo a imprensa britânica, teria um destinatário improvável: a gata Choupette.

Lagerfeld vivia entre apartamentos em Paris, Roma e a Riviera Francesa, além de casas em Biarritz e Hamburgo. Colecionava mobília art déco, joias antigas e peças de alta-costura, e mantinha uma biblioteca pessoal de cerca de 300 mil livros. Segundo o biógrafo William Middleton, o orçamento anual do estilista só com flores chegava a 1,5 milhão de euros, hoje próximo de R$ 9 milhões.

A gata chegou à vida de Lagerfeld no Natal de 2011, deixada temporariamente pelo modelo Baptiste Giabiconi, que viajava para Marselha. Lagerfeld, até então pouco afeito a felinos, se apegou ao animal e pediu que ela ficasse em definitivo.

Uma gata com duas empregadas

Em entrevistas, Lagerfeld descrevia a rotina de Choupette com riqueza de detalhes. Ela tinha duas cuidadoras, uma para o dia e outra para a noite, encarregadas de registrar por escrito tudo o que a gata fazia quando ele não estava por perto.

Segundo o designer de moda, somente em 2014 a gata teria faturado mais de US$ 3 milhões, cerca de R$ 16,8 milhões, com campanhas para a Opel Corsa e a linha de maquiagem Shupette, da Shu Uemura. No mesmo ano saiu o livro "Choupette: The Private Life of a High-Flying Fashion Cat", seguido por um segundo volume em 2018, com fotos feitas pelo próprio estilista no iPhone.

A herança que nunca chegou

Choupette e Karl Lagerfeld

Karl Lagerfeld carrega Choupette no ombro, com o estilista refletido ao fundo. A gata acompanhou seus últimos anos de perto (Reprodução/Instagram)

Após a morte de Lagerfeld, parte da imprensa britânica deu como certo que Choupette herdaria uma fatia considerável da fortuna do estilista. O Telegraph chegou a publicar que a gata poderia receber até US$ 300 milhões, cerca de R$ 1,68 bilhão. O Daily Express e o Independent falaram numa parte de uma fortuna de £150 milhões, o equivalente a R$ 1,065 bilhão. Outros veículos mencionaram um fundo específico para Choupette, entre US$ 1,5 milhão e US$ 4 milhões, algo entre R$ 8,4 milhões e R$ 22,4 milhões.

Lucas Bérullier, dono da agência My Pet Agency e representante de Choupette desde 2019, contesta boa parte dessas cifras. Segundo ele, os valores milionários citados por Lagerfeld em vida diziam respeito a campanhas em que os clientes pagavam, sobretudo, pelo nome do próprio estilista, que também assinava a direção de arte e a fotografia. "Não podemos pedir milhões por um post ou uma sessão de fotos", afirmou Bérullier para o The Atlantic.

O agente também descarta a ideia de que a gata tenha conta bancária própria. "A lei é a lei. Um gato não pode ter conta em banco", disse. Françoise Caçote, ex-governanta de Lagerfeld e responsável por Choupette desde a morte do estilista, recebeu dele, ainda em vida, o apartamento onde mora com a gata, mas o imóvel veio acompanhado de dívidas tributárias na França.

Um inventário travado por impostos

O testamento de Lagerfeld, escrito em abril de 2016, segue sem solução sete anos após sua morte. Parte do atraso é atribuída a uma disputa com o imposto francês, agravada pela descoberta de que a casa do estilista em Mônaco, onde a tributação é mais branda, estava tecnicamente em território francês. Lucien Frydlender, contador de Lagerfeld por três décadas e apontado como executor do espólio, teria morrido em Israel em 2024, segundo relatos.

Em resposta por escrito, Caçote afirmou que, até hoje, nenhum valor da herança foi repassado a ela. "Quero ser transparente: hoje, não recebemos absolutamente nada", escreveu. Segundo ela, o processo já exigiu a contratação de advogados para reivindicar a herança em seu nome.

O trabalho por trás do mito

No dia a dia, Choupette segue fazendo campanhas publicitárias, hoje concentradas em marcas como a alemã de acessórios para pets LucyBalu. As sessões de fotos têm duração máxima de duas horas, exigem silêncio no set e, com frequência, contam com gatas dublês para cenas que Choupette recusa fazer. Bérullier afirma que a equipe seleciona parceiros comerciais livres de crueldade animal e recusa marcas que utilizam pele de outros animais.

Em 2023, quando o Met Gala homenageou Lagerfeld, Kim Kardashian se encontrou com Choupette num hotel em Paris para avaliar se poderia levá-la como acompanhante ao evento. O encontro terminou com a gata rosnando e tentando arranhar a apresentadora, que decidiu ir sozinha à festa. Quem representou Choupette no tapete vermelho de Nova York foi o ator Jared Leto, vestido de corpo inteiro como a gata.

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