Infraestrutura moderna e serviços funerários humanizados marcam a nova era do setor no país. (memorialguarulhos.com/Reprodução)
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Publicado em 28 de abril de 2026 às 15h00.
Por Lucas Provenza*
Há 10 anos, o Brasil passava por um importante marco regulatório que trouxe ganhos exponenciais para o setor funerário e para os clientes de planos funerários no país.
Em 2016 o segmento deixou de operar em um cenário de informalidade para se tornar um mercado regular, em expansão e cada vez mais relevante do ponto de vista econômico e social.
A Lei nº 13.261/2016 estabeleceu regras claras para a comercialização e operação das empresas desse nicho, um segmento que até então operava sem regulamentação específica.
Partimos do cenário de um segmento altamente pulverizado, composto majoritariamente por empresas familiares, poucas delas com aspirações de ampliar sua atuação no mercado para além do nicho regional.
E hoje temos um cenário de profissionalização, governança, segurança jurídica e mais proteção ao consumidor. Com essa virada de chave, um dos ganhos na ponta final foi poder oferecer mais conforto e dignidade nos rituais de despedida das famílias de baixa renda.
Estas famílias têm nos planos funerários um importante apoio para o planejamento financeiro familiar. Ou seja, saímos de um mercado informal e fragmentado para uma atividade estruturada e confiável no Brasil.
E essa confiança veio acompanhada de um grande avanço e consolidação do setor em diversos aspectos, que foram além dos planos funerários.
Essa evolução proporcionou a modernização da infraestrutura funerária e dos processos de aquisição dos planos e serviços funerários, tecnologia, além do crescimento da base de clientes.
Pessoas que foram impactadas pelo movimento positivo do mercado e se sentiram mais seguras para investir nesse tipo de produto. Nos últimos 10 anos, o brasileiro passou a contar com espaços mais qualificados de atendimento às famílias em todos os momentos do luto.
O atendimento agora conta com profissionais mais capacitados, humanizados, maior integração entre serviços funerários, cemiteriais e memoriais (velórios) e benefícios que agregam valor em vida.
Nos bastidores, a regulamentação trouxe avanços significativos também para o mercado de trabalho. Com melhor entendimento do assunto de forma geral e a profissionalização das empresas, vemos profissionais estruturando suas carreiras nesse segmento ou mesmo migrando sua atuação para esta área.
Há inúmeros exemplos de pessoas que nunca imaginaram atuar no ramo funerário e se encontraram profissionalmente, sentindo-se mais valorizados, melhorando a remuneração e ganhando novas perspectivas de construção de carreira.
Um aspecto que é positivo para todos, pois também fortalece as empresas do setor na busca por talentos de forma mais competitiva.
O Grupo Zelo nasceu justamente no início dessa reestruturação do setor, integrando o rol de companhias que passaram a liderar esse movimento no país.
Completando em 2026 oito anos de mercado, participamos diretamente dessa evolução, trazendo um conceito moderno, confortável e acolhedor para as despedidas.
E nesse período, percebemos claramente o crescimento no interesse dos brasileiros pelos planos funerários. Entre 2023 e 2024 houve um crescimento de 15% na contratação de planos funerários e 5% nas vendas de jazigos.
Enquanto a média de serviços funerários realizados por ano se mantém a mesma nos últimos anos. Uma proposta de serviço que nasceu para atender, principalmente, pessoas de baixa renda, hoje tem uma ampla aceitação nos grandes centros urbanos e entre as classes mais altas.
Mesmo com todos os avanços, as dimensões, a grande diversidade cultural e socioeconômica do Brasil ainda traz desafios no âmbito da informalidade.
E aqui não falo somente de regiões remotas, mas este é um cenário que encontramos hoje até mesmo na capital paulista, por exemplo, e que esbarra na desigualdade de acesso aos serviços.
Mas, acredito que este desenvolvimento, que cada vez mais rompe com a realidade da última década, é um caminho sem volta e que, em um futuro próximo, ainda teremos importantes desdobramentos e avanços, principalmente, no aspecto legal.
Há diversas iniciativas que são discutidas e esperadas pelo setor funerário, para tornar a atividade ainda mais segura e vantajosa para empresários, investidores e clientes.
Estamos falando de um serviço essencial, em um setor envolto por tabus e ainda muito pautado por métodos tradicionais, mas que todos nós um dia iremos utilizar.
Quanto mais qualidade, desburocratização e dignidade pudermos oferecer às famílias, mais ganha a sociedade. E aqui não me refiro só aos aspectos financeiros, mas também no aspecto mental.
Lidar com a despedida definitiva de um ente querido é uma das situações mais tristes da vida, algo que marca profundamente o ser humano.
E se esse luto puder ser amenizado de alguma forma pela boa prestação de serviços, pela tranquilidade de pagar um plano e não ter nenhum gasto extra no momento que precisar, de ter acesso a espaços confortáveis e modernos para receber familiares e amigos para o último adeus, aí sim, o setor funerário estará cumprindo o seu melhor papel.
Que venham novos pontos de virada antes dos próximos 10 anos, para seguirmos evoluindo em nosso propósito como segmento.
*Lucas Provenza é CEO do Grupo Zelo.