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Mulheres, dêem muito murro em ponta de faca, mas jamais percam o foco

Desafios são muitos, e a sociedade está longe de resolver as questões que levam a mulher à exaustão, mas já andamos um bocado

Uma mudança começa a se consolidar na sociedade quando situações comuns no passado passam a gerar incômodo.

Nos setores econômicos, nos quais a presença da mulher é significativa, já causa desgaste para a imagem da empresa não ter mulheres em cargos de chefia. Isso não significa defender a escolha baseada em estratégia de marketing. Mas sim em avaliações e ações constantes para identificar e retirar obstáculos que dificultem ou impeçam a ascensão feminina nas empresas.

Baseada nisso, em vez de escrever um texto exaltando a Semana Internacional da Mulher, achei mais útil falar do dia-a-dia das mulheres no mundo corporativo. Vale para ambos os sexos, mas, em resumo, a mulher tem que saber crescer na adversidade e ter resiliência.

As dificuldades aumentam quanto maior for a ascensão profissional. Na maioria das vezes, demora mais. No mínimo, tem que ser mais assertiva para ser respeitada. E provar e entregar mais. Dentro e fora da empresa.

O papel das mulheres vai continuar avançando. Já andamos um bocado. Até 1932, as mulheres nem votavam. Por isso, dê muito murro em ponta de faca, mas não perca o foco. Aos trancos e barrancos, mas para frente. Sofra com as injustiças, lute contra elas, mas não se vitimize. Sentir pena de si mesmo paralisa. Conte com sua rede de apoio.

A mulher é testada várias vezes durante sua carreira. O maior de todos os testes vem com a maternidade, para as que fizerem essa opção.

Quantas vezes já ouvi grávidas dizendo que vão fazer isso e aquilo no trabalho durante e após a licença maternidade, como se tivessem que provar que nada vai mudar? Vã esperança. Tudo muda. Na minha avaliação, para melhor. Desde que a mulher não lute contra isso. A mulher não é mais a mesma pessoa. Tem que se reinventar. Se souber fazer isso, sai um ser humano muito mais completo. Inclusive profissionalmente.

Não sou exemplo para ninguém, mas a solução que encontrei, até por ter gêmeos, foi levar a maternidade para dentro do trabalho. Não mostrando milhares de fotos dos filhos, que isso ninguém aguenta. Mas fazendo os filhos e a carreira andarem e crescerem juntos.

Não existe uma pessoa com quem trabalho que não saiba que sou mãe. Até porque o celular da mãe toca. E como toca. Em todos esses anos, por mais presentes que os homens sejam, não ouvi muitos telefones de pais tocando porque o filho não encontrava a chuteira. O da mãe toca, mesmo que você esteja em uma reunião com um ministro.

Quem já viu a minha agenda, sabe. Os compromissos de trabalho têm a mesma prioridade que os eventos dos meus filhos. Um convive com o outro. Um não disputa com o outro.

Mas toda escolha tem uma consequência. A mais comum, neste caso, o cansaço. A sociedade está longe de conseguir resolver essa questão. No entanto, quanto melhor for a equipe profissional, mais consegue-se conciliar as diversas responsabilidades. Vale para homem também, mas para a mulher é uma questão de sobrevivência. Física e mental.

Para finalizar, lembro de um coaching que fiz com a consultora Olga Lofredi, mulher bem sucedida internacionalmente, que me disse algo que nunca esqueci. A pessoa pode optar por jogar no Maracanã ou num campo de várzea. Os dois têm seus ônus e seus bônus. Não tem melhor ou pior. No Maracanã, a competição é maior, os aplausos são inesquecíveis, mas as vaias também. Na várzea, as vaias não traumatizam, mas o grito da torcida também não empolga tanto.

Escolha seu campo, mas não tente ter os aplausos do Maracanã e as vaias da várzea. Não acontece.

* Gabriela Wolthers é sócia da FSB Comunicação

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