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Customer Intelligence: a fusão de IA e CX que gera diferencial competitivo 

Executiva explica como o uso estratégico de IA e dados unificados será o divisor de águas nos próximos anos

Customer Experience se apoia, sobretudo, no poder da predição (Getty Images)

Customer Experience se apoia, sobretudo, no poder da predição (Getty Images)

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Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 17h00.

Por Bárbara Vallim,

Empresas nunca tiveram acesso a tantos dados sobre seus clientes. Sabem o que compram, quando compram, por qual canal, com qual frequência. Mas falta aplicação consistente do customer intelligence — tendência que pode dominar 2026.

As empresas registram cliques, abandonos, reclamações, elogios. Acumulam terabytes de informação e, ainda assim, continuam tratando o cliente como um desconhecido a cada nova interação.

Ter dados não é ter inteligência. E essa distinção vai definir quem lidera e quem desaparece nos próximos anos.

A transição do estímulo-resposta para a antecipação

A maioria das empresas ainda opera numa lógica de estímulo-resposta. O cliente pesquisa um produto, recebe um anúncio. Abandona o carrinho, ganha um cupom.

Liga para reclamar, ouve um pedido de desculpas e ganha mais um cupom. Cada ação do cliente dispara uma reação da empresa que é quase sempre atrasada, frequentemente genérica, raramente memorável.

Esse modelo pressupõe que o cliente quer ser perseguido. Não quer. Ele quer ser compreendido.

Segundo a McKinsey, 71% dos consumidores já esperam experiências personalizadas, e 76% se frustram quando isso não acontece.

Personalização deixou de ser diferencial. Virou pré-requisito.

Neste cenário, a inteligência artificial generativa se destaca como uma aliada poderosa para personalização.

Ela traz a capacidade de interpretar o contexto e identificar as intenções do cliente, permitindo agir proativamente, muitas vezes antes mesmo que o cliente precise solicitar.

Customer Intelligence é o uso da inteligência artificial na personalização proativa

Pense num aplicativo de delivery. Hoje, a experiência depende completamente do usuário: o cliente sente fome, abre o app, navega por dezenas de opções, monta o pedido, finaliza.

A empresa apenas processa uma decisão que o cliente tomou sozinho. Às vezes tem uma notificação de alguma promoção.

Agora imagine o inverso: são 19h de quinta-feira, horário em que você costuma pedir comida japonesa. O seu restaurante favorito está com tempo de entrega baixo nesse horário.

O app sugere antecipadamente o pedido habitual com um toque. O cliente decide em um clique ou ignora sem atrito.

A diferença é filosófica. No modelo antigo, a empresa espera. No novo, ela antecipa. E antecipar com timing, contexto e relevância transforma conveniência em vínculo e melhor experiência para o cliente. Isso é Customer Intelligence.

Se a oportunidade é tão clara, por que poucas empresas operam assim? Porque antecipar exige algo que a maioria não construiu: visão unificada do cliente.

O relatório State of the Connected Customer, da Salesforce, revela o tamanho do descompasso: 79% dos clientes esperam consistência entre departamentos, mas 55% sentem que conversam com áreas isoladas, não com uma empresa.

Cada área alimenta um sistema. Cada sistema gera um fragmento. Ninguém vê o cliente inteiro, somente pedaços isolados do seu comportamento.

Transparência e confiança como pilares competitivos

Sem essa visão integrada, tentar antecipar é perigoso. O que deveria ser conveniência vira invasão.

O que deveria ser proatividade com cuidado vira vigilância. E aqui está o paradoxo central dessa transição: o mesmo cliente que espera personalização também se sente tratado como número.

O caminho é conquistar o direito de praticar a personalização através da transparência real sobre como os dados são usados e controle genuíno nas mãos do cliente.

Empresas que escondem suas práticas, mesmo com boas intenções, geram desconfiança.

O diferencial competitivo dos próximos anos não será sobre quem implementa mais automações com agentes de IA ou usa o modelo de linguagem mais recente.

Será de quem consegue fazer uma pergunta simples: “o que esse cliente precisa agora?”, e responder antes que o próprio cliente descubra.

Decisão estratégica e unificação de silos

Este é um desafio que se resolve com decisão estratégica: unificar dados, integrar áreas, definir o que a marca representa em cada ponto de contato.

É preciso, principalmente, mudar a mentalidade de quem opera o negócio para reduzir os silos dentro das empresas.

Quem fizer essa virada com o Customer Intelligence vai criar um novo padrão de relacionamento e deixar para trás quem ainda está esperando o cliente levantar a mão.

*Com mais de 16 anos de experiência em tecnologia, Bárbara Vallim construiu uma trajetória que combina visão estratégica e domínio técnico de ponta a ponta. É fundadora e CEO da Hera.Build, startup criada com o objetivo de apoiar as empresas a conhecer e se comunicar melhor com seus clientes.

 

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