(Andriy Onufriyenko/Getty Images)
Redatora
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 05h31.
Você provavelmente já leu que 75% dos currículos são descartados automaticamente por robôs antes de chegar a um recrutador humano. O número circula há anos em posts, cursos e serviços de otimização de currículo.
O problema é que ele nunca existiu como pesquisa. Um levantamento da Enhancv, plataforma global de currículos, entrevistou 25 recrutadores nos Estados Unidos que usam mais de dez plataformas diferentes de ATS (sigla para os sistemas que organizam candidaturas) e descobriu que 92% deles não configuram nenhuma regra de rejeição automática baseada em conteúdo, formatação ou design do currículo.
A origem do "75%" foi rastreada até um material de vendas de 2012, de uma empresa chamada Preptel, que vendia serviços de otimização de currículo e tinha todo interesse em fazer o processo soar assustador.
A empresa encerrou as atividades em 2013 sem nunca publicar a metodologia por trás do número. Ainda assim, a estatística seguiu sendo repetida por mais de uma década, inclusive em veículos de peso, sem que ninguém checasse a fonte original.
O que costuma reprovar um candidato antes da leitura humana não é formatação ou palavra-chave ausente, mas as chamadas "perguntas eliminatórias", definidas pela própria empresa contratante e não pelo algoritmo: exigências objetivas como autorização para trabalhar no país, formação mínima ou tempo de experiência.
Fora esses filtros, a função do ATS é organizar e ranquear candidaturas para o recrutador, não apagá-las no escuro.
Isso não quer dizer que qualquer formatação funciona. Currículos em duas colunas, com tabelas ou elementos gráficos, podem ser lidos de forma desorganizada pelo sistema, misturando informações que deveriam estar separadas.
O risco real não é ser descartado por um robô implacável, mas ser mal interpretado por um parser simples ou perder posição no ranking em meio a centenas de outras candidaturas para a mesma vaga.
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Quando questionados sobre a origem do número, 68% dos recrutadores ouvidos pela Enhancv apontaram publicações em redes sociais, como LinkedIn e TikTok, geralmente compartilhadas por candidatos.
Outros 20% citaram coaches de carreira e serviços de currículo como fonte, com interesse direto em vender a solução para o medo que ajudam a espalhar. Entender como o processo seletivo realmente funciona vale mais do que qualquer atalho para "enganar o robô".
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