Ativos sob risco de desastres climáticos (Al More/Shutterstock)
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Publicado em 20 de julho de 2026 às 07h00.
35% dos ativos físicos de grandes portfólios empresariais brasileiros já apresentam exposição elevada a eventos climáticos extremos. O dado é de um levantamento inédito da C-More, plataforma global de inteligência ESG, dados e gestão de riscos, realizado a partir de uma base proprietária que reúne mais de 10 mil empresas.
O resultado evidencia como eventos como enchentes, secas, ondas de calor e tempestades severas deixaram de representar apenas desafios ambientais para serem, também, uma questão econômica, fiscal e estratégica.
A análise foi conduzida com base em indicadores de exposição física e vulnerabilidades operacionais monitorados pela plataforma. O cenário reforça uma tendência observada em diferentes regiões do país: eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos estão gerando impactos que extrapolam a esfera ambiental e atingem diretamente a atividade econômica.
"Quando um ativo é impactado por uma enchente, uma seca prolongada ou uma onda de calor, estamos falando de interrupção operacional, aumento de custos, pressão sobre cadeias de suprimentos, impactos sobre investimentos e até riscos fiscais para governos. O risco climático já é um tema econômico e estratégico", afirma André Veneziani, VP LATAM e BR da C-More.
As enchentes registradas no Sul do país, as secas recorrentes no Nordeste e os períodos de calor extremo observados em diferentes estados brasileiros evidenciam como fenômenos climáticos podem gerar consequências diretas para empresas, governos e a população.
A possível retomada do El Niño nos próximos meses reforça a necessidade de ampliar a capacidade de monitoramento e preparação diante desses riscos.
Para Veneziani, o principal desafio não está na falta de informação, mas na capacidade de transformar dados em decisões.
"O Brasil possui conhecimento técnico, dados climáticos e previsibilidade suficientes para antecipar grande parte desses eventos. A questão é que ainda existe uma cultura predominantemente reativa. Muitas organizações só passam a olhar para o risco depois que o impacto já aconteceu."
Para a C-More, a discussão sobre risco climático precisa evoluir da conscientização para a gestão. Por meio de inteligência artificial e monitoramento contínuo, a empresa ajuda organizações a identificar quais ativos, operações e fornecedores estão mais expostos a eventos extremos, permitindo que riscos ambientais sejam traduzidos em indicadores de impacto econômico, operacional e estratégico.
"O que as empresas precisam hoje não é apenas saber que existe um risco climático, mas entender como esse risco afeta seus ativos, seus investimentos e sua capacidade de operar. A partir dessa visibilidade, é possível priorizar ações, reduzir vulnerabilidades e tomar decisões mais assertivas", conclui Veneziani.