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A Zucchetti comprou 10 empresas no Brasil. Agora, o desafio é fazer 1.000 pessoas trabalharem juntas

No Clube CHRO EXAME, o CEO Alessio Mainardi contou como a empresa italiana saiu de uma operação pequena no país para uma equipe de 1.000 funcionários e precisou unir culturas diferentes após uma série de aquisições

Clube CHRO de setembro de 2026: gestão de times de tecnologia em discussão (Eduardo Frazão/Exame)

Clube CHRO de setembro de 2026: gestão de times de tecnologia em discussão (Eduardo Frazão/Exame)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 10h03.

Última atualização em 28 de setembro de 2026 às 10h07.

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A Zucchetti, grupo italiano de tecnologia que atua no Brasil há 15 anos, apresentou na quarta-feira, 23 de setembro, sua estratégia para integrar dez aquisições no país. Após dobrar a equipe de 500 para cerca de 1.000 funcionários em um ano, a Zucchetti busca conciliar processos da matriz italiana com as culturas das empresas brasileiras compradas.

O crescimento de empresas de tecnologia por meio de aquisições trouxe um desafio que vai além de integrar sistemas e clientes: juntar pessoas com histórias e formas diferentes de trabalhar. Esse é um dos pontos que passaram a fazer parte da rotina dos times de RH em companhias que crescem rapidamente.

A Zucchetti, grupo italiano de tecnologia que atua no Brasil há 15 anos, passou por esse processo ao construir sua operação local a partir da compra de empresas brasileiras. Hoje, a companhia tem cerca de 1.000 funcionários no país e reuniu negócios de diferentes áreas, como softwares de gestão, varejo, recursos humanos, beleza e saúde.

A história da operação brasileira voltou ao centro da conversa porque Alessio Mainardi, CEO da Zucchetti Brasil, participou da edição de setembro do Clube CHRO, encontro da EXAME com lideranças de recursos humanos, realizado na noite de quarta-feira, 23 de setembro, no Restaurante Baleia, em São Paulo.

A edição de setembro de 2026 do Clube CHRO EXAME em São Paulo teve o patrocínio de Alelo e da Elofy by Zucchetti.

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Durante o evento, o executivo contou como saiu da Itália para montar a operação brasileira e como a empresa lidou com a integração de dez aquisições.

"Eu comecei na Zucchetti como atendente de suporte. Esse ano completei 30 anos dentro da empresa e eu gosto de correr maratona. Minha carreira foi uma maratona. Eu comecei lá no suporte, passei por todas as etapas e agora sou CEO desse grupo", afirmou Mainardi.

O próximo desafio da companhia é continuar crescendo sem perder o controle sobre a forma de trabalhar. Depois de dobrar o número de funcionários no Brasil em cerca de um ano, saindo de 500 para 1.000 colaboradores, a Zucchetti tenta equilibrar os processos trazidos da matriz italiana com as características das empresas brasileiras incorporadas ao grupo.

Alessio Mainardi, CEO da Zucchetti Brasil: "Minha carreira foi uma maratona. Eu comecei lá no suporte, passei por todas as etapas e agora sou CEO desse grupo" (Eduardo Frazão/Exame)

A mudança do plano inicial para crescer no Brasil

Quando chegou ao Brasil, há 15 anos, Alessio Mainardi tinha uma missão diferente da atual. A Zucchetti buscava aproveitar o momento de grandes eventos no país, como Copa do Mundo e Olimpíadas, para vender soluções de controle de acesso.

O plano, porém, não avançou como esperado. A alternativa encontrada foi comprar empresas brasileiras para entender o mercado local e adaptar os produtos desenvolvidos na Itália. A primeira aquisição aconteceu em Mogi Mirim, no interior de São Paulo, com uma empresa de software de gestão.

Segundo Mainardi, comprar uma companhia já estabelecida era uma forma mais rápida de adquirir conhecimento sobre o país.

"Uma coisa é você contratar gente e começar a ter custo cada dia mais ficando no vermelho. Outra coisa é você ter uma empresa que continua dando um lucro, pequeno ou grande que seja, mas sem aquela pressão absurda de sair do vermelho para o azul", afirmou.

De ERP ao varejo: a estratégia de comprar empresas brasileiras

A partir da primeira aquisição, a Zucchetti passou a ampliar sua presença em diferentes mercados. A empresa comprou negócios ligados a ERP, sistema usado para controlar áreas como financeiro, estoque e vendas, e depois buscou segmentos onde poderia competir com mais espaço.

Um dos movimentos mais marcantes aconteceu em Concórdia, cidade de 70.000 habitantes no oeste de Santa Catarina. A companhia comprou três empresas que desenvolviam softwares de ponto de venda para pequenos varejistas.

Na época, as empresas eram concorrentes diretas e tinham disputas locais. A estratégia de Mainardi foi apresentar aos fundadores a ideia de construir uma rede maior no setor.

"Eu falei: a gente vai ser o maior ecossistema de micro e pequeno varejo do Brasil. Você quer fazer parte? Você pode escolher fazer parte dessa história ou não", afirmou.

Com essas aquisições, a Zucchetti chegou a uma base de mais de 110.000 clientes e 4.000 revendas no Brasil, segundo o executivo.

A expansão também levou a empresa para outros setores. A companhia comprou a AppBarber, software voltado para salões de beleza e barbearias, que atende cerca de 14.000 estabelecimentos, e o grupo Omnibees, formado por nove empresas da área de hotelaria.

No total, a operação brasileira realizou cerca de 10 aquisições.

