(sakchai vongsasiripat/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 15h26.
Não é só o título do cargo que decide o salário. Segundo o Guia Salarial 2026, da Robert Half, 48% dos gestores de contratação em Finanças e Contabilidade no Brasil estão dispostos a pagar mais para candidatos com certificações ou conhecimentos especializados. No mercado financeiro, a disposição a pagar esse prêmio chega a 40% dos gestores.
O levantamento também identifica quais competências puxam a remuneração para cima. Entre as habilidades que garantem salários acima da média em Finanças e Contabilidade estão aplicações de IA generativa, conhecimento tributário, idiomas e análise financeira e de negócios — esta última aparece também entre as habilidades técnicas mais exigidas para contratação, junto com análise de dados e domínio de agentes autônomos de IA.
Apesar do cenário macroeconômico mais desafiador, 38% das empresas brasileiras planejam ampliar suas equipes de Finanças e Contabilidade em 2026.
A Reforma Tributária é um dos motores dessa expansão: o levantamento aponta que ela intensifica a busca por profissionais capazes de ajustar processos e garantir conformidade fiscal, em um momento em que o inglês já é pré-requisito em muitas operações.
Os cargos em alta na área refletem essa combinação entre técnica e visão de negócio: analista contábil/fiscal, controller e coordenador contábil/fiscal lideram a demanda, principalmente em setores como automotivo, bens de capital e energia.
O Guia Salarial também traz as faixas de remuneração de entrada para os cargos mais estratégicos. Um CFO no Brasil pode ganhar entre R$ 33.750 e R$ 86.950 por mês, a depender do porte da empresa. Um controller, a posição mais bem remunerada fora das cadeiras executivas na área, vai de R$ 18.050 a R$ 39.850.
Para Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half na América do Sul, a tecnologia avança, mas o fator humano se tornou o ativo mais valioso. Segundo ele, profissionais que dominam não apenas automação e otimização de processos, mas que também conseguem orientar decisões estratégicas, negociar e lidar com a pressão, estão em posição de vantagem.
Entre a tecnologia que automatiza o número e a pessoa que sabe o que fazer com ele, é a segunda que segue puxando o salário para cima.