Como transformar fracassos em viradas de carreira (Thinkstock)
Estagiária
Publicado em 15 de junho de 2026 às 06h00.
Última atualização em 15 de junho de 2026 às 11h03.
Os seres humanos são contadores de histórias. Desde as pinturas rupestres até os feeds das redes sociais, a urgência em relatar acontecimentos molda a civilização. No entanto, a narrativa mais importante não está nos livros ou nas telas, mas na mente.
Segundo um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, a forma como organizamos o próprio passado, presente e futuro determina o sucesso profissional e pessoal.
Diante disso, é necessário entender essa dinâmica para analisar como a postura ativa ou passiva impacta o desenvolvimento de lideranças e a tomada de decisões no ambiente corporativo.
A psicologia define a "identidade narrativa" como o mito pessoal que cada um constrói. Consiste no conjunto de memórias do passado, experiências do presente e projeções de futuro sintetizadas em uma história coerente.
Ela serve para dar sentido e propósito à existência. Dentro dessa construção mental, a ciência destaca dois padrões principais de interpretação: as narrativas de agência, nas quais o indivíduo se percebe como o ator principal, capaz de influenciar os acontecimentos e superar adversidades; e as narrativas de contaminação, nas quais um desfecho negativo anula as experiências positivas anteriores, fazendo com que o sujeito apague os aprendizados e foque no fracasso.
Sua história profissional não precisa ser definida pelos momentos difíceis. Desenvolva inteligência emocional e fortaleça seu protagonismoA escolha entre esses dois modelos de interpretação interfere diretamente no cotidiano e na tomada de decisões. Profissionais que operam sob a lógica da agência tendem a demonstrar maior resiliência diante de crises corporativas, transformando demissões ou projetos cancelados em oportunidades de pivô na carreira.
Por outro lado, o padrão de contaminação gera um ciclo de estagnação: o medo crônico de novos erros paralisa a iniciativa individual, limitando a capacidade de inovação e reduzindo a produtividade diária em decorrência do foco excessivo nos pontos vulneráveis.
Mudar a forma como se "edita" a própria trajetória exige prática intencionalidade. Abaixo, estão listadas as principais estratégias para assumir o papel principal na condução da carreira e da vida pessoal:
Em vez de encarar um erro, uma demissão ou um dia ruim como o fim da linha, adote a mentalidade de que o evento é apenas uma reviravolta conceitual — um obstáculo temporário que te prepara para o próximo capítulo.
Sempre que um plano falhar, a pergunta "por que isso sempre acontece comigo?" deve ser substituída pela postura: "O que é possível fazer a partir de agora com o que aconteceu?".
Não permita que um enceramento negativo invalide todo o processo anterior. Se um projeto não atingiu a meta final, a recomendação é listar três aprendizados ou pontos positivos ocorridos durante a execução.
O hábito de registrar os acontecimentos do dia ajuda a organizar a mente. O fechamento do relato diário deve focar em uma atitude que fez a diferença, demonstrando autonomia, por menor que tenha sido a ação.
Embora o controle sobre os fatos externos seja limitado, é possível gerir como serão interpretados. Ao reconhecer sua identidade narrativa, o indivíduo deixa de ser um espectador passivo e assume o controle da própria trajetória.
Nesse processo de assumir uma postura mais ativa diante da própria trajetória, a inteligência emocional funciona como uma competência central. Afinal, reconhecer emoções, lidar com frustrações e agir com clareza em momentos de pressão são habilidades diretamente ligadas à capacidade de transformar experiências difíceis em aprendizado — em vez de permitir que elas contaminem toda a narrativa pessoal.
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