Suzana Shiraishi, diretora de riscos, compliance e controles internos e PLD da TMF Group Brasil - Financial Services
Redatora
Publicado em 20 de julho de 2026 às 18h01.
Suzana Shiraishi passou mais de duas décadas construindo carreira em produtos, comercial e relacionamento com clientes dentro de instituições financeiras como BankBoston, Banco Itaú e Deutsche Bank. Há seis anos, trocou esse caminho consolidado pela liderança de uma área que conhecia apenas como cliente interno: governança, riscos e compliance.
Hoje ela é diretora de riscos, compliance e controles internos e PLD da TMF Group Brasil - Financial Services, à frente da administração e gestão de fundos de private equity e serviços para o mercado de capitais.
A decisão nasceu em um momento pouco convencional: no meio da pandemia, depois de seis meses desempregada. "Precisei ter coragem", diz Shiraishi, que descreve o período como uma chance de olhar para a própria saúde física e mental antes de assumir o novo desafio.
Shiraishi diz que já tinha vivido essa lógica de reinvenção antes. Formada em Relações Internacionais, trabalhou um ano no governo chileno até perceber que a área pública não era o caminho.
Migrou para o setor privado e passou os 22 anos seguintes em produtos, mercado de capitais e client experience, até chegar à liderança de times com essas responsabilidades.
A virada para compliance aconteceu quase por acaso. Ela entrou em um processo seletivo para uma vaga em produtos em uma infraestrutura do mercado financeiro regulada pelo Banco Central. No meio da entrevista, a proposta mudou: a empresa precisava de alguém para liderar a área de GRC.
"Eu sempre fui cliente dessa área, mas nunca fui a responsável", diz Shiraishi e, ainda assim, aceitou.
A contratação aconteceu em pleno lockdown, sem conhecer a equipe, a empresa ou a rotina do novo cargo. Nos quatro anos seguintes, Shiraishi diz ter dedicado as noites para estudar e preencher o que considerava sua maior lacuna: a competência técnica em riscos e compliance, área em que as soft skills já dominadas não bastavam.
Suzana Shiraishi, diretora de riscos, compliance e controles internos e PLD da TMF Group Brasil - Financial Services
Antes de entrar para a segunda turma do ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women, da Saint Paul, Shiraishi diz que tinha resistência à ideia de um curso exclusivo para mulheres. O que mudou sua avaliação foi o desenho do currículo, mais inovador do que outras opções que havia pesquisado, incluindo um LLM que também considerava.
Pesou também um objetivo antigo de voltar a atuar perto de fundos de private equity e, no médio prazo, chegar a conselhos de administração.
O módulo internacional do programa, um dos diferenciais do ABP-W, levou Shiraishi a Berlin, Cape Town e a Israel. Ela também soma à experiência técnica um trabalho de autoconhecimento que já vinha de antes: em terapia desde os 18 anos, além de ter buscado coaching e mentorias, diz ter usado o curso para lidar com a síndrome da impostora e ganhar segurança para se posicionar.
Neste ano, o ABP-W completa dez anos. Para Shiraishi, fazer parte dessa trajetória tem efeito prático no dia a dia profissional: quando identifica outra ex-aluna do programa em uma reunião ou no LinkedIn, diz notar uma recepção diferente, mais acolhedora, antes mesmo de a conversa começar.
Depois de uma carreira construída trocando de área na maturidade profissional, Shiraishi resume o que a levou até a diretoria: coragem para migrar de um terreno confortável, disciplina para estudar o que faltava e a humildade de aprender com quem já sabia o caminho, além, do incondicional apoio do marido e da filha.