De onde vem a palavra "poleiro"? Professor de português responde

Você já pensou sobre a origem da palavra que descreve o objeto em que pousam as aves? Veja a explicação do professor de língua portuguesa Diogo Arrais

É quase certo que você já tenha visto a forma "puleiro", com "u", grafada incorretamente.

Em pesquisa, Cláudio Moreno apresenta a história do termo poleiro: "...todas as línguas românicas utilizam um derivado do Latim pullus, "filhote": o Francês tem poule, o Italiano tem pollo, o Espanhol tem pollo. O Português primitivo também teve polho, mais tarde polo (/ô/); no entanto, por razões até hoje obscuras, nosso idioma foi aos poucos abandonando esta palavra e substituindo-a por frângão, forma antiga que evoluiu para o nosso frango, reservando o pouco conhecido polo para designar o filhote do falcão."

As aves, especialmente os galináceos, dormem no poleiro, nas varas atravessadas onde pousam. Da formação "polo + eiro", a grafia deve fazer uso da letra "o" (e não "u").

No mundo do futebol, a palavra "frango" é atribuída a uma falha do goleiro. No Guia dos Curiosos da Língua Portuguesa, o pesquisador Marcelo Duarte expõe:  "a explicação mais aparente, ainda que um pouco imprecisa, é que, ao escapar facilmente das mãos do goleiro, a bola parece estar 'viva', como se reproduzisse o baile que um frango no galinheiro costuma dar em quem tenta pegá-lo."

Além desses pontos históricos, nota-se que o cantar das galinhas e outras aves de canto semelhante é o cacarejar. Gramaticalmente os verbos que designam vozes de animais são os unipessoais. Em tese, só aparecem nas terceiras pessoas do singular ou plural. Alguns dos mais conhecidos: balir (ovelha e cordeiro), cacarejar (galinha), grunhir (porco, javali), latir (cão), miar(gato), mugir (boi, vaca), rugir (leão, tigre).

Quando usados metaforicamente, os unipessoais poderão vir em outras pessoas:

"Naquela celebração, eu miava, tu miavas, nós miávamos - era o dia mais feliz de nossas vidas."                      

"O Congresso, diante de tamanho animalismo, lembrava-me um poleiro. Eu, pobre eleitor, latia insano."

Um grande abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

                              Diogo Arrais

@diogoarrais

Professor de Língua Portuguesa - CPJUR

Autor Gramatical pela Editora Saraiva

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