Carreira

O que a IA ainda não faz: psicólogo aponta habilidade que a tecnologia não substitui na liderança

O psicólogo Daniel Goleman afirma que a IA pode fornecer respostas, mas grandes líderes ainda precisam desta habilidade humana para ter sucesso

Daniel Goleman, psicólogo internacionalmente reconhecido e autor do best-seller Inteligência Emocional (Ag Enquadrar)

Daniel Goleman, psicólogo internacionalmente reconhecido e autor do best-seller Inteligência Emocional (Ag Enquadrar)

Publicado em 20 de julho de 2026 às 17h53.

A inteligência artificial já resume relatórios, analisa grandes volumes de dados, redige mensagens e sugere soluções em poucos segundos. Para Daniel Goleman, psicólogo que popularizou o conceito de inteligência emocional, esse avanço não reduz a importância das competências humanas. 

Ao contrário disso, à medida que a tecnologia assume tarefas técnicas, saber compreender, orientar e mobilizar pessoas se torna uma proteção profissional.

O ponto central não é competir com a velocidade da máquina. Goleman defende que a inteligência emocional é o que ajuda profissionais e líderes a permanecerem relevantes diante da automação. 

Ela reúne habilidades como autoconsciência, autogestão, empatia e gestão de relacionamentos — competências aplicadas em situações nas quais uma resposta tecnicamente correta não basta. As informações foram retiradas da Inc.

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A IA encontra respostas; o líder constrói confiança

Informação deixou de ser um recurso tão escasso. Com uma ferramenta generativa, qualquer profissional pode reunir dados, organizar argumentos ou preparar uma reunião em poucos minutos.

A liderança, no entanto, nunca dependeu apenas de ter a resposta mais rápida. Ela também exige explicar decisões, ouvir preocupações e criar condições para que outras pessoas executem um trabalho com segurança.

A avaliação de Goleman é que o avanço tecnológico só ocorre quando as pessoas confiam em quem conduz a transformação. Líderes que não compreendem o medo, a insegurança ou a resistência de suas equipes podem perder apoio mesmo quando apresentam um plano tecnicamente consistente.

Dar um feedback difícil exige mais do que dados

A IA pode comparar indicadores, identificar uma queda de desempenho e sugerir um roteiro para uma conversa. Ainda assim, não substitui a sensibilidade necessária para apresentar uma crítica sem desmobilizar o profissional.

Um bom feedback considera o momento, o histórico da pessoa e o impacto das palavras utilizadas. Também abre espaço para perguntas e evita transformar uma dificuldade específica em um julgamento sobre toda a capacidade do funcionário.

É nessa etapa que entram a empatia e a autorregulação. O líder precisa controlar a própria impaciência e compreender como a mensagem será recebida antes de decidir como transmiti-la..

Conflitos não são resolvidos apenas pela lógica

Em uma divergência, a IA pode organizar fatos e sugerir alternativas. Relações profissionais, porém, não são reparadas apenas com uma lista de argumentos.

Conflitos envolvem interpretações, frustrações e expectativas que precisam ser ouvidas. A solução depende da capacidade de reduzir a tensão, separar o problema das pessoas e reconstruir a confiança.

Segundo o modelo de Goleman, a gestão de relacionamentos inclui comunicação, influência, colaboração e administração de conflitos. Essas competências permitem que o profissional atravesse uma discordância sem ignorá-la nem transformá-la em confronto permanente.

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Desenvolver pessoas continua sendo uma tarefa humana

A IA consegue identificar lacunas de conhecimento, recomendar cursos e organizar um plano de desenvolvimento. O que ela não oferece da mesma maneira é a confiança que nasce quando alguém reconhece potencial em outra pessoa.

Um líder emocionalmente inteligente não se limita a apontar o que falta. Ele ajuda o profissional a enxergar como pode avançar, conecta desafios a oportunidades de crescimento e acompanha o processo.

A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de análise e execução. O diferencial de carreira, segundo Goleman, estará em combinar esse recurso com aquilo que continua essencialmente humano: perceber emoções, gerar confiança e ajudar outras pessoas a realizar um trabalho melhor.

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