Wladmir Brandão, diretor de Inteligência Artificial da Sólides: cargo exige habilidades técnicas que precisam ser desenvolvidas por profissionais de tecnologia com foco em Ciência de Dados e Inteligência Artificial (Sólides/Divulgação)
Repórter
Publicado em 19 de dezembro de 2025 às 06h01.
Última atualização em 19 de dezembro de 2025 às 11h47.
Com a evolução tecnológica e a mudança nas demandas da sociedade, algumas profissões pensadas para o futuro estão moldando um novo modelo no mercado de trabalho. Pequenas a grandes empresas estão investindo no desenvolvimento interno de suas áreas, inclusive em novas profissões, como uma estratégia adotada para acompanhar tendências, antecipar mudanças e preparar seu terreno para um futuro incerto e dinâmico.
Veja alguns cargos que estão ganhando espaço no mercado brasileiro – e que já impactam no seu consumo.
O mercado de turismo de luxo está explodindo no Brasil. Por ano, o setor movimenta cerca de 2 bilhões de reais (BLTA-2022) e a previsão, segundo uma pesquisa da Consultoria Bain, é de que ele tenha um avanço de 6% até 2030.
Apesar do cenário positivo, agências de viagem de todos os portes enfrentam o mesmo problema: falta de mão de obra capacitada para atender um cliente tão exigente e com especificidades. Diante disso, o próprio setor se movimenta e busca formar seus próprios travel designers.
Esse profissional, a partir dos seus conhecimentos e especialização, cria itinerários sob medida, gerencia as reservas necessárias - como documentação, vistos, voos, acomodações, transportes, ingressos para eventos e atividades especiais - e, até mesmo, proporciona visitas privadas a lugares estratégicos e acesso VIP a eventos.
Um consultor nível sênior pode ganhar mais de R$ 20 mil e tem a oportunidade de conhecer os destinos, hotéis, restaurantes e companhias aéreas mais exclusivas do mundo - além de poder trabalhar de maneira remota, de qualquer lugar. É uma oportunidade para quem está ingressando no mercado de trabalho agora e já está matriculado em um curso de turismo, mas também é uma janela para outros profissionais que desejam mudar de carreira.
Gustavo Aranha apostou nesta área e de entregador de comida, se capacitou para hoje ser um dos travel designers da agência Tereza Perez. Desde criança, Aranha sentia uma conexão especial com o mundo das viagens, e essa paixão foi influenciada por um sonho que sua mãe não pôde realizar. “Ela sempre sonhou em ser aeromoça, mas a gravidez a fez adiar esse desejo. Cresci ouvindo suas histórias sobre lugares incríveis e culturas fascinantes, o que despertou em mim o desejo de explorar o mundo”, diz.
Um dos maiores desafios em ser travel designer, segundo Aranha, é equilibrar as expectativas dos clientes com a realidade do mercado de viagens.
“Muitas vezes, os clientes têm sonhos e desejos que podem ser difíceis de realizar dentro das limitações de tempo, orçamento ou disponibilidade. É preciso ter habilidades de comunicação para entender suas necessidades e, ao mesmo tempo, oferecer soluções criativas que atendam a essas expectativas.”
Outro desafio da profissão é estar sempre atualizado com as tendências e alterações nas políticas de viagem, afirma Aranha.
“Para ser um bom travel designer, algumas habilidades são essenciais como comunicação eficaz, organização, conhecimento de destinos, habilidades de resolução de problemas, flexibilidade e empatia”, diz. “Essas habilidades ajudam a construir relacionamentos sólidos com os clientes e a garantir que suas experiências de viagem sejam memoráveis”.
Gustavo Aranha que, de entregador de comida, se capacitou e hoje é um dos travel designers da agência Tereza Perez (Gustavo Aranha /Divulgação)
A profissão de aromista surgiu no início do século XX, mas tende a se tornar a profissão do futuro por causa da alimentação saudável, que está sendo cada vez mais buscada, e dos avanços da IA.
"O aromista consegue, por exemplo, garantir o sabor dos alimentos mesmo com a redução de sal e gordura", afirma a engenheira Cecília Eichinger Strebe, aromista sênior da Duas Rodas, empresa onde trabalha há 40 anos. "Outro motivo é a evolução tecnológica e o uso de IA. Com esses avanços, o aromista será cada vez mais importante para refinar os dados utilizados".
