Coronavírus no Brasil: recorde de casos projeta janeiro ruim

Diretor do Instituto FSB Pesquisa analisa as estatísticas de Covid-19 no país e prevê um início de 2021 desafiador

O Brasil inicia a semana do Natal com más notícias relacionadas à pandemia de Covid-19. Quando se analisa o número de mortes e de casos oficiais de coronavírus no país, o que se vê é um forte recrudescimento da pandemia, justamente na época em que é cada vez menor no país o número de pessoas respeitando algum grau de isolamento social.

A média móvel de novos casos de Covid-19 oficialmente diagnosticados está hoje em 48,1 mil, alta de 65,2% em relação a um mês atrás. Nem no auge da pandemia tivemos tantos casos novos registrados por dia. O pico da média móvel de 7 dias havia ocorrido em 29 de julho, com 46,5 mil novos casos por dia. E, desta vez, esse crescimento não parece estar ligado a um aumento na testagem promovida por governos e prefeituras, mas sim a uma maior procura da população pelo teste.

O patamar recorde de novos casos é um indicativo do que deve acontecer com o número de mortes nas próximas semanas. Isso porque o crescimento do número de diagnósticos sempre antecipa o aumento das internações e, consequentemente, de vítimas da doença. Para se ter uma ideia, a média móvel de casos cresce há exatos 44 dias. E há 40 dias a média móvel de mortes cresce de forma acelerada.

O indicador atingiu neste domingo 766 óbitos/dia, o maior patamar em três meses. Em 19 de setembro, era de 760/dia. Desde 20 de novembro, quando a média móvel estava em 554/dia, o crescimento é de 38,3%. E os números são provavelmente bem piores, pois no fim de semana os estados de São Paulo e de Goiás tiveram problemas na totalização dos dados que são enviados ao Sistema Único de Saúde (SUS), fazendo com que as duas médias móveis nacionais sejam oficialmente menores do que de fato são.

Atualmente, a pandemia está em aceleração em 18 estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, no Sudeste; os três estados da região Sul e cinco estados do Nordeste. Há sete unidades da Federação com estabilidade no número de mortes, enquanto os números estão em queda apenas no Piauí e no Tocantins. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul estão entre os estados com a aceleração mais forte no número de mortes.

Repique ou 2ª onda?

Pouco importa se as taxas atuais de crescimento de casos e mortes representam uma 2ª onda ou se é um repique da 1ª, uma vez que no Brasil o número de mortes nunca chegou perto de zero após o início da pandemia, como ocorreu em vários países europeus. Mas os sinais são claros ao mostrar que a situação vem piorando de maneira acelerada no Brasil. E parte dessa aceleração é hoje concentrada nos grandes centros urbanos.

Para se ter uma ideia, na Grande São Paulo, a média móvel de novas mortes quadruplicou desde o início de novembro. A taxa de ocupação na região, que engloba a cidade de São Paulo e mais 38 municípios, saltou para 68% na última sexta-feira, após atingir 41% em outubro. O número de pacientes internados por Covid-19 cresceu 61% nos últimos 40 dias.

E a pandemia também avança pelo interior do país. Atualmente, 6 em cada 10 novos casos de covid-19 se dão fora das regiões metropolitanas, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, quando se olha para o tamanho da população vivendo em capitais (24% do total de brasileiros), fica claro que, proporcionalmente, há mais casos sendo diagnosticados nas 27 capitais.

O que esperar de janeiro?

A forte alta no número de casos diagnosticados e de internações de pacientes graves projeta um janeiro complicado no cenário da pandemia no Brasil. A média móvel de mortes hoje se aproxima rapidamente do patamar de 1.000 óbitos diários, registrado no país entre o final de maio e o final de agosto. E não há nada no horizonte indicando que esse ritmo deva perder força. Pelo contrário.

Pesquisa divulgada no final da semana passada pelo Datafolha mostra que nunca foi tão baixo o nível de adesão dos brasileiros ao isolamento social. O percentual de pessoas que dizem estar saindo de casa para trabalhar ou para lazer aumentou de um terço da população para 54% agora em dezembro. Ao passo que a quantidade de pessoas saindo de casa apenas quando é inevitável caiu de metade da população para cerca de um terço (ou 34%).

Com mais pessoas em circulação — e com menos cuidado também em relação ao distanciamento social —, o vírus, que nunca deixou de circular no país, voltou a contaminar mais pessoas, levando um número maior de infectados a precisarem de atendimento hospitalar e voltando a fazer crescer o número de mortes por Covid-19. Essa é, infelizmente, a equação que provavelmente nos espera ao longo de janeiro.

 

*Sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa

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