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Se for viajar, compre, para aproveitar a queda do dólar

Queda na cotação do dólar faz produtos vendidos no exterior ficarem mais baratos do que no Brasil. Gaste, mas não perca o controle


	Viajar para fazer compas é uma boa opção, mas é preciso prestar atenção aos gastos
 (Stock.XCHNG)

Viajar para fazer compas é uma boa opção, mas é preciso prestar atenção aos gastos (Stock.XCHNG)

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Juliana Portugal

13 de junho de 2013, 16h38

São Paulo - Foi-se o tempo em que viajar para o exterior era um privilégio para poucos brasileiros. Hoje, com mais dinheiro no bolso e com a possibilidade de parcelar a passagem aérea em até dez vezes sem juros, o trabalhador ainda encontra vantagens para viajar para fora do país.

O principal estímulo é a cotação do dólar, que está em baixa em relação ao valor do real. No começo de julho, era preciso ter 1,55 real para comprar 1 dólar, o menor valor registrado nos últimos 11 anos. Esse quadro de queda na cotação da moeda americana ainda deve se manter pelos próximos meses.

 Com isso, fica mais barato viajar para o exterior do que dentro do Brasil. Você pode encontrar passagens aéreas de ida e volta para o trecho entre São Paulo e Paris por 1.700 reais, enquanto apenas uma passagem  aérea de ida para a ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco, saindo de São Paulo, não custa menos do que 1.995 reais, fora das promoções feitas pelas empresas.

O benefício do real forte e o alto preço do tíquete aéreo no Brasil, para a maioria dos destinos turísticos, fizeram crescer o número de brasileiros em voos internacionais. De janeiro a maio deste ano, 7,5 milhões de pessoas embarcaram para o exterior — uma média de 1, 5 milhão por mês.

Há oito anos, em janeiro de 2003, 858.000 pessoas viajaram para fora. Com mais gente viajando, aumentaram as compras nos outros países. De janeiro a maio, os gastos internacionais chegaram a 8,3 bilhões de dólares.

No primeiro trimestre de 2001, os brasileiros gastaram nessa mesma situação 4,72 bilhões de dólares, segundo dados do Banco Central. Se você está de viagem marcada ou pensa em passar as próximas férias no exterior e quer aproveitar os preços baixos, fique atento às dicas nas próximas páginas. 

1 Vale a pena fazer compras lá fora

Os consultores da área concordam: sim, vale a pena, em especial por causa da queda na cotação do dólar em relação ao real. Porém, antes é preciso analisar o destino da viagem e quais itens são favoráveis para a compra. Equipamentos eletroeletrônicos, roupas, sapatos, maquiagem, perfumes, bebidas alcoólicas e relógios você pode comprar sem medo.


Os perfumes importados pagam 78% de impostos no mercado brasileiro, o que faz com que eles fiquem muito mais caros. As bebidas e os relógios têm tributação de 60%. "Mas não compensa ir até os Estados Unidos para adquirir apenas um tablet ou iPod", diz Mauro Calil, consultor financeiro, de São Paulo. 

2 Não vá de olhos fechados

Não é porque o produto é importado que você deve deixar de questionar a qualidade dele. Não dispense esforços para checar se está tudo certo com os equipamentos eletrônicos e com todos os demais itens. Se você adquirir roupas e calçados, fique atento, pois a numeração é diferente.

Não custa nada experimentar antes e se certificar de que é seu tamanho. Quanto aos eletroeletrônicos, observe se o modelo está mais barato apenas porque já está fora de linha. Não se esqueça de verificar se há assistência técnica no Brasil. Além disso, não saia comprando tudo o que vê pela frente somente porque está barato.

"Planeje, compare os preços na internet e faça uma lista dos itens de que você precisa", diz Samy Dana, professor de finanças pessoais da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo. 

3 Adquirir o enxoval é uma boa ideia

Para quem está preparando o enxoval de casamento ou do bebê que está para chegar, é bom ficar ligado antes de começar a encher as sacolas. Faça uma pesquisa de preços para saber se comprar no exterior realmente é mais barato. Um carrinho de bebê com assento reclinável, porta-objeto, cinto de segurança e limite de peso de 15 quilos não sai por menos de 629 reais no Brasil.


Nos Estados Unidos, o mesmo produto vai custar 130 dólares, algo em torno de 200 reais. "O preço do mesmo produto no Brasil chega a ser até três vezes mais alto", afirma Luiz Roberto Calado, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP). 

