Carreira

Vire sócio da empresa com ideias inovadoras

Companhias de TI apostam em soluções inovadoras e criam novos negócios em sociedade com seus funcionários

Bruno Machado (sentado), Kleber Bacili e Luiz Menezes (à dir.): ex-colegas de trabalho na Ci&T que hoje lideram novas empresas (Alexandre Battibugli / VOCÊ S/A)

Bruno Machado (sentado), Kleber Bacili e Luiz Menezes (à dir.): ex-colegas de trabalho na Ci&T que hoje lideram novas empresas (Alexandre Battibugli / VOCÊ S/A)

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Da Redação

Publicado em 12 de junho de 2013 às 13h56.

São Paulo - Não importa que o momento econômico mundial seja de cautela, o mercado de tecnologia da informação (TI) no Brasil continua a crescer a todo vapor. De olho nos exemplos do Vale do Silício, nos Estados Unidos, na efervescência empreendedora e nos investidores atentos aos talentos brasileiros, as empresas têm dado mais espaço para as sugestões criativas de seus funcionários.

Por trás da estratégia, há a necessidade de as companhias se diferenciarem num mercado mais competitivo — o objetivo é criar novos negócios — e reter seus melhores profissionais. Em muitos locais de trabalho, já se tornou uma prática o funcionário apresentar uma ideia que se transforma em plano de negócios.

Se a proposta for bem avaliada, a corporação torna viável o empreendimento e o colaborador se torna sócio da iniciativa. "Trabalho nesse segmento há 13 anos e nunca vi tanta gente boa. Precisamos desses profissionais. Por isso, a tendência é dividir riquezas de forma mais agressiva", diz o presidente da Concrete Solutions, Fernando de la Riva.

Se você trabalha nesse segmento, vale a pena ficar atento ao movimento. Se a prática se popularizar, a competência empreendedora e a habilidade para gerir novos negócios vão se tornar requisitos de contratação.  

Apostando nessa ideia, a Ci&T, consultoria especializada em projetos de TI e marketing digital, lançou no início do ano um programa de empreendedorismo. Além do investimento, que varia entre 100.000 e 500.000 reais, fornece aconselhamento e infraestrutura. "Temos talento e know-how e queremos fomentar experimentos em diferentes áreas", diz o presidente, César Gon.

A iniciativa que gerou a Sensedia, primeira empresa que nasceu a partir da Ci&T, foi de Kleber Bacili, de 34 anos, hoje diretor de operações e sócio da organização. Ao desenvolver soluções de governança SOA (arquitetura orientada a serviços), ele percebeu o interesse dos clientes.

"Criamos a Sensedia em 2006 e deu certo." O projeto que serviu como piloto do programa foi um aplicativo de corrida para iPhone elaborado pelo líder da área de mobile internacional, Márcio Cyrillo, de 39 anos, com a ajuda do gerente de projetos, Lucas Persona. Com cerca de 20.000 downloads e retenção de 20% dos usuários, ele está em expansão — será uma plataforma social de corrida que pretende conectar usuários a profissionais.


"Ainda somos financiados apenas pela Ci&T, mas já temos interessados em formar parcerias", diz Márcio. Esses não foram os únicos talentos retidos. Os fundadores da Ipanema Games, Luiz Menezes, de 33 anos, e Bruno Machado, de 27, pensavam em deixar o emprego quando receberam o apoio do programa. "Quando o hobby já rendia mais do que o salário, decidimos nos dedicar. Mas com a ajuda da Ci&T nosso trabalho ficou mais competitivo", diz Luiz.

A nova organização, criada por Bruno e Luiz, produz games para plataforma Apple e tem um horizonte promissor. O Smelly Cat, primeiro jogo lançado, já conta com 300.000 downloads.

A S2IT, de soluções em TI, lançou neste ano a S2Labs, sua primeira empresa para desenvolver propostas empreendedoras. A S2Labs reúne microempresas estruturadas com planos de negócios, geração de valor, contrato e termo de confidencialidade.

"Queremos dar vazão à inquietude criativa, e formalizamos o processo para evitar perda de tempo e de dinheiro", diz o diretor da S2IT e sócio da S2Labs, Rodrigo Santaliestra. A S2Labs aceita sugestões tanto de funcionários da S2IT quanto de amigos e clientes — a S2IT fornece coaching e aporte de 300.000 reais em codificação e o idealizador se torna sócio da nova empresa.

O game educativo para smartphones desenvolvido pelo gerente da fábrica de software da S2IT, Renato Oliveira, de 30 anos, já ensaia parcerias. "Temos interessados, se der certo será a realização de um sonho", diz. 

A iniciativa de criar uma franquia de call centers gerou a Netcallcenter Franchise, uma nova empresa da Netcallcenter. "Percebi que havia uma lacuna. Nosso software estava instalado em muitos call centers, mas nós não províamos o serviço", diz a sócia e vice-presidente de marketing e estratégia da nova companhia, Clarice Kobayashi, de 57 anos.

A franquia já prevê a instalação de 100 unidades e a movimentação de 100 milhões de reais por ano. Satisfeita, a Netcallcenter tem mais planos. "A gênese da nossa empresa é o empreendedorismo. Temos outros projetos em andamento", diz o presidente, Luís Roberto Demarco. 

Outro exemplo é o grupo i9, que atua na área de aplicações de negócio e treinamento corporativo. A sociedade que começou com quatro sócios, há cinco anos, já conta com 17. "Acreditamos que dividindo é possível multiplicar", diz o presidente, Leonardo Orsi. O diretor e sócio da i9 Sul, Carlos Mota, de 31 anos, foi o primeiro a apresentar um plano de negócios.

"Tinha propostas melhores, mas me encantei com essa filosofia. Logo percebi uma forte demanda no Sul do Brasil e propus a abertura da unidade.” A i9 era uma empresa com rendimento de 400.000 reais ao ano. Hoje, o grupo é composto por seis companhias e o faturamento estimado para 2011 é de 15 milhões de reais. “O modelo é adequado para esse momento, pois possibilita crescimento sem limites", diz o diretor de RH e de equilíbrio financeiro, César Palmieri. 

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