Carreira

‘Estratégia de talento é estratégia de crescimento’ diz CHRO da XP no RH Summit

Como o RH da XP trocou processos por impacto e passou a operar como motor direto do negócio

Alessandro Bonorino, CHRO da XP Inc., no RH Summit 2026

Alessandro Bonorino, CHRO da XP Inc., no RH Summit 2026

Publicado em 5 de maio de 2026 às 17h38.

Última atualização em 5 de maio de 2026 às 17h46.

"O CEO da sua empresa recomendaria o seu RH para outras organizações?". Foi com essa pergunta provocativa que Alessandro Bonorino, CHRO da XP Inc., abriu sua plenária no RH Summit 2026. Com 25 anos de experiência na cadeira de liderança, Bonorino trouxe uma visão pragmática e desprovida de "romantismos" sobre o setor: o RH só é estratégico quando deixa de olhar para si mesmo e passa a olhar, obsessivamente, para o negócio.

Com uma operação que sustenta mais de 12 mil colaboradores e escritórios que vão de São Paulo a Miami, a XP mantém a mentalidade de "dobrar de tamanho sempre". Para Bonorino, essa ambição só é viável se o RH evoluir de um operador de processos para um arquiteto organizacional.

O RH não é o "dono" da estratégia, mas o seu viabilizador

Bonorino foi enfático ao diferenciar planejamento operacional de estratégia real. Para ele, ser estratégico é saber o que fazer e, principalmente, onde focar os recursos escassos.

"A estratégia de RH começa pelo entendimento da estratégia de negócio. Não é sobre o planejamento da operação, é entender o que a empresa declarou que quer ser. Eu não preciso ser um vendedor melhor que o vendedor, mas preciso entender o jogo para usar minha expertise de gente e gerar impacto."

O palestrante alertou sobre o perigo de se perder na "moda do dia". Muitas áreas de Gente acumulam dezenas de iniciativas que não resolvem problemas reais. "A gente não está no negócio do que é legal ou bacana; o que temos que fazer é criar impacto", disparou.

Alessandro Bonorino, CHRO da XP Inc.

Tecnologia como commodity, Humano como diferencial

Em 2026, com a consolidação da Inteligência Artificial, Bonorino trouxe uma reflexão crucial sobre a desvalorização do conhecimento técnico puro — que está se tornando uma commodity — e a hipervalorização das competências humanas.

"Se há 10 anos falávamos de apagão de engenheiros, hoje 40% do código já pode ser feito por IA. O conhecimento técnico virou commodity. O que vai ficar cada vez mais importante são as discussões de inovação e conexão. Não dá para substituir engajamento por tecnologia."

Para o CHRO da XP, a transformação tecnológica deve servir para um propósito claro: resolver o administrativo para focar no estratégico. A eficiência operacional é o que libera o tempo do RH para atuar em temas que investidores e conselhos realmente valorizam: cultura, diversidade e engajamento como fatores de valor sustentável.

Acompanhe tudo sobre:Branded MarketingRH Summit 2026

Mais de Carreira

IA pode aumentar solidão no trabalho, alerta CHRO da Alice no RH Summit

A geração de mães exaustas: o impacto invisível da performance materna na vida e na carreira

O medo silencioso da maternidade: 42% das mães temem prejudicar a carreira ao priorizar os filhos

Uma carta, 3 conselhos: as lições de Luiza Trajano para o filho sobre o primeiro emprego