A entrada no RH com a Elofy

Um dos movimentos de diversificação foi a entrada no mercado de tecnologia para recursos humanos com a Elofy, plataforma que reúne ferramentas de avaliação de desempenho, acompanhamento de metas, pesquisas de clima e reuniões entre líderes e funcionários.

Segundo Mainardi, a Zucchetti foi uma das primeiras empresas de tecnologia a investir nesse segmento no Brasil.

"A gente viu que cada vez mais é difícil lidar com pessoas e ter uma ferramenta que te ajude nesse processo, que te ajude a olhar de uma forma objetiva a população que você tem dentro da empresa", afirmou.

A aquisição da Elofy ganhou importância dentro da própria operação brasileira, que passou a lidar com uma equipe maior e formada por pessoas vindas de diferentes empresas.

Para o executivo, ferramentas de gestão ajudam a reduzir decisões baseadas apenas em percepção individual dos líderes.

Como juntar culturas diferentes depois de uma aquisição

Com dez aquisições no país, a Zucchetti precisou lidar com empresas que tinham formas próprias de trabalhar. Para Mainardi, o erro seria tentar impor uma única cultura imediatamente.

"Cultura não é água que você chega e coloca top down. Não significa que quando a gente compra uma empresa nós somos melhores que a empresa que estamos adquirindo", afirmou.

Segundo ele, em uma empresa de software, o principal ativo está no conhecimento das pessoas. Por isso, a integração começa pelo entendimento do negócio comprado.

"A gente compra uma empresa reconhecendo que tem um valor ali que demoraria muito mais tempo para criar sozinho. O nosso principal ativo é o conhecimento na cabeça das pessoas", afirmou.

A área de RH faz um mapeamento cultural depois das aquisições para entender como cada empresa funciona. A partir desse diagnóstico, a companhia define o ritmo das mudanças.

A Zucchetti evita estabelecer um calendário fixo para integrar os times porque, segundo Mainardi, acelerar demais pode prejudicar o valor da empresa adquirida.

O papel de Alessio como ponte entre Brasil e Itália

Além do crescimento por aquisições, Mainardi também precisou lidar com diferenças entre os modelos de trabalho italiano e brasileiro.

Segundo ele, a comunicação é uma das principais diferenças. Os italianos costumam ser mais diretos, enquanto os brasileiros tendem a valorizar mais o relacionamento antes de uma conversa difícil.

"Eu preciso fazer um pouco de mediador cultural entre os dois mundos, mas faz parte do processo de internacionalização", afirmou.

As diferenças também aparecem nas regras trabalhistas. Mainardi contou que a legislação italiana torna desligamentos mais difíceis, enquanto no Brasil as empresas têm regras diferentes para encerrar contratos.

"Você não pode chegar em um país e querer aplicar as regras daquele país em um país diferente. A gente se adequa às regras locais", afirmou.

Para lidar com essas diferenças, a Zucchetti mantém lideranças brasileiras na área de recursos humanos, responsáveis por adaptar a operação às regras do país.

Uma filosofia de 50 anos para uma empresa em crescimento

Mesmo com as mudanças trazidas pelas aquisições, a Zucchetti tenta manter alguns princípios criados pela família fundadora na Itália há quase 50 anos.

Entre eles estão a ideia de que o cliente deve orientar as decisões e que a empresa precisa manter disciplina operacional para enfrentar momentos de dificuldade.

Segundo Mainardi, essa filosofia é apresentada aos poucos aos novos funcionários.

"A gente tem o nosso livrinho da filosofia Zucchetti, que o nosso fundador escreveu. No final são regras de bom senso de um empreendedor que construiu uma empresa do zero", afirmou.

Com a expansão brasileira, o desafio passou a ser manter esses princípios em uma organização formada por diferentes empresas, mercados e histórias profissionais.

Perguntas frequentes

Como a Zucchetti cresceu no Brasil? 

A Zucchetti cresceu no Brasil por meio da compra de empresas locais, estratégia adotada após o plano inicial de vender soluções de controle de acesso não avançar como esperado. A primeira aquisição foi uma empresa de software de gestão de Mogi Mirim, no interior de São Paulo.

Quantas aquisições a Zucchetti realizou no Brasil? 

A operação brasileira da Zucchetti realizou cerca de dez aquisições. Segundo Alessio Mainardi, CEO da Zucchetti Brasil, a companhia alcançou mais de 110.000 clientes e 4.000 revendas no país.

Como a Zucchetti integra culturas diferentes após uma aquisição? 

A Zucchetti evita impor uma cultura única logo após uma aquisição. Segundo Alessio Mainardi, a área de RH faz um mapeamento cultural de cada empresa e define o ritmo das mudanças com base nesse diagnóstico.

Em quais setores a Zucchetti atua no Brasil? 

A Zucchetti atua em áreas como softwares de gestão, varejo, recursos humanos, beleza, saúde e hotelaria. Entre os negócios comprados estão a plataforma para salões e barbearias AppBarber, a empresa de tecnologia para RH Elofy e o grupo hoteleiro Omnibees.

Qual é o papel da Elofy na operação da Zucchetti? 

A Elofy oferece ferramentas de avaliação de desempenho, acompanhamento de metas, pesquisas de clima e reuniões entre líderes e funcionários. Segundo Alessio Mainardi, essas soluções ajudam as empresas a analisar suas equipes de forma mais objetiva.

Quais diferenças existem entre os modelos de trabalho brasileiro e italiano? 

Segundo Alessio Mainardi, os italianos costumam ter uma comunicação mais direta, enquanto os brasileiros valorizam mais o relacionamento antes de conversas difíceis. O executivo também afirma que as regras trabalhistas dos dois países são diferentes e que a Zucchetti mantém lideranças brasileiras de RH para adaptar a operação às normas locais.

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