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Sem plano para 3ª dose, Brasil tende a seguir atrasado no combate à covid

Israel dá sinais de eficiência da 3ª dose da vacinação; no Brasil, o ministro defende que isso aconteça somente depois das duas doses em toda população

Por Marcelo Tokarski*

O Brasil atingiu neste fim de semana quase 60% de população com imunização parcial ou total contra a covid-19. Pelos dados oficiais, temos 58% dos brasileiros que tomaram pelo menos uma dose de alguma vacina, incluídos aí os 26% que já receberam duas doses ou dose única e já estão imunizados. Mas, apesar dos recentes avanços na vacinação, o país parece continuar atrasado na corrida contra a pandemia.

Isso porque o mundo já discute abertamente a adoção da terceira dose dos imunizantes, a fim de reforçar a resistência de quem se vacinou há cinco meses, principalmente idosos, o público de maior risco quando infectado pelo coronavírus. Neste fim de semana, foi publicado em Israel um primeiro estudo indicando a eficácia de se adotar mais uma etapa na campanha de imunização.

De acordo com os dados, pessoas com 60 anos ou mais que receberam a terceira dose (no caso de Israel, do imunizante da Pfizer) passaram a ter uma imunidade contra o contágio quatro vezes maior do que a gerada após a segunda dose. A proteção também é até seis vezes superior em relação a doenças graves e necessidade de internação. Ainda são estudos iniciais, mas indicativos da eficácia da dose extra.

No Brasil, o debate sobre a estratégia da terceira dose ganha cada vez mais corpo. Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu que um eventual reforço não seja feito antes que toda a população adulta tenha recebido as duas primeiras doses, o que no Brasil ainda está longe de acontecer. Mas é cada vez maior o coro dos infectologistas que defendem a adoção da terceira dose já, pelo menos para idosos.

Casos e óbitos

Mesmo com apenas um quarto dos brasileiros imunizados com duas doses ou dose única, o avanço da vacinação reduziu sensivelmente o número de mortes por covid-19 no Brasil. Neste fim de semana, a média móvel atingiu 781 mortes/dia, o menor patamar desde 5 de janeiro. Nos últimos 30 dias, a média diária de óbitos caiu 32%.

Já a curva de contágio dá alguns sinais contraditórios. Até a semana passada, quando a média diária chegou a 28.338 novos casos, a queda vinha sendo significativa. Somente entre 14 de julho e 14 de agosto, houve uma redução de 34%. No entanto, na última semana o número de casos parou de cair e voltou a crescer levemente, tendo atingido 29.542 no último domingo.

A alta ainda é discreta, mas o fato de estarmos há uma semana em um patamar estável mostra que o contágio pode voltar a crescer, fruto da variante delta e também do relaxamento das medidas de distanciamento social.

O que mais tem preocupado os infectologistas é um novo crescimento no volume de casos e internações de pessoas com 60 anos ou mais, justamente um dos primeiros públicos a terem recebido a vacina. Isso pode ser um indicativo de perda de proteção ao longo do tempo, o que leva justamente à discussão sobre a necessidade da terceira dose. Os primeiros dados mostram que esse caminho parece inevitável. Resta saber se, dessa vez, tomaremos a decisão no timing correto.

*Marcelo Tokarski é sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa e da FSB Inteligência

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a EXAME. O texto não reflete necessariamente a opinião da EXAME.

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