Benefícios corporativos focados em flexibilidade e saúde mental ganham força no mercado (Mary Long/Getty Images)
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Publicado em 25 de junho de 2026 às 15h00.
Por Elisa Mendoza*
Indo direto ao ponto: acredito que o debate sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixou de ser um diferencial competitivo para as empresas e passou a fazer parte do centro das estratégias de gestão de pessoas. É uma necessidade para as organizações que desejam se manter competitivas, sustentáveis e atrativas.
O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal tem impacto direto na satisfação e na produtividade. Indo além, ao almejar esse equilíbrio, a empresa ganha com atração e fidelização de talentos. Se eu não ofereço benefícios competitivos, corro o risco de não atrair os melhores profissionais.
A pesquisa global Work-Life Balance Statistics and Facts de 2025 aponta que colaboradores com bom equilíbrio são até 21% mais produtivos e reportam níveis significativamente mais altos de satisfação no trabalho. Ao mesmo tempo, o tema ganhou protagonismo nas decisões de carreira: 28% dos profissionais consideram o equilíbrio o fator mais importante em um emprego, superando até mesmo a remuneração.
Nesse contexto, os benefícios corporativos assumem um papel estratégico. Eles deixaram de ser apenas um complemento à remuneração para se tornar uma ferramenta concreta de apoio à vida das pessoas. É importante termos em mente que há diferentes necessidades individuais, pois as pessoas são únicas e diversas.
Na MSD, por exemplo, temos hoje 4 diferentes gerações que se encontram no ambiente de trabalho, seja ele virtual ou presencial. São pessoas com aspirações, necessidades e vontades diferentes. Não há como definir benefícios para os colaboradores, sem antes levar em conta todas essas diferenças geracionais, por exemplo.
No Brasil, dados recentes mostram que empresas estão ampliando seus investimentos nesse campo: 84% já adotam iniciativas de bem-estar e 63% oferecem horários flexíveis, enquanto o trabalho híbrido já é realidade para 72% das organizações. Estas práticas são fundamentais para dar autonomia aos colaboradores e permitir que conciliem suas diferentes prioridades.
O bem-estar não apenas físico, mas também psíquico e emocional deve ser levado em conta para que o ambiente de trabalho seja adequado, seguro e estimulante. A recente diretriz do Ministério do Trabalho e Emprego em relação às novas regras sobre saúde mental no trabalho, definidas pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), vai ao encontro desse movimento, uma vez que foca em normas para que as empresas identifiquem e mitiguem fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.
Mas é importante fazer um alerta: benefícios, por si só, não resolvem a equação. Eles precisam estar inseridos em um contexto mais amplo de cultura organizacional. Trabalhar em um ambiente em que se sente pertencimento, respeito e propósito faz a diferença na percepção de qualidade de vida. Não por acaso, pesquisas mostram que fatores como orgulho da empresa, relações saudáveis e sensação de realização estão entre os principais impulsionadores de felicidade no trabalho.
Na MSD Brasil, buscamos dar mais autonomia aos funcionários em suas escolhas de benefícios, com um pacote diverso, e reforçamos essa visão com base em dados e escuta ativa. Em um contexto em que a saúde mental deixou de ser um tabu, promovemos ativamente nossa plataforma interna de bem-estar integral, que inclui um componente sólido de apoio em situações de crise.
De forma progressiva, os colaboradores têm desenvolvido maior confiança em sua utilização, tornando-a um recurso cada vez mais valorizado e acessível.
Em nossa pesquisa interna anual, observamos consistentemente um alto score de felicidade entre os colaboradores — um reflexo não apenas dos benefícios oferecidos, mas também da cultura que construímos ao longo do tempo. Isso nos mostra que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é resultado de um ecossistema, e não de uma ação isolada ou apenas do pacote de remuneração.
Ao mesmo tempo, entendemos que necessidades mudam. Por isso, em anos intercalados, revisamos de forma estruturada o nosso portfólio de benefícios para avaliar o que continua fazendo sentido e o que precisa evoluir. Esse olhar contínuo é essencial em um cenário em que expectativas são cada vez mais diversas e individualizadas. Dados da consultoria de RH Robert Half mostram que, hoje, 84% dos profissionais gostariam de ter mais autonomia para escolher seus próprios benefícios, o que reforça a importância da personalização.
Também é preciso reconhecer que não existe solução universal. Dificilmente vamos conseguir atender plenamente 100% dos colaboradores, porque cada indivíduo tem suas próprias necessidades, fases de vida e prioridades. O papel do RH, nesse sentido, é buscar equilibrar essa complexidade com responsabilidade, estratégia e empatia, sempre com alinhamento à cultura e ao discurso da empresa.
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é um conceito estático. Ele evolui com a sociedade, com as demandas do mercado e, principalmente, com as necessidades humanas. É preciso estarmos atentos.
*Elisa Mendoza é diretora de Recursos Humanos da MSD Brasil