Startup Summit e IA (Igor Link/Shutterstock)
Redatora
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 18h08.
O poder de decidir sobre inteligência artificial subiu rápido para o topo das empresas. Segundo o "AI Radar 2026", do Boston Consulting Group, 72% dos CEOs já se declaram os principais responsáveis pelas decisões de IA em suas organizações, o dobro do registrado no ano anterior.
O problema é que essa centralização no CEO não significa, necessariamente, que o resto da liderança e do conselho acompanhou o mesmo ritmo.
O movimento é real e já aparece na rotina de quem ocupa cargos de C-Level. A IA generativa deixou de ser apenas ferramenta de produtividade e virou copiloto na tomada de decisão estratégica, cruzando o "feeling" construído ao longo da carreira do executivo com uma leitura de dados em tempo real que nenhum profissional consegue fazer sozinho.
Diferente do executivo, que constrói repertório com a vivência dentro da empresa, a IA generativa entrega volume: contratos, relatórios financeiros, avaliações logísticas e números de vendas analisados quase na mesma velocidade em que os dados chegam.
O resultado aparece em decisões mais rápidas, mais agilidade e, em muitos casos, redução de custo operacional.
Essa combinação, repertório humano mais leitura de dados em escala, é o que诸explica por que estudos recentes, como o "Inside the C-suite", do Capgemini Research Institute, já tratam a IA como uma variável explícita de poder e governança dentro das empresas, e não apenas como uma agenda de eficiência.
A analogia mais precisa não é a de uma máquina que prevê o futuro, mas a de um técnico de xadrez que analisa milhões de jogadas possíveis antes de sugerir o próximo movimento. É assim descrito o papel da IA generativa na decisão executiva: uma ferramenta que amplia a capacidade de análise, mas não substitui quem decide.
Na prática, o C-Level não desaparece do processo. Ele se transforma em orquestrador, com a tarefa de transformar eficiência cognitiva em vantagem competitiva sustentável, e não apenas em velocidade de resposta.
O maior risco identificado pelos estudos do BCG e da Capgemini não está na tecnologia em si, mas no descompasso entre a decisão individual do CEO e a decisão coletiva do conselho. Enquanto o poder decisório sobre IA sobe rápido para o topo, a governança institucional segue mais lenta para acompanhar.
Esse ritmo importa porque a pressão por decisão ágil só cresce. Estudo do IBM Institute for Business Value mostra que 98% dos executivos brasileiros afirmam precisar decidir de forma cada vez mais rápida, e 65% já dizem que agentes de IA ajudam a organização a tomar decisões melhores e realocar recursos diante de disrupções.
O próprio Canaltech faz a ressalva mais importante da reportagem: a adoção da IA na tomada de decisão precisa ser gradual e respeitar processos de governança e segurança, com ferramentas adaptadas ao ambiente corporativo e alinhadas à LGPD, com escalabilidade para tratar os dados de toda a companhia.
É exatamente o ponto em que a tecnologia esbarra na maturidade organizacional. De nada adianta um copiloto de IA rápido se o conselho que aprova investimento, monitora risco e responde por decisões automatizadas ainda não tem repertório para acompanhar essa velocidade.