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Gestão Sustentável: transparência mitiga riscos

Estudo da autarquia mostra que a padronização de dados é a melhor defesa contra o greenwashing e fundamental para atrair investidores qualificados

Estudo da CVM reforça a importância da transparência para a governança corporativa moderna (wee dezign/Shutterstock)

Estudo da CVM reforça a importância da transparência para a governança corporativa moderna (wee dezign/Shutterstock)

Danilo Maeda
Danilo Maeda

Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola

Publicado em 14 de maio de 2026 às 10h00.

Tradicionalmente, o mundo corporativo operou sob a lógica de que o sigilo era um ativo estratégico e a transparência corporativa, uma vulnerabilidade. No entanto, no contexto atual de hiperconectividade e demanda por prestação de contas, a opacidade se transformou em um risco latente.

Nesse sentido, o estudo de resultado regulatório sobre a Resolução CVM 59, publicado pela autarquia nesta segunda-feira (11), é um diagnóstico fundamental sobre como o mercado brasileiro atravessa a fronteira entre a narrativa institucional e gestão baseada em dados.

O levantamento da CVM evidencia que a regulação, longe de ser um entrave burocrático, funciona como indutora de um mercado resiliente. Ao analisar a evolução das divulgações nos Formulários de Referência, o órgão regulador confirma que a padronização é um antídoto para o "ímpeto oportunista" que muitas vezes toma conta de temas emergentes.

Combate ao greenwashing e valor de longo prazo

Sem uma régua clara, o mercado fica sujeito ao greenwashing e a interpretações criativas que geram assimetria de informação. Quando a regulação avança, ela retira o foco da "sustentabilidade de vitrine" e o coloca onde ele realmente importa: na matriz de riscos e na estratégia de geração de valor de longo prazo.

Um dos pontos mais sensíveis e promissores destacados pelo estudo é a proposta de reduzir a fragmentação das divulgações e buscar um alinhamento estrito aos padrões internacionais do ISSB. Isso é gestão pura. Para o gestor de sustentabilidade, a fragmentação é um inimigo da eficiência; ela consome recursos em relatórios redundantes e dificulta a comparabilidade para o investidor.

Ao sinalizar avanços, a CVM reconhece que os riscos climáticos, sociais e ambientais possuem especificidades técnicas que exigem métricas próprias e atenção dedicada do alto escalão. Essa conexão profunda entre transparência corporativa e sustentabilidade tem o poder de prevenir crises de grandes proporções.

A gestão baseada em dados e governança

Ambientes mal regulados incentivam o curto prazo e a negligência com externalidades. Por outro lado, regras bem desenhadas são barreiras para práticas predatórias. Quando uma empresa é obrigada a expor de forma estruturada como gerencia suas emissões ou como garante a integridade de sua cadeia de suprimentos (ou ao menos explicar porque não o faz), ela é forçada a aprimorar seus processos internos.

A transparência corporativa gera um ciclo virtuoso: melhor dado leva a uma melhor percepção de risco que, por sua vez, resulta em uma governança moderna mais profissional e em menores custos de capital.

Em suma, o avanço reportado pela CVM consolida a percepção de que a sustentabilidade deixou de ser um anexo do relatório anual para se tornar a espinha dorsal da governança moderna. O mercado brasileiro ganha maturidade ao entender que ser transparente não é apenas uma obrigação ética, mas uma condição de sobrevivência econômica.

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