O setor de IA cresce na China (Weiquan Lin/Getty Images)
Redatora
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 05h00.
A disputa global por liderança em inteligência artificial costuma ser narrada como um embate entre Estados Unidos e China. Mas, além da corrida por modelos mais poderosos, existe uma diferença estrutural menos visível — a forma como os produtos são produzidos.
Entender essas diferenças é estratégico. O modo como um país constrói produtos de IA revela muito sobre seu mercado, seus incentivos e sua ambição global.
Yilin Zhang, ex-gerente de produtos da Meituan — uma das maiores empresas de tecnologia da China — afirma que os produtos chineses de IA seguem uma lógica distinta da ocidental. As informações foram retiradas de Business Insider.
Segundo Zhang, o ambiente de competição doméstica na China é extremamente intenso. Durante anos, as grandes empresas de tecnologia concentraram esforços no mercado interno, o que elevou o nível de eficiência operacional a patamares “quase assustadores”.
Essa pressão moldou a forma como produtos são desenvolvidos: ciclos rápidos, obsessão por execução e forte foco em custo-benefício.
Restrições internacionais, como limitações de acesso a GPUs avançadas, também forçaram empresas chinesas a inovar em eficiência. Zhang cita o caso da DeepSeek, que teria precisado contornar limitações técnicas com soluções mais econômicas.
A principal diferença, segundo o executivo, está no perfil do usuário.
Na China, a disposição a pagar por software é menor. Por isso, muitos produtos de IA voltados ao grande público são gratuitos e priorizam a escala de usuários ativos.
Grande parte das funcionalidades é concentrada em interfaces simples de chat, com barreira de entrada reduzida.
Já no exterior, especialmente nos Estados Unidos, produtos de IA costumam ser voltados para tarefas de alto valor agregado. São mais orientados ao desktop e ao ambiente de trabalho, explorando colaboração entre humanos e IA em fluxos profissionais complexos.
Essa diferença de mercado impacta diretamente o design e a ambição dos produtos.
Zhang deixou a Meituan após mais de três anos para ingressar na startup de IA Kuse. Ele afirma que a velocidade de evolução da IA torna empresas menores mais ágeis.
Segundo ele, muitos profissionais da empresa chinesa compartilham frustração com o ritmo de inovação em grandes corporações.
Nos últimos anos, especialmente após 2025, o número de startups de IA na China cresceu significativamente. Cada vez mais jovens talentos optam pelo empreendedorismo, ampliando o ecossistema fora das gigantes consolidadas.
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