Redatora
Publicado em 29 de julho de 2026 às 16h00.
Última atualização em 29 de julho de 2026 às 16h11.
Uma aluna do Colégio São Paulo, na unidade Itaigara, em Salvador, conquistou o primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 2026.
A conquista de Anna Laura de Oliveira Baptista ganha outra dimensão diante da concorrência do curso: a Fuvest registrou cerca de 90,7 candidatos por vaga para Medicina no vestibular de 2026, o índice mais alto entre todos os cursos da universidade.
Anna Laura chegou ao colégio ainda pequena, no Grupo 2 da educação infantil, na unidade Tempo de Criança, e não saiu mais até concluir o ensino médio.
O Colégio São Paulo completa 49 anos em 2026. Fundado em 27 de setembro de 1977, passou por duas trocas de controle acionário, em 2010 e em 2022, quando foi vendido à rede Inspira.
Quem acompanhou as três fases é Maria do Socorro Mota da Silva dos Santos, pedagoga com especialização em orientação educacional e à frente da unidade Itaigara há 16 anos. "Assumo a função de gestora, mas, na verdade, a gente nunca deixa de ser o que é. Eu sou realmente uma orientadora apaixonada por educação", diz.
Maria do Socorro Mota da Silva dos Santos, pedagoga com especialização em orientação educacional e à frente da unidade Itaigara há 16 anos (Divulgação)
A escola não trata a educação infantil como uma etapa preparatória menor. O eixo pedagógico dessa fase é o brincar, a curiosidade e a interação social, com o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional trabalhado em conjunto, não em disciplinas isoladas. Professores especialistas em música, educação tecnológica, inglês (quatro vezes por semana) e educação física atuam junto com o professor regente da turma, e compartilham observações sobre cada criança com o restante da equipe pedagógica.
"Gentileza e firmeza caminham juntas, contribuindo para a formação de crianças emocionalmente seguras, autônomas e confiantes", diz a diretora da escola.
A aposta tem respaldo em pesquisa. Um levantamento publicado pela SciELO Brasil mostra que crianças que passam mais tempo na pré-escola, por exemplo dois anos em vez de um, apresentam ganhos maiores de desenvolvimento, com efeitos que se estendem por toda a trajetória escolar. É esse o argumento que a escola usa para justificar acompanhar o aluno desde os primeiros anos até o ensino médio, como fez com Anna Laura.
"Nós somos uma escola Cambridge já há alguns anos", explica Maria do Socorro. Em 2025, a escola concluiu o credenciamento pelo currículo do International Baccalaureate (IB), após cerca de um ano de preparação. Trata-se de um selo raro no país: o Brasil tem 89 escolas credenciadas como IB World Schools, a maioria concentrada nas capitais do Sudeste.
"Entendemos que a gente precisa avançar, toda escola precisa avançar, e um currículo IB abre portas não só internacionalmente, mas no próprio Brasil", explica a gestora.
Além de português e inglês, os alunos do IB cursam alemão como terceira língua, e participaram de encontros virtuais com estudantes de outros países para discutir temas como a adolescência no Brasil.
Do 1º ao 5º ano, o colégio mantém projetos como a FLISP (Feira Literária São-Paulina), que reúne escritores e arrecada livros para instituições sociais, e o Tabuleiro, atividade cultural entre turmas. Há ainda o MASP (Movimento Artístico São-Paulino), mostra de arte que expõe trabalhos individuais e coletivos nos corredores da escola, e um projeto de educação financeira que introduz conceitos de consumo consciente e planejamento. A participação em olimpíadas do conhecimento e olimpíadas esportivas completa o calendário, com o argumento pedagógico de que a competição saudável ensina tanto quanto o conteúdo.
Para sustentar essa estrutura, a escola mantém uma consultoria pedagógica mensal com o psicólogo Rossandro Klinjey, voltada a estratégias de ensino e acolhimento emocional dos professores.
Na leitura da direção, é esse investimento contínuo na formação docente, e não um fator isolado, que explica trajetórias como a de Anna Laura, que atravessou toda a educação básica na mesma escola antes de conquistar a vaga mais disputada da USP.
"Não temos ex-alunos, e sim eternos alunos", diz a escola, que adota a frase como lema. Alunos como Anna Laura, na leitura da direção, não se formam e vão embora: seguem fazendo parte da história do colégio.