Dizer não pode parecer simples, mas costuma virar uma armadilha em negociações. Ao tentar ser educada demais, a pessoa explica seus motivos em excesso — e entrega ao outro lado argumentos para insistir.
Para John Richardson, professor de negociação na MIT Sloan School of Management e ex-integrante da Harvard Law School e do Harvard Negotiation Project, o “não” é uma habilidade subestimada.
Em artigo publicado pela CNBC, Richardson e Attia Qureshi, professora adjunta da Universidade de Michigan, defendem que a recusa ideal deve ser clara, educada e difícil de rebater.
A resposta preferida dos autores é: “Sou muito grato, mas este não é o momento certo para uma mudança.”
Esse tipo de frase evita julgamento sobre a proposta e reduz a chance de o outro lado tentar resolver o “problema” com uma nova oferta.
Indicar outra pessoa pode ajudar
Outra estratégia é sugerir uma alternativa quando isso fizer sentido.
Os autores citam o exemplo de uma palestrante que trabalha com uma agência e cobra uma taxa fixa. Quando clientes tentam negociar o preço, ela explica que todos pagam o mesmo valor para manter o tratamento justo.
Em seguida, indica colegas que fazem um bom trabalho e têm valores mais acessíveis.
Se a outra pessoa pedir mais explicações, os autores recomendam manter a resposta curta.
Uma opção é repetir que o momento não é adequado. Se houver nova pressão, a recusa pode ficar mais direta.
“Receio que você terá de aceitar minha decisão como final”, sugerem os autores.
O tom também importa. Segundo Richardson e Qureshi, olhar nos olhos e encerrar a frase com entonação descendente ajuda a indicar que a decisão está tomada.
Quando dar feedback
Os autores reconhecem que algumas pessoas pedem uma explicação porque realmente querem aprender com a recusa.
Nesses casos, dar feedback é opcional. Ainda assim, a recomendação é evitar detalhes que possam reabrir a negociação.