Ambos relatórios caracterizam risco como elemento estrutural do ambiente global contemporâneo e não mais como exceção (Trevor Williams/Getty Images)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 15h00.
Por Isabela Daguer Braga*
O World Economic Forum (WEF) e a Eurasia Group acabam de publicar o Global Risks Report 2026 e o Top Risks 2026, que tratam dos riscos políticos, econômicos e estratégicos do cenário global, cuja leitura combinada traz insights valiosos.
Ambos relatórios caracterizam risco como elemento estrutural do ambiente global contemporâneo e não mais como exceção. Maturidade em gestão de riscos, governança e resiliência organizacional são fatores relevantes para a adaptação das empresas nesse contexto.
O WEF é uma organização internacional independente, sem lucrativos, que reúne líderes de governo, empresas, academia e sociedade civil.
Anualmente, produz o Global Risks Report a partir da percepção de mais de 1.300 especialistas e lideranças globais sobre a severidade e impactos para os riscos identificados, nos horizontes imediato a longo prazo.
O objetivo é identificar tendências, interconexões e potenciais efeitos em cascata para mapear vulnerabilidades do sistema global e orientar agendas de resiliência, cooperação e governança.
O relatório aponta que o cenário global atravessa uma fase de maior volatilidade, competição e fragmentação, com aumento do pessimismo e incertezas. Riscos geopolíticos, econômicos, tecnológicos, sociais e ambientais deixam de ser eventos isolados e passam a se manifestar de forma interconectada e cumulativa.
A Eurasia Group é uma consultoria privada especializada em risco político e geopolítico que assessora empresas, investidores e governos. O relatório Top Risks traz análise qualitativa, julgamento especializado e monitoramento contínuo de dinâmicas políticas, com foco em grandes potências e centros de poder.
Diferentemente do WEF, não se apoia em surveys ou rankings, mas na identificação dos vetores centrais de instabilidade política capazes de produzir impactos imediatos sobre mercados e decisões estratégicas.
Para o Grupo, 2026 será de potencial inflexão para a ordem internacional, dada a instabilidade regulatória e política. Espera-se o fortalecimento de esferas de influência, nacionalismo econômico e maior presença de modelos de capitalismo de Estado, com impactos transversais em:
Apesar dos desafios, o futuro não é predeterminado: decisões em modelos de gerenciamento de risco, governança e resiliência serão diferenciais competitivos.
Essas ações são determinantes para evitar cenários severos, aumentando a capacidade de resposta e minimização de impactos adversos nas organizações frente a choques sistêmicos globais.
Fortalecer a capacidade de antecipação e adaptação exige ações integradas, que traduzam a leitura do cenário geopolítico em decisões concretas de gestão, investimento e governança, tais como:
*Isabela Daguer Braga é Diretora de Disputes & Investigations na Alvarez & Marsal.