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Do Cadillac da Gucci ao Monza de Clodovil, a moda que foi parar na garagem

Lançado em 1978, o Seville decorado pela grife italiana custava US$ 19,9 mil e vinha com cinco malas no porta-malas. No Brasil, uma concessionária paulistana criou um Monza com a assinatura do estilista

A Cadillac e a Gucci produziram entre 200 e 300 unidades do Seville. Um exemplar de 1979 restaurado está anunciado hoje por US$ 80 mil (Reprodução/Instagram)

A Cadillac e a Gucci produziram entre 200 e 300 unidades do Seville. Um exemplar de 1979 restaurado está anunciado hoje por US$ 80 mil (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 08h30.

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Foi no hotel Fontainebleau, em Miami Beach, que Aldo Gucci apresentou em 1978 um Cadillac Seville com o monograma da grife estampado no teto de vinil, emblemas dourados no lugar dos símbolos da montadora e um conjunto de cinco malas Gucci acomodado no porta-malas. O preço de US$ 19,9 mil (cerca de R$ 100 mil na cotação atual) fazia do sedã o Cadillac mais caro à venda naquele ano, cerca de US$ 7 mil acima do Seville convencional.

Filho mais velho do fundador Guccio Gucci, Aldo liderava a expansão da marca nos Estados Unidos e via no Seville, lançado pela Cadillac em 1975 como modelo 1976, o veículo certo para aproximar a grife do consumidor americano. Na época, ele descreveu o projeto como mais uma pedra no colar do sucesso internacional da Gucci. A parceria ficou entre as mais lembradas da relação entre moda e automóveis e tem um paralelo brasileiro no Monza assinado por Clodovil Hernandes.

Monograma no teto e ouro no capô

O volante do Cadillac Seville trocava o emblema da montadora pela plaqueta da Gucci. Com o pacote da grife, o sedã custava US$ 19,9 mil (R$ 100 mil), 40% acima da versão comum (Reprodução/Instagram)

Os Sevilles saíam da fábrica da GM completos e seguiam para a International Automotive Design, empresa de Miami responsável por aplicar a decoração da grife. As encomendas, inclusive as internacionais, passavam pela Braman Cadillac, revendedora da Flórida. O comprador escolhia entre preto, branco e marrom, e todas as versões levavam um friso verde e vermelho ao longo da carroceria, nas cores tradicionais da casa italiana.

O padrão de duplo G cobria o teto de vinil bege até as colunas traseiras, onde aparecia também o escudo com um cavaleiro, logotipo usado pela Gucci no fim dos anos 1970. O ornamento do capô, banhado a ouro 24 quilates, trazia os dois Gs entrelaçados desenhados pelo próprio Aldo, que também estavam nas calotas das rodas raiadas. Por dentro, plaquetas da marca ocupavam o centro do volante e a tampa do porta-luvas, e o tecido listrado revestia apoios de cabeça, descansos de braço, forro do teto e tapetes.

Em 1979, último ano da primeira geração do Seville, o preço subiu para US$ 22,9 mil. A produção total ainda é tema de divergência entre historiadores, com estimativas que vão de 200 a 300 unidades. Um exemplar de 1979, levado para a Holanda pelo empresário Maup Caransa e restaurado entre 2024 e 2025, está anunciado no site ClassicCars.com por US$ 80 mil.

No Cadillac Seville by Gucci, lançado em 1978, as calotas levavam o duplo G desenhado por Aldo Gucci e a coluna traseira, o escudo com cavaleiro usado pela grife italiana na época (Reprodução/Instagram)

A estreia da Gucci foi numa perua

O Cadillac não marcou a primeira aproximação da grife com a indústria americana. Em 1972, a AMC lançou o Hornet Sportabout by Gucci, uma perua compacta com bancos de vinil verde e marfim cortados por listras verdes e vermelhas, pensada para atrair compradoras mulheres às concessionárias. Segundo a Hagerty, foram vendidas 2.584 unidades em 1972 e 2.251 em 1973. A ideia inspirou a Lincoln a criar suas próprias séries assinadas, como a do Continental Mark V com acabamento da Givenchy, também de 1978.

Quando o Seville ganhou nova geração, em 1980, a IAD e a Gucci mantiveram a parceria. Foi esse modelo, na versão 1982, que a Mattel reproduziu em 2021 para o centenário da grife, na primeira colaboração da Hot Wheels com uma marca de moda. A miniatura em escala 1:64, limitada a 5 mil unidades, custava US$ 120 (cerca de R$ 600) e esgotou logo após o lançamento.

As iniciais de Clodovil no Monza

Criado pela concessionária Chevrolet Itororó, de São Paulo, o Monza Clodovil tinha bancos com as iniciais do estilista e vinha com malas assinadas por ele (Reprodução/Instagram)

No Brasil, a história mais próxima nasceu numa revenda. No início dos anos 1980, a concessionária Chevrolet Itororó, de São Paulo, lançou com o aval da GM do Brasil uma série do Monza hatch batizada com o nome de Clodovil Hernandes. O carro tinha rodas de liga leve, refletores extras na traseira, adesivo com o nome do estilista no vidro e bancos de couro preto bordados com as iniciais CH.

Assim como no Seville da Gucci, o pacote incluía bagagem. Quem comprava o Monza Clodovil levava um jogo de malas desenhado pelo estilista sob medida para o porta-malas e um chaveiro de ouro 24 quilates. Anos depois, a Citroën repetiu a fórmula no C3 com Ocimar Versolato, que assinou os bancos de couro, tapetes e soleiras da série, além de um chaveiro e uma bolsa entregues aos clientes.

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