Os aromistas são o grande ativo de empresas como a Duas Rodas, fabricante de aromas, essências, extratos naturais e outros ingredientes para a indústria alimentícia e de bebidas da América Latina. A companhia conta hoje com 15 aromistas sêniores com formações iniciais em engenharia de alimentos, químicos, nutricionistas e engenheiros de processo, por exemplo.
“Já no início do meu trabalho na área de pesquisa e desenvolvimento da Duas Rodas, fui me encantando e me apaixonando pela profissão de criação de aromas. Percebi que tudo o que consumíamos tinha o trabalho de aromas para deixar os alimentos e bebidas mais saborosos”, diz Strebe.
Para se tornar um aromista sênior a formação pode durar de 4 e 12 anos e é preciso ser capaz de identificar um sabor, uma nuance ou acidez em uma gama de mais de 4.500 matérias-primas. "Conseguimos compor um aroma com notas diversas como frescas, grelhadas, um sabor de carne assada, um morango com notas verdinhas para um chiclete ou lácteas para um iogurte", afirma a aromista da Duas Rodas.
Para alcançar o cargo sênior e se manter na empresa há mais de 3 décadas, Strebe precisou de especializar e aproveitou os treinamentos internos para conhecer as matérias-primas, os processos e seus usos.
“Um aromista na Duas Rodas tem que conhecer todas as características sensoriais de mais de 3 mil matérias-primas, então, não é uma tarefa fácil essa memorização. Mas ao mesmo tempo é muito gratificante ver que um produto que você desenvolveu está sendo bem aceito e apreciado pelos consumidores", diz Streb.
Para ser um aromista de destaque no mercado de trabalho, Strebe afirma que é preciso gostar de pesquisar, de conhecer novas matérias-primas, de estar sempre atualizado com as novas tecnologias e tendências de consumo.
“O aromista é um alquimista do sabor, por isso é um profissional que precisa ser muito criativo e persistente, afinal não é uma tarefa fácil memorizar as características de mais de 3 mil matérias-primas”, afirma.
Cecília Eichinger Strebe, está à direita da foto. Ela é aromista sênior da Duas Rodas, empresa onde trabalha há 40 anos. (Duas Rodas /Divulgação)
A Sólides, empresa de tecnologia para gestão de pessoas para PMEs, recentemente anunciou novo diretor de Inteligência Artificial (CAIO, na sigla em inglês). No novo cargo, o executivo Wladmir Brandão ficará encarregado de estabelecer e executar a estratégia de IA da Sólides, liderando equipes especializadas neste tipo de tecnologia para acelerar a inovação nos produtos e soluções.
O cargo exige habilidades técnicas que precisam ser desenvolvidas por profissionais de tecnologia com foco em Ciência de Dados e Inteligência Artificial, desde o domínio de algoritmos, estruturas de dados e linguagens de programação até técnicas de engenharia de dados e aprendizagem de máquina.
“Essas habilidades vão evoluindo ao longo do tempo, por isso a importância da aprendizagem contínua”, diz Brandão que é formado em Ciências da Computação.
Do ponto de vista das soft skills, Brandão destaca a criatividade, resiliência, capacidade analítica e de concentração para trabalhar nesta função.
Wladmir Brandão, diretor de Inteligência Artificial da Sólides (Sólides/Divulgação)
A VidMob, plataforma global de desempenho criativo com base em IA, também está apostando na nova tecnologia com um time de creative intelligence. São profissionais capacitados a entender e transformar em insights acionáveis as análises de imagens produzidas pela IA.
O sistema de Inteligência Artificial da empresa realiza uma espécie de decupagem frame a frame de vídeos publicitários, identificando todos os elementos de cada cena, como a existência ou não de pessoas, a posição delas, se estão ao ar livre ou em um ambiente fechado, se estão sorrindo, se há plantas ou animais e todas as possíveis informações da imagem – que, mais tarde, são cruzadas com informações sobre o comportamento da audiência enquanto assiste ao mesmo vídeo em diferentes redes sociais.
Para essa profissão, é necessário, portanto, estar aberto a mudanças e seguir atentamente as tendências das plataformas de mídia, redes sociais e creator economy, afirma Mariana Lagares, diretora estratégia criativa latam da Vidmob.
“É preciso se envolver e entender o movimento das tecnologias, assim como o que as novas gerações consomem, investem e produzem. Também não podemos deixar de entender os desafios relacionados à geração mais antiga, que também consome novas mídias, mas de forma diferente. Resumindo, é preciso ter a cabeça aberta ao novo, ao recomeço e ao inesperado”, diz Lagares.
*Esta matéria foi publicada originalmente em setembro de 2024