Com juros altos, investir no CDI é uma boa opção

O economista Ricardo Rochman analisa o cenário de 2015 para quem tem dinheiro para aplicar

O economista Ricardo Rochman, da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (EESP-FGV), compara a rentabilidade de diversas opções de investimento desde junho de 1994.

Nesse período, segundo sua análise, os Certificados de Depósito Interbancário (CDI) permaneceram com crescimento contínuo e significativo — devido à política econômica praticada no Brasil, que usou a estratégia de manter os juros em níveis altos para controlar a inflação.

Com isso, quem optou por um fundo DI há 20 anos não perdeu dinheiro, mesmo que não tenha gasto energia procurando opções mais rentáveis. Em 2015, com a atual perspectiva de elevação da taxa de juro, o CDI seguirá como porto seguro para investidores pouco familiarizados com o mercado financeiro. Nesta entrevista, Rochman analisa as opções de investimento para 2015. 

VOCÊ S/A – Qual é a explicação para o CDI ter rentabilidade crescente nos últimos 20 anos?

Richard – A necessidade de manter as taxas de juro em altos patamares para conter a inflação e cobrir as contas do governo, que continuamente vem gastando mais do que arrecada, assim como as crises do período (1995, 1997/98, 2001/02, 2008), tornou o CDI ótima alternativa de investimento pelo baixíssimo risco que tem. 

VOCÊ S/A – O CDI continuará sendo a melhor opção para aquele investidor que não quer dispor de muitas horas para se informar sobre alternativas de rentabilizar o dinheiro?

Richard – Sim, pois 2015 será um ano de grandes mudanças na condução da economia brasileira. A inflação ainda não está sob controle, e o déficit do governo está acima de todas as metas. Assim, não haverá outro caminho senão subir os juros, e durante boa parte de 2015 eles permanecerão em patamar elevado, até que as medidas da nova equipe econômica comecem a ter efeito.

VOCÊ S/A – Há oportunidade para o investidor que quer aplicar na bolsa? 

Richard – Sim, os anúncios das primeiras medidas da nova equipe econômica, mais comprometida com o equilíbrio fiscal e com um melhor entendimento da dinâmica do mercado financeiro, podem trazer de volta os investidores estrangeiros e assim impulsionar a bolsa.

VOCÊ S/A – O senhor diz que um bom parâmetro para o investidor não profissional saber quando aplicar na bolsa e quando vender suas ações é acompanhar as entradas e saídas de investimento estrangeiro. Qual seria a lógica?

Richard – Entre os investidores estrangeiros estão grandes fundos de pensão, fundos de investimento e grandes investidores individuais, que movimentam enormes volumes de recursos e, ao incrementar as compras das ações, levam à valorização dos preços, pela tradicional ideia da oferta versus demanda.

VOCÊ S/A – Quais são as orientações para o investidor que optar por títulos públicos federais, medidos pelo Índice de Mercado Anbima (IMA-G)?

Richard – A recomendação é investir em títulos públicos via Tesouro Direto, formando uma carteira similar à distribuição da dívida pública do governo. Também há possibilidade de investir em fundos de investimento de renda fixa que tenham como objetivo acompanhar o rendimento do IMA-G.

VOCÊ S/A – O senhor mostra que investir em empresas de boa governança é uma boa opção. O que em sua avaliação explicaria isso?

Richard – Sim, ações de empresas com boas práticas de governança são uma boa opção. Empresas assim se preocupam com os direitos e os interesses dos acionistas, tanto dos majoritários como dos minoritários, atraindo grandes investidores de longo prazo, como os fundos de pensão.

VOCÊ S/A – Considerando as alternativas de investimento, há outras indicações?

Richard – Novos produtos, como os Exchange Traded Funds (ETFs), serão lançados nos próximos meses, por isso o investidor deve ficar atento às novidades, mas sempre com cautela, pois 2015 tende a ser um ano bastante complexo. 

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