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Menos chefes, mais donos: como a Bayer redesenha a gestão com o modelo ‘DSO’

O “Dynamic Shared Ownership” aposta em autonomia, colaboração e menos camadas de decisão. O presidente Maurício Rodrigues explica o sistema

Maurício Rodrigues, CEO da divisão agrícola da Bayer na América Latina: “O papel do líder é entender onde ele realmente agrega valor” (Leandro Fonseca/Exame)

Maurício Rodrigues, CEO da divisão agrícola da Bayer na América Latina: “O papel do líder é entender onde ele realmente agrega valor” (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11h23.

Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 11h28.

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Durante muito tempo, liderar significava entregar mais resultados do que qualquer outra pessoa. Mas esse modelo ficou para trás. Ao menos dentro da Bayer. Sob a liderança de Maurício Rodrigues, CEO da divisão agrícola da companhia na América Latina, a empresa vem promovendo uma transformação profunda em sua cultura organizacional — com menos hierarquia, mais escuta e decisões compartilhadas.

“Nos anos 2000, o líder era quem performava melhor. Colaboração, escuta e empatia não eram características valorizadas”, afirma Rodrigues no podcast De Frente com o CEO, da EXAME. “Hoje, isso mudou completamente.”

Veja também: ‘Como professor eu aprendi todas as características de liderança’, diz CEO da Nestlé Brasil

Um novo modelo de decisão: menos camadas, mais autonomia

Um dos pilares dessa virada cultural é a adoção do modelo chamado "Dynamic Shared Ownership" (DSO) — ou “Propriedade compartilhada e dinâmica”. Na prática, o sistema reduz camadas hierárquicas e empodera profissionais que estão mais próximos do problema a tomar decisões.

“A decisão precisa estar com quem está mais perto do tema. Isso exige confiança e, principalmente, controle do ego”, diz o executivo.

Para ele, a liderança moderna passa menos por centralizar poder e mais por conectar pontos, criar consensos e sair de cena quando necessário.

“É impossível saber tudo. O papel do líder é entender onde ele realmente agrega valor.”

Veja também: O melhor líder é o 'líder desnecessário’, diz CEO da Amazon Brasil

Curiosidade, colaboração e ego sob controle

Ao falar sobre o que a Bayer busca em seus líderes hoje, Rodrigues resume o perfil em três características centrais:

  • Curiosidade, para questionar o status quo e aprender continuamente
  • Colaboração, entendida como capacidade real de escutar e construir em conjunto
  • Ego controlado, para empoderar pessoas e dividir decisões
“Empatia, no fundo, passa por você não se achar a pessoa mais importante da sala”, afirma. “É um exercício muito forte do ego, porque eu preciso confiar muito nas pessoas, eu preciso acreditar que as pessoas sabem fazer o trabalho e que não necessariamente a minha palavra final naquele assunto é tão relevante assim.”

Essa visão também dialoga com as expectativas das novas gerações, que questionam o modelo do executivo “workaholic”.

“Eu estava errado achar que o workaholic era o perfil ideal. Para ser colaborativo e curioso, é preciso equilíbrio”.

Na prática, o Dynamic Shared Ownership (DSO) reforça essa mudança ao distribuir responsabilidades e reduzir a dependência de decisões concentradas em uma única liderança.

"Ao diminuir camadas hierárquicas e empoderar quem está mais próximo do problema, o modelo exige menos controle individual e mais confiança no time".

Veja a entrevista completa de Maurício Rodrigues, CEO da divisão agrícola da Bayer na América Latina no podcast "De frente com CEO", da EXAME:

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