A base do crescimento: governança, cultura e tecnologia se tornam diferenciais para empresas que buscam perenidade
Redatora
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 15h02.
As empresas fecharam 2025 com o maior número de novas contratações de CFOs com experiência prévia dos últimos sete anos. Segundo o relatório "When the Stakes Rise", da consultoria Russell Reynolds, 43% dos CFOs contratados no ano já haviam ocupado o cargo antes, ante 40% em 2024. Em números absolutos, foram 135 executivos experientes recrutados, alta de 16% na comparação anual.
O movimento acontece em meio ao maior volume de contratações de diretores financeiros já registrado pela consultoria: 316 novos CFOs no mundo em 2025, 10% a mais que no ano anterior e 12% acima da média histórica de 281. No S&P 500, foram 106 contratações, recorde absoluto e alta de 19% ante 2024.
O levantamento também mostra que as contratações superaram as saídas em 54 posições, a maior diferença já registrada desde que a Russell Reynolds começou a acompanhar o índice, em 2019.
Para a consultoria, o dado pode refletir tanto atrasos na divulgação de transições quanto um ambiente mais complexo, com empresas recorrendo a CFOs interinos e transições mais longas para reduzir risco.
Segundo Jim Lawson, colíder global da prática de Diretores Financeiros da Russell Reynolds, no primeiro semestre de 2025 as trocas de CFO foram moldadas por pressão de desempenho e por uma agenda externa mais acelerada. Ele afirma que, diante de temas como tarifas e inteligência artificial, CEOs e conselhos passaram a avaliar se seus CFOs conseguiam apresentar um caminho claro para investidores e para o próprio conselho.
Do lado das saídas, o estudo aponta 262 CFOs que deixaram o cargo em 2025, 2% a mais que em 2024 e 5% acima da média de sete anos. A aposentadoria segue como o principal motivo: respondeu por 60% das saídas globais, ante 55% em 2024 e apenas 31% em 2019.
O tempo médio de permanência no cargo entre quem saiu subiu para 6,1 anos, ante 5,8 anos no ano anterior, embora o FTSE 100 tenha registrado o oposto, com queda para 5 anos, mínima em sete anos.
Para Linda Barham, líder da prática de Diretores Financeiros da Russell Reynolds nas Américas, o CFO "pronto para assumir" hoje é definido por duas capacidades centrais: construir confiança com investidores e conselho, e liderar transformação em cenários de incerteza. Segundo ela, os conselhos também buscam candidatos com histórico de liderança além das finanças, com influência operacional e em toda a empresa.
A presença feminina entre os novos CFOs recuou em 2025. No mundo, mulheres responderam por 21% das novas nomeações, ante 26% em 2024.
O movimento contraria a tendência na Ásia-Pacífico, onde a participação feminina bateu recorde histórico, saltando para 26% das nomeações, ante 21% no ano anterior e acima da média de sete anos, de 19%.
Apenas 16% dos CFOs dizem que suas empresas têm um plano de sucessão proativo, segundo o mesmo levantamento. Em um mercado que já decidiu que experiência pesa mais, é esse descompasso entre preferência e preparo que deve continuar movimentando a cadeira nos próximos anos.