"No tatame, o desconforto é constante. A pressão é física, real e inegociável como no mundo corporativo" (vm/Getty Images)
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Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 15h00.
Por Bruno Solino*
Existe um mito persistente, tanto no esporte quanto no mundo corporativo, de que resiliência emocional significa não sentir nada.
O Jiu Jitsu ensina exatamente o contrário, emoção existe. O que diferencia quem sustenta performance é a forma como reage a ela.
No tatame, o desconforto é constante. A pressão é física, real e inegociável.
Errar gera consequência imediata, perder faz parte do processo. Não há narrativa para suavizar a experiência.
É essa exposição contínua ao erro, à dificuldade e à pressão que constrói um tipo de resiliência que não nasce de discursos motivacionais. Ela nasce do contato repetido com a realidade.
Resiliência emocional, nesse contexto, não é ausência de emoção.
É capacidade funcional sob estresse, sentir desconforto sem perder clareza, respirar, ajustar posição e continuar decidindo mesmo quando o cenário é desfavorável.
Não é controle emocional absoluto, é manutenção da capacidade decisória.
A disciplina no Jiu Jitsu também foge do imaginário glamouroso.
Treinar quando está cansado, voltar mesmo após um desempenho ruim, respeitar o processo quando o ego pede atalhos.
A evolução não acontece nos dias inspirados, acontece na constância silenciosa.
Na vida executiva, o paralelo é direto. Pressão, conflito e exposição fazem parte do jogo.
Executivos que evitam desconforto emocional tendem a postergar decisões, suavizar conversas necessárias e adiar enfrentamentos estratégicos.
No curto prazo, isso reduz tensão, no médio prazo, corrói autoridade.
Liderança não exige frieza emocional, exige maturidade emocional, capacidade de sustentar tensão sem reagir de forma defensiva, capacidade de decidir mesmo sem conforto psicológico e capacidade de permanecer presente quando o cenário aperta.
Resiliência emocional e disciplina não são traços inatos, são habilidades treináveis.
O Jiu Jitsu deixa isso claro diariamente e a vida executiva cobra exatamente as mesmas capacidades, só que com impacto financeiro, cultural e humano muito maior.
No fim, não vence quem sente menos. Vence quem continua funcional quando sentir é inevitável.
*Bruno Solino é executivo de marketing e estratégia comercial, especialista em Trade, CRM e Retail Media, e lutador de Jiu Jitsu.