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CEO da Uber Brasil: ‘De vez em quando eu faço Uber’

Silvia Penna fala sobre planos de crescimento, inclusão feminina e a estratégia bilionária para acelerar a empresa no país

Silvia Penna, CEO da Uber no Brasil: “Nosso compromisso com o Brasil é inabalável. É um mercado grande, complexo e cheio de oportunidades” (Leandro Fonseca /Exame)

Silvia Penna, CEO da Uber no Brasil: “Nosso compromisso com o Brasil é inabalável. É um mercado grande, complexo e cheio de oportunidades” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 16h36.

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“De vez em quando eu faço Uber.” A frase, dita com naturalidade por Silvia Penna, CEO da Uber no Brasil desde 2021, resume uma filosofia que ela considera essencial para liderar uma empresa de tecnologia baseada em serviços: testar o produto na prática. Foi assim que ela experimentou o U-Elas, funcionalidade que permite a motoristas mulheres aceitarem apenas passageiras.

“Conhecer o serviço de perto ajuda a entender melhor as necessidades de quem usa e de quem dirige. Precisamos viver o produto para evoluir”, afirma a executiva.

Essa lógica prática tem guiado a estratégia da Uber no Brasil, um dos cinco maiores mercados globais da companhia, num momento de forte concorrência, avanço regulatório e diversificação dos serviços de mobilidade e logística.

Aposta bilionária em tecnologia

No centro dessa estratégia está o investimento de R$ 1 bilhão em tecnologia no país ao longo de cinco anos. O Brasil abriga desde 2019 o primeiro centro tecnológico da Uber na América Latina, responsável pelo desenvolvimento de soluções que muitas vezes são exportadas para outros mercados.

Foi o caso do Uber Flash, criado durante a pandemia para transporte de objetos e documentos, quando a demanda por viagens despencou cerca de 80%.

“Tudo o que desenvolvemos aqui tem potencial global. O Brasil virou um polo de inovação relevante dentro da Uber”, diz Penna.

A segurança também entrou nesse radar tecnológico. Ferramentas como o RapidSOS, que integra o aplicativo a centrais de emergência, reforçam a camada de proteção para motoristas e passageiros.

“Nosso objetivo é usar tecnologia para aumentar a confiança na plataforma.”

Mais mulheres ao volante

A inclusão feminina é outro eixo estratégico. Desde 2019, a Uber aposta em recursos para reduzir barreiras à entrada de mulheres como motoristas, como o próprio U-Elas e o programa Elas na Direção, que oferece suporte psicológico e parcerias com organizações sociais.

“Quase dobramos o número de motoristas mulheres ano após ano, mas ainda há espaço para crescer”, afirma a CEO. “Queremos que cada vez mais passageiras tenham a opção de escolher motoristas mulheres.”

Para isso, uma das soluções é a possibilidade de passageiras solicitarem viagens com motoristas mulheres.

“Sabemos que segurança é um trabalho que nunca termina, mas temos um compromisso com as mulheres e vamos continuar investindo em ferramentas de segurança e em conteúdos educativos para parceiros e usuários homens”, afirma a CEO.

A nova funcionalidade começou a ser testada em cidades como Piracicaba, Uberlândia, Curitiba, Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Campo Grande no último ano, com versões diferentes do modelo para atender necessidades variadas de conforto e segurança das passageiras.

Trajetória acelerada até a liderança

Engenheira formada pela UFMG, Silvia Penna entrou na Uber em 2016 como gerente de operações. Tornou-se CEO interina e, aos 33 anos, assumiu oficialmente a liderança da operação brasileira, pouco antes de engravidar.

“Confesso que senti medo. Venho de um setor ainda muito masculino. Quando contei da gravidez, meu chefe achou que eu estava pedindo demissão”, conta.

Hoje, ela diz que a experiência reforçou sua visão sobre liderança e diversidade.

O Brasil como mercado estratégico

Apesar dos desafios (pandemia, regulação, concorrência e decisões judiciais como a suspensão do Uber Moto em São Paulo), Penna vê o Brasil como peça central na estratégia global da empresa.

“Nosso compromisso com o Brasil é inabalável. É um mercado grande, complexo e cheio de oportunidades. Queremos continuar expandindo serviços e fortalecendo nossa plataforma.”

A eletrificação da frota também entrou na agenda. O Uber Green, com carros híbridos e elétricos, já opera em São Paulo e Rio de Janeiro. Globalmente, a empresa anunciou US$ 800 milhões para ajudar motoristas na transição energética.

*A entrevista exclusiva aconteceu no dia 30 de junho de 2025

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