Carreira

Third space: um lembrete sobre a importância da comunidade também nos espaços corporativos

Da mesma forma que marcas, como LEGO, inauguram lojas para promover experiências e fortalecer o senso de pertencimento, empresas deveriam se perguntar se estão criando oportunidades de conexão ou apenas locais de execução

A loja da Lego é um espaço que não é só um local para se comprar as peças coloridas, mas que promete entregar uma experiência imersiva (CFOTO/Future Publishing /Getty Images)

A loja da Lego é um espaço que não é só um local para se comprar as peças coloridas, mas que promete entregar uma experiência imersiva (CFOTO/Future Publishing /Getty Images)

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 06h06.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreDicas de carreira
Saiba mais

Um dia desses, fui impactada pela notícia da maior loja da LEGO na América Latina. Eu poderia fingir que meu interesse é só porque sou mãe de uma menina pequena, mas eu não sou daquelas que faz tipo. A verdade é que também fiquei animada em conhecer outra versão da loja, dessa vez no Brasil.

Um espaço que não é só um local para se comprar as peças coloridas, mas que promete entregar uma experiência imersiva.

Confesso que, para além do meu interesse no brinquedo, me chama a atenção toda vez que uma marca decide inaugurar um endereço dedicado para a sua comunidade de fãs. Porque, como publicitária de formação que sou, entendo que uma flagship, no fim das contas, é isso: um ponto físico que materializa o propósito da marca e transforma consumo em convivência.

Sei que o conceito de "third space" não é novo, ainda assim essa notícia me chamou a atenção porque fiquei pensando na importância de termos lugares que inspiram senso de pertencimento. Algo que vale para marcas, mas também para o ambiente de trabalho.

Com isso, não estou fazendo referência ao discurso de “somos uma família”. Até porque o “third space” não tem a ver com esse tipo de laço.

Na verdade, trata-se da ideia de um terceiro lugar, além da casa (primeiro espaço) e do trabalho (segundo espaço), no qual as pessoas podem se encontrar, criar vínculos e simplesmente estar. Ou seja, lugares que existem não só para vender produtos e serviços, mas para gerar conexão.

Da mesma forma, as empresas acabam sendo (ou deveriam ser) assim. Um ambiente, que pode ser físico ou virtual, no qual as pessoas não estejam apenas cumprindo tarefas, mas encontrando significado, reconhecimento e espaço para contribuir com o que têm de singular.

Tem quem ache essa conversa papo de RH “abraçador de árvore” ou modismo corporativo, o que impede de levar a sério o impacto que a cultura e o ambiente de trabalho têm sobre desempenho, inovação e retenção de talentos.

O problema da visão distorcida sobre o poder da comunidade dentro de uma organização é que ela desconsidera o quão instintivo é para o ser humano querer fazer parte de um grupo. Pertencer é uma necessidade básica, não um luxo corporativo. É o que sustenta engajamento, dá sentido ao esforço diário e reduz a sensação de estar apenas “cumprindo tabela”.

Nutrir esse ambiente de pertencimento no trabalho tem a ver com clareza de propósito, segurança psicológica, rituais que reforcem identidade coletiva e liderança coerente. Não significa anular a diversidade de opinião, contratar apenas currículos semelhantes ou impor uma uniformização de pensamento.

Por isso, meu convite é abandonar a ideia de que pertencimento não importa ou que ele é só um efeito colateral da convivência forçada. Em vez disso, busque enxergá-lo e, principalmente, tratá-lo como parte da própria estratégia de negócio.

Se marcas celebram seus clientes fortalecendo esse senso de comunidade, por que nós, enquanto lideranças em empresas, não podemos nos inspirar e fazer o mesmo com as pessoas que, todo dia, fazem nosso negócio acontecer?

Acompanhe tudo sobre:Dicas de carreirafuturo-do-trabalho

Mais de Carreira

‘Cultura não é um tema de RH’: a CHRO que se preparou para o conselho antes de ter a cadeira

Israel calculou o preço de deixar mulheres fora do comando e vai usar verba pública para formá-las

Achou que foi mal na conversa? Estudo mostra se o outro gostou de você mais do que você imagina

Steve Jobs defendia que toda ideia coubesse em 4 palavras — e poucos líderes passariam no teste