Para a geração Millennial, empresas que muito notificam e pouco ajudam se tornam invasivas, não inovadoras (MementoJpeg/Getty Images)
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Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 07h00.
Se o público-alvo da marca é composto por Millennials, a geração nascida entre 1981 e 1996, vale entender o que eles realmente querem: “alegria estratégica”, conceito que, segundo pesquisadores, redefine os hábitos de consumo desta geração.
O que é essa alegria estratégica? Para entender, vale a compreensão de que a grande maioria dos Millennials sente-se frustrado com as metas tradicionais. Casa, carro, emprego estável e família depois dos 25 deixaram de ser objetivos verdadeiramente acessíveis.
O conceito da alegria estratégica se baseia na tomada de decisões conscientes voltadas à preservação da energia mental e à recuperação de autonomia sobre o cotidiano.
É uma resposta direta às intempéries presentes nas trajetórias de vida dos Millennials. Segundo estudo da WGSN, falando em termos mais específicos, é uma reação à “pobreza de tempo”.
Este fenômeno, por sua vez, combina sobrecarga de estímulos, hiperconectividade e a sensação permanente de urgência. O conjunto de fenômeno e reação, segundo os pesquisadores da WGSN, forma movimento capaz de mudar completamente segmentos como varejo, tecnologia e serviços.
Com cerca de 1,7 bilhão de pessoas globalmente, os Millennials não estão apenas ajustando hábitos individuais, mas redesenhando padrões de consumo com impacto direto nos mercados.
Em 2026, a pergunta central deixou de ser como fazer mais em menos tempo e passou a ser o que, de fato, merece ocupar a atenção.
Esse reposicionamento aparece de forma clara na relação com a conveniência. Se no passado a automação irrestrita era vista como sinônimo de progresso, hoje ela se tornou seletiva.
A geração aceita e até exige máxima eficiência apenas em tarefas consideradas burocráticas (entregas, pagamentos, devoluções), enquanto demonstra maior tolerância à fricção em atividades percebidas como valiosas, como lazer, descanso e experiências pessoais.
Segundo Hygor Roque, Head of Revenue da fintech Divibank, esse comportamento redefine expectativas em relação às marcas:
“O consumidor millennial de 2026 demonstra maior sensibilidade a práticas de coleta de dados, desenho de interfaces e estímulos de engajamento. A busca não é apenas por rapidez, mas por relações baseadas em confiança, previsibilidade e respeito ao tempo do usuário.
Empresas que insistem em modelos de atenção infinita, notificações constantes e gamificação excessiva passam a ser percebidas como invasivas, não inovadoras”, afirma.
Com uma renda coletiva projetada para ultrapassar US$ 4 trilhões até 2030, os Millennials seguem como um dos principais motores do consumo global. A diferença está no critério de escolha.
Produtos multifuncionais, serviços que resolvem problemas reais e propostas transparentes tendem a ganhar espaço em relação a soluções que apenas prometem otimização abstrata ou acúmulo de funcionalidades.
No Brasil, onde o debate sobre equilíbrio entre vida pessoal e trabalho ganha tração em meio a jornadas extensas e instabilidade econômica, esse movimento encontra terreno fértil.
A capacidade de oferecer conveniência sem capturar tempo em excesso, eficiência sem exaustão e tecnologia sem dependência emerge como um diferencial competitivo relevante.
Em 2026, o valor não está apenas em economizar minutos, mas em permitir que eles sejam convertidos em qualidade de vida, um ativo cada vez mais escasso e, para os Millennials, cada vez mais inegociável.
Caso tenha interesse na pauta, basta me avisar que faço a ponte com a executiva.