Redação Exame
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 11h09.
Criar um negócio nunca foi tão simples, e, ao mesmo tempo, tão desafiador.
Em meio a juros altos, inflação prolongada, consumo volátil e transformações impulsionadas pela inteligência artificial, a sobrevivência empresarial depende, mais do que nunca, de uma gestão financeira rigorosa, decisões estratégicas de capital e estruturas operacionais resilientes.
Essa é a principal lição de fundadores de empresas tão distintas quanto uma fazenda orgânica, um estúdio de videogames e uma marca de kimchi. As informações foram retiradas da Fortune.
Na Serenity Forge, um estúdio de videogames do Colorado, o fundador Zhenghua Yang recusa projetos lucrativos quando eles não se alinham à missão emocional da empresa.
É uma decisão de branding, sim, mas também uma decisão de finanças corporativas: alocar capital apenas em ativos que reforcem o posicionamento e garantam retorno de longo prazo.
Do outro lado do espectro, Sue Decker, da Blue Star Farm, reconstruiu sua trajetória profissional apostando em safras especiais e no investimento em estufas, uma aposta financeira que elevou margens e possibilitou receita durante o inverno. Em ambos os casos, a sustentabilidade do negócio dependeu de escolhas precisas sobre onde e como investir.
O Dividend Watch, plataforma de dados voltada para investidores aposentados, transformou um público negligenciado em um negócio SaaS lucrativo.
Como? Com foco absoluto em fluxo de caixa, modelo por assinatura e ferramentas que unem planejamento de renda e controle de despesas. Já Lauryn Chun, da Mother-in-Law’s, fez o mesmo no setor de alimentos, utilizando sua origem cultural como diferencial competitivo.
Mas o que mantém a empresa viva em tempos de custos voláteis é a gestão implacável sobre margem e negociação com fornecedores. “Sempre saiba suas margens... e você nunca fará um mau negócio”, resume Chun — uma máxima que caberia em qualquer conselho de administração.
O discurso do “cresça rápido” nem sempre é compatível com finanças saudáveis. No clube de padel Padel United Sports Club, Jon Krieger prefere abrir uma nova unidade apenas quando a anterior atinge lucratividade.
A mesma lógica é seguida por Jeremy Barker, CEO da Murphy Door, que manteve seu emprego de bombeiro até que a empresa faturasse US$ 5 milhões anuais — e só então escalou a operação.
Ambos são exemplos de como o capital precisa ser protegido, com estruturas testadas e processos padronizados antes de qualquer expansão.
Empresas resilientes tratam o caixa como prioridade máxima. A Murphy Door trabalha com produção just-in-time, não monta uma porta sequer sem pagamento antecipado. Resultado: cada venda gera caixa imediatamente, sem necessidade de manter estoque. Essa estratégia de capital de giro enxuto salvou a empresa de crises que impactaram concorrentes com grandes estoques parados.
Já a Mother-in-Law’s enfrentou a pandemia e os choques de custo com mudanças rápidas: alterou embalagens, diversificou canais de venda e otimizou a logística. Tudo com base na análise precisa dos impactos financeiros de cada decisão.
Buscar crescimento a qualquer custo é um erro comum. O Dividend Watch, por exemplo, evita campanhas de marketing caras e opta por canais mais eficientes, como busca orgânica e recomendações em comunidades de investidores.
A Serenity Forge segue caminho similar: foca apenas em títulos que reforcem sua proposta de valor e evita dispersar esforços em jogos comerciais. Para as finanças corporativas, isso se traduz em concentração de recursos em áreas com maior retorno sobre o capital investido.
A Blue Star Farm fez um movimento raro: comprou estufas de alta qualidade antes mesmo de ampliar a produção. Isso permitiu cultivar o ano todo, aumentar preços e manter a equipe empregada durante o inverno.
Já a Murphy Door apostou em ferramentas digitais de design e padronização de peças, o que reduziu complexidade e evitou gargalos, uma lição valiosa sobre como antecipar investimentos em infraestrutura pode poupar milhões no futuro.
Quando a pandemia fechou os restaurantes, a Blue Star Farm transferiu seu foco para vendas diretas em feiras e mercados. A receita disparou 35% no varejo e compensou a queda no atacado.
A Mother-in-Law’s, por sua vez, diversificou formatos e canais de distribuição para enfrentar a crise logística. Essas mudanças rápidas não são apenas operacionais — são decisões financeiras que evitam colapsos de receita.
As finanças corporativas não existem no vácuo: dependem de times alinhados com a visão do negócio. A Blue Star Farm mantém 3 funcionários fixos e até 11 sazonais, tratados como parceiros e treinados continuamente, o que reduz turnover e mantém a qualidade da produção.
Na Murphy Door, Barker prioriza a cultura de responsabilidade e transparência, compartilhando os números da empresa com todos e contratando com base em valores, não apenas currículos.
Na Serenity Forge, errar faz parte da estratégia. Prototipar, falhar e aprender são parte do ciclo de desenvolvimento — sempre com controle financeiro para que os erros não comprometam a operação.
O mesmo vale para Krieger, do clube de padel, que prevê de 12 a 18 meses para ajustar uma nova unidade antes de considerá-la estável. A disciplina de iteração é, no fundo, uma forma de gestão de risco financeiro.
A atuação em finanças corporativas exige muito mais do que leitura de balanços: envolve decisões de alocação de capital, análise de risco, controle de margem e, sobretudo, visão estratégica. Esses pequenos empresários, mesmo fora dos grandes centros financeiros, mostram como dominar essas competências é essencial para o sucesso.
Seja para fundar, gerir ou reestruturar negócios, a habilidade de transformar decisões operacionais em resultados financeiros concretos é o que separa a sobrevivência do crescimento. Em um mundo cada vez mais instável, quem domina os fundamentos da boa gestão financeira está sempre um passo à frente.
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