4 Onde comprar bem e barato

É preciso decidir onde você vai fazer suas compras. Sempre haverá uma loja no centro da cidade com preços não tão favoráveis à espera de um turista desavisado. Para não correr risco de o barato sair caro, antes da viagem pesquise nos guias turísticos e na internet quais são as lojas com os melhores preços.

Uma opção são os outlets, que vendem com preços baixos produtos de marcas de qualidade que já estão fora de linha. A desvantagem é que eles ficam afastados dos centros. Para quem não quer perder tempo, a sugestão é comprar os produtos pela internet e pedir para entregar no hotel em que você ficará hospedado. Nesse caso, você vai ficar livre dos impostos e do custo das taxas de envio para o Brasil. Para evitar que a encomenda chegue quando você já tiver acabado a viagem, faça a compra ainda no Brasil. 

5 Dá para conseguir um descontinho?

Acredite, você pode pagar menos se tiver coragem de pechinchar. Mas vai depender do país. Nos Estados Unidos, é praticamente impossível implorar por preços baixos em grandes lojas. Já em alguns países da Europa e nos países árabes você pode ter sucesso.

"Na França, eles odeiam pechinchas", afirma Celso Grisi, professor de macroeconomia e cenários econômicos da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), em São Paulo. Negocie um valor menor para o produto assim que entrar na loja. Jamais faça isso quando já tiver escolhido todos os produtos e estiver prestes a pagar.


"O vendedor não terá motivos para dar um desconto, mesmo que você esteja levando muita coisa. Para ele, a venda já está garantida", afirma Celso. 

6 Pagar com cartão ou dinheiro

O governo brasileiro aumentou a taxa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as compras efetuadas com cartão de crédito no exterior. A medida elevou a taxa de 2,38% para 6,38%. O resultado foi rapidamente percebido pelos consumidores. Antes do aumento, 60,7% das compras no exterior eram feitas com cartão de crédito.

Dois meses depois, em maio, essa forma de pagamento havia caído para 55%. A opção mais vantajosa tem sido pagar com dinheiro ou com cartão de débito (Visa Travel), em que você carrega a quantia que quer gastar em moeda estrangeira. Mas prefira sempre o pagamento à vista. O dólar está barato hoje, mas há a possibilidade da sua cotação aumentar e você ter um prejuízo quando a fatura do cartão de crédito chegar.  

7 Quanto e o que pode ser trazido para o Brasil

Cada pessoa tem direito a comprar produtos no valor total de até 500 dólares. Se você exceder esse limite, terá de pagar uma taxa de 50% sobre o valor que foi ultrapassado. Os itens classificados como bens de consumo e uso pessoal, sem fins comerciais, não são tributados, como peças de roupas, relógio, celular, maquiagem e cremes.


Porém, mesmo que você não tenha ultrapassado esse valor e for parado na alfândega — sim, isso pode acontecer — e tiver na mala dez modelos da mesma blusa, as autoridades podem acreditar que você trouxe os produtos para comercializar e você terá de pagar uma taxa. Há ainda especificações para determinados itens: bebida alcoólica: 12 litros; cigarros: 10 maços; charutos ou cigarrilhas: 25 unidades; suvenires: 20 unidades, sendo que 10 deles não podem ser iguais. 

8 O que não posso trazer?

Produtos falsificados, cigarros e bebidas fabricadas aqui no Brasil e que são distribuídos no exterior. E, também, brinquedos que imitem armas de fogo e réplicas de armas. 

9 O que é tax free? Como usar?

Tax free é o imposto pago no momento da compra feita no exterior e que você terá direito a receber de volta quando sair do país estrangeiro. É uma isenção que o governo dá para os produtos exportados que não serão comercializados. É muito comum na Europa, na Argentina e no Chile.

Para ter direito ao reembolso, é preciso pegar a nota fiscal na loja na hora da compra. O recebimento do dinheiro ocorre no aeroporto. Para evitar que a falta de tempo atrapalhe o reembolso dos impostos, chegue cedo ao aeroporto. É raro, mas pode acontecer de o agente querer ver os itens que foram comprados. Por isso, passe no guichê antes do check-in ou tenha os produtos na mala de mão.  

10 Onde posso ter mais informações?

Use a internet para analisar preços, produtos e marcas disponíveis nos lugares que irá visitar. Consulte os sites oficiais das cidades com dicas e informações para turistas. Outro site importante é o da Receita Federal. Nele, você poderá conferir dicas sobre o limite de preços dos produtos que quer trazer do exterior (www.receita.fazenda.gov.br).