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Selfie ou autorretrato, qual termo usar?

Diogo Arrais, professor do Damásio Educacional, fala sobre o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, usando o exemplo da palavra "selfie"


	Na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco tira uma "selfie" no celular com jovens católicos. (28/8/2013)
 (Osservatore Romano/EPA)

Na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco tira uma "selfie" no celular com jovens católicos. (28/8/2013) (Osservatore Romano/EPA)

DR

Da Redação

Publicado em 26 de agosto de 2014 às 13h40.

Atire o primeiro telefone quem nunca se rendeu à moda do retrato “selfie”, hein? Também nem precisamos dizer que o uso da palavra “selfie” popularizou-se.

Em referência à origem, “selfie” (do inglês self corresponde a si mesmo, si próprio). Já a forma portuguesa para o retrato reflexivo é “autorretrato” – termo este que passou por reforma ortográfica e é grafado dessa forma.

Na mídia impressa, já vi expressões como: “a moda do autorretrato”; “os celulares e os autorretratos”. Língua é uso e não adianta discutir: a palavra “selfie” ganha muito mais curtidas e é muito mais fácil de se pronunciar.

Pensando nos empréstimos linguísticos, nos estrangeirismos, não se pode afirmar que tudo vem da Língua Inglesa. Deve-se, pois, haver a busca pela Etimologia (estudo da origem de uma palavra).

Há alguns dias, um nobre professor dizia-se chateado por ter ouvido a palavra “adicto” como sinônimo de “viciado”. “É um estrangeirismo bobo!” – esbravejava o mestre.

Pela intensa fama da Língua Inglesa, é natural estabelecermos a relação entre “addicted” (forma inglesa) e “adicto” (forma portuguesa).
No entanto, nas referências etimológicas do próprio Houaiss, sabe-se que a palavra “adicto” - totalmente incorporado ao nosso Vocabulário Oficial e com registros desde o século XVI - tem sua origem no Latim – “addictus”.

Ademais, o sujeito adicto é o que se apega ou se afeiçoa; é o indivíduo que tem dependência química de determinada substância. Usar o termo, pois, não ofende e tem registro.

Por fim, a Língua é do povo; a escolha lexical depende da aceitação, da época, das modas. Tudo com bom-senso e objetividade cooperará para a comunicação eficiente (por isso a luz da Gramática).

O prejuízo comunicacional ocorre justamente com a não socialização; por isso, lutarei sempre para que se perpetue o respeito entre “escritor” e “leitor”, entre “falante” e “ouvinte”.

Um abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

(Divulgação)

Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – Damásio Educacional
Autor Gramatical pela Editora Saraiva
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