Erika Medici, CEO da segurada Axa no Brasil: “Dos 2,3 bilhões que a gente fez, em torno de 900 milhões vieram de iniciativas dos nossos funcionários” (Axa/Divulgação)
Repórter
Publicado em 3 de maio de 2026 às 14h00.
Se você já precisou proteger um negócio, garantir uma operação logística ou até assegurar a continuidade de uma renda, há uma boa chance de ter esbarrado em uma solução da Axa. Presente em mais de 50 países e com origem na França, a seguradora tem no Brasil uma de suas principais apostas de crescimento, e um modelo pouco convencional para sustentar essa expansão.
Em pouco mais de uma década, a operação brasileira saiu de um projeto do zero para um negócio bilionário.
“A AXA está no Brasil desde 2015. Foi um projeto que se iniciou como um greenfield e cresceu porque acreditamos 10 anos atrás que o Brasil é uma potência”, afirma Erika Medici, CEO da companhia no país.
A seguradora Axa atua hoje de ponta a ponta, de seguros para grandes obras e multinacionais até proteção de celulares e renda de trabalhadores informais, passando por pequenas e médias empresas, um dos principais motores de crescimento da companhia no Brasil.
Em 2025 a empresa alcançou R$ 2,3 bilhões em faturamento, com crescimento de dois dígitos ano após ano, e parte relevante desse avanço vem de dentro de casa.
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O principal diferencial da AXA no Brasil atende pelo nome de “AXA no Topo”. Na prática, é um modelo que permite que qualquer funcionário (do estagiário ao executivo) proponha novos projetos diretamente ao alto escalão.
“Qualquer pessoa na companhia desenha uma iniciativa, monta um business case e vende sua proposta para o comitê executivo”, diz Medici.
Se aprovado, o projeto recebe investimento e passa a ser liderado pelo próprio autor da ideia.
O resultado é expressivo:
“Dos 2,3 bilhões que a gente fez, em torno de 900 milhões vieram de iniciativas dos nossos funcionários”, afirma a CEO.
Desde a criação do programa, em 2023, já foram mais de 130 iniciativas, com a maior parte implementada.
Mais do que inovação, o modelo cria um senso de pertencimento difícil de replicar.
“É uma forma de todo mundo se sentir responsável por aquilo”, diz Medici.
Por trás do programa, está uma filosofia de gestão baseada em autonomia e comunicação direta.
“Se a notícia é boa, eu vou te dar notícia boa. Se a notícia é ruim, eu vou te dar notícia ruim e a gente vai achar a solução”, afirma a executiva.
Esse modelo ajudou a elevar o engajamento interno a níveis pouco comuns no mercado.
“Saímos de um índice de engajamento de 10 para 92”, diz.
O impacto vai além do clima organizacional. A iniciativa também virou uma ferramenta de identificação de talentos.
“O comitê executivo teve a chance de conhecer talentos e isso acelerou absurdamente o negócio”, afirma.
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A cultura interna se conecta diretamente com a estratégia de negócios. Segundo a CEO, a AXA cresce acima da média do setor.
“Todas as minhas linhas crescem a dois dígitos e quase o dobro do mercado”, afirma.
A expectativa é manter o ritmo.
“Vamos continuar crescendo dois dígitos, temos falado muito em 20%”, diz.
Para a executiva, crescer não é suficiente, é preciso crescer com rentabilidade.
“Crescer em faturamento dá pra fazer, mas a gente tem um compromisso de aumentar faturamento e lucro ano após ano”, afirma.
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A estratégia da AXA no Brasil também evoluiu. Se no início o foco estava em grandes empresas, hoje a companhia mira um mercado mais amplo.
“O pequeno e médio empreendedor é uma das minhas alavancas de crescimento”, afirma Medici.
A empresa atua hoje em três frentes:
Nesse último caso, a ideia é ampliar o acesso à proteção financeira.
“Sempre nos questionamos como é que a gente constrói um seguro inclusivo com um ticket médio que seja permissivo para aquela realidade?”, diz.
Outro pilar da estratégia é o uso de tecnologia para antecipar riscos, e não apenas indenizar perdas.
Um exemplo é a “Torre 360”, que usa inteligência artificial para monitorar motoristas.
“A gente coloca uma câmera dentro do caminhão, que te fala se ele está apresentando sinais de fadiga”, diz.
A lógica é evitar acidentes antes que eles aconteçam.
“O que a gente não quer é que aquele indivíduo sofra e muitas vezes a gente previne o pior”, afirma.
Mesmo ainda pequena no tamanho global da companhia, a operação brasileira tem papel estratégico.
“O Brasil lidera como uma das principais locais de expectativa de crescimento para o grupo”, afirma Medici.
Os motivos vão desde o tamanho da população até a baixa penetração de seguros no país.
“É onde tem mais sentido você colocar a tua energia para crescer”, diz.
No fim, a combinação de cultura, tecnologia e estratégia de mercado tem sustentado o avanço da AXA no Brasil, com um diferencial: transformar funcionários em protagonistas do negócio.
“Você não consegue evoluir sem uma proteção, o seguro está ali para te dar a capacidade de continuar”, afirma a CEO.