Carreira

A Kimberly-Clark premia as boas ideias dos funcionários

Ao criar um programa eficiente de ideias e trazer o funcionário para mais perto do negócio, a Kimberly-Clark construiu um ciclo virtuoso de sugestões e gordas economias em seu caixa

Flávia Caroni, gerente de remuneração e benefícios, à frente de alguns funcionários: segundo ciclo do programa de ideias gerou retorno de 
11 milhões de reais (Marcelo Spatafora)

Flávia Caroni, gerente de remuneração e benefícios, à frente de alguns funcionários: segundo ciclo do programa de ideias gerou retorno de 11 milhões de reais (Marcelo Spatafora)

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Da Redação

Publicado em 29 de novembro de 2013 às 15h40.

São Paulo - Como fazem muitas empresas, a fabricante de produtos de higiene e limpeza Kimberly-Clark definia, a cada ano, metas para redução de custos e despesas, melhoria em seus processos produtivos e aprimoramento de produtos. Faltavam, porém, ações mais práticas e eficazes para que os objetivos fossem, de fato, alcançados e não caíssem num discurso vazio.

Na visão da área de recursos humanos, isso só seria possível com um engajamento maior dos colaboradores da companhia. “Acreditávamos que o segredo estava em soluções que só quem vive o dia a dia da operação pode mesmo enxergar”, diz a gerente de remuneração e benefícios da Kimberly-Clark, Flávia Caroni.

Para tornar os funcionários mais próximos do negócio e tirar deles ideias nos processos de inovação, melhoria contínua e solução de problemas, foi criado o programa Caçadores de Oportunidades, que hoje exporta ideias bem-sucedidas para outras subsidiárias no mundo.

O Desafio

Por não fazer uma análise específica de cada unidade e área, a Kimberly-Clark deixava de visualizar onde se encontravam as melhores oportunidades de geração de valor para o caixa da companhia. Diretrizes gerais de redução de custos e melhorias de processos e produtos havia.

Mas faltava a ação, que, na maioria dos casos, se resumia a uma ideia simples, de substituição de matéria-prima ou mudança nos métodos de produção. Informalmente, os funcionários já levavam essas sugestões diferenciadas para a empresa, sem que ela respondesse com qualquer contrapartida. A lógica, portanto, também era simples: a partir do momento em que estimulasse e, principalmente, reconhecesse as contribuições de seus profissionais, a Kimberly-Clark só teria a ganhar.

A Solução

O programa Caçadores de Oportunidades começou em 2006, abrangendo as quatro fábricas, o centro de distribuição e a matriz da Kimberly-Clark no Brasil. Foi formatado para reconhecer as melhores ideias dos funcionários e recompensá-los financeiramente pelo retorno obtido pela empresa.


Individualmente ou em grupos, só podem participar do programa funcionários abaixo do nível gerencial, o que corresponde a 90% do quadro de pessoal, e que tragam sugestões além de suas responsabilidades diretas — para reduzir, evitar e postergar custos e despesas, elevar a produtividade e eficiência, aprimorar a qualidade dos produtos e melhorar a segurança dos processos.

Toda sugestão deve ser inscrita por meio de formulários previamente distribuídos e a viabilidade de implementação das ideias é avaliada por comitês multifuncionais, formados pelos gerentes de fábrica, centro de distribuição, custos e RH.

A recompensa corresponde a um percentual sobre o valor gerado para a Kimberly-Clark, limitado a 5 000 reais por contribuição, e pago tão logo ela é validada pelo comitê. Assim que o ciclo do programa se encerra, os comitês se reúnem e cada um deles elege três melhores ideias, que vão concorrer a um automóvel zero-quilômetro no final da etapa.

“As sugestões dos funcionários recebem notas conforme alguns aspectos, sendo o de maior peso o retorno que trazem para a companhia, não necessariamente financeiro. Pode ser o aumento da segurança da atividade, por exemplo”, explica Flávia. Também são consideradas a inovação e a criatividade, a melhoria de produtos e processos e a possibilidade de aplicação da ideia em outras unidades.

“A modificação de um acessório de maquinário trouxe maior rapidez à produção, reduzindo em 50% o tempo de máquina parada, e acabou sendo exportada para países como África do Sul, Argentina, Costa Rica, Peru e Rússia”, conta Flávia. 

O Resultado

Ao longo do tempo, a Kimberly-Clark foi acumulando mais ideias vencedoras. A simples revisão do planejamento tributário sobre insumos de produção, por exemplo, reduziu em 8% o custo da tributação e eliminou uma etapa (das duas que havia) no processo de recebimento de produtos no centro de distribuição, garantindo maior agilidade.

Outra ideia de retorno positivo foi a criação de um equipamento com custo de 18 000 reais, que eliminou a necessidade de compra do mesmo acessório no mercado, cujo valor é de 250 000 reais. No primeiro ciclo do programa, que durou dois anos e meio, foram sugeridas 1 110 ideias, com 225 delas implantadas.

Os prêmios pagos somaram quase 250 000 reais e trouxeram mais de 7 milhões de reais de retorno para a organização. No segundo ciclo, que terminou em 2011, foram 596 ideias sugeridas e 152 implementadas. “Com o programa mais maduro, o índice de aproveitamento das sugestões subiu de 20% para 25,5%”, assinala Flávia.

Ainda neste segundo ciclo, foram pagos 418 000 reais em prêmios e o retorno para a empresa superou os 11 milhões de reais. A festa de premiação das melhores ideias aconteceu no dia 31 de agosto, com a participação de cerca de 150 pessoas e a entrega do automóvel pelos diretores de operações industriais e pelo RH da Kimberly-Clark.

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