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Redatora
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 15h23.
A inteligência artificial deixou de ser pauta exclusiva da área de tecnologia e passou a ocupar o centro das discussões estratégicas dos conselhos de administração. O tema já aparece nas conversas sobre crescimento, eficiência, segurança e competitividade discutidas por CEOs, CFOs, conselheiros e investidores.
A pressão por resultados concretos acelerou esse movimento. Depois do entusiasmo inicial com IA generativa, investidores passaram a cobrar aplicações capazes de gerar produtividade real e reduzir custos, não apenas experimentação. Isso empurrou o tema para dentro da sala do conselho, onde antes raramente aparecia.
Conselhos de diferentes setores começaram a criar comitês dedicados exclusivamente à inteligência artificial. As pautas incluem governança de dados, riscos jurídicos, privacidade, segurança cibernética e impactos regulatórios, temas que até pouco tempo ficavam restritos a áreas técnicas e hoje chegam direto à alta liderança.
Bancos, indústrias e varejo também discutem como agentes de IA vão transformar operações internas, relacionamento com clientes e a própria tomada de decisão executiva. O perfil de quem senta no conselho também muda: cresce a busca por executivos com histórico em tecnologia, dados e transformação digital.
O problema é que a demanda avançou mais rápido do que a qualificação. Boa parte dos membros de conselhos tradicionais ainda têm pouca familiaridade técnica com inteligência artificial, o que tem acelerado tanto programas de capacitação executiva quanto a contratação de especialistas externos para apoiar decisões.
A maioria das empresas ainda está em estágio inicial de maturidade em IA. O ponto de atenção, segundo eles, é que a tecnologia não vai funcionar apenas como ferramenta operacional: ela tende a alterar estrutura organizacional, fluxo de decisão e até o modelo de liderança das companhias.
A discussão sobre riscos reputacionais também ganhou espaço nos conselhos. Uso inadequado de IA pode gerar viés, falha de segurança, problema regulatório e impacto direto na confiança do consumidor, riscos que hoje entram no radar de qualquer conselho que aprove projetos de IA.
Isso abre uma pauta nova para a governança corporativa: quem responde por decisões automatizadas, como monitorar os modelos usados pela empresa e quais limites devem existir para o uso da tecnologia. São perguntas que exigem repertório técnico que grande parte dos conselheiros ainda não tem.