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Opinião: um avanço que redesenha o mercado de benefícios no Brasil

Decreto moderniza o Programa de Alimentação do Trabalhador, reduz taxas para restaurantes e amplia liberdade de escolha para os colaboradores

O novo decreto do PAT traz alívio imediato para o caixa de milhares de restaurantes (Fizkes/Getty Images)

O novo decreto do PAT traz alívio imediato para o caixa de milhares de restaurantes (Fizkes/Getty Images)

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Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 10h00.

Por Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios*

A partir de fevereiro, entra em vigor o decreto (12.712/2025) que moderniza o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A mudança na regulamentação representa uma medida de impacto econômico direto e imediato no mercado de pagamento de benefícios aos colaboradores.

Ao revisar estruturas que há anos preteriam o varejo, limitavam a concorrência e restringiam a autonomia dos trabalhadores, o novo decreto reposiciona os benefícios corporativos como alavanca de competitividade para as empresas e eficiência econômica para estabelecimentos e trabalhadores, além de redefinir o papel deste mercado na dinâmica empresarial. 

Em um setor que movimenta R$150 bilhões anuais e que alcança mais de 22 milhões de brasileiros, essa transformação é mais do que oportuna: é estratégica para o crescimento sustentável de todos os elos da cadeia.

Redução de custos e impacto no varejo

Uma das principais conquistas da nova regulamentação do PAT é a redução estrutural de custos para o comércio e o aumento da rede de aceitação. Entre as medidas mais significativas, está a limitação da taxa máxima paga pelos estabelecimentos pelas transações de até 3,6%, bem menor que os 7% praticados anteriormente pelas empresas tradicionais.

A mudança oferece alívio imediato para o caixa de milhares de restaurantes, supermercados e pequenos comércios alimentares, fortalecendo a competitividade do varejo, ampliando a rede de aceitação e diminuindo o custo da alimentação.

Ao mesmo tempo, encurta os prazos de repasse, de até 30 para cerca de 15 dias, melhora o fluxo de caixa e proporciona previsibilidade financeira para reinvestimentos. Esses avanços combinados representam uma redistribuição mais justa de valores e injetam vitalidade em setores estratégicos da economia.

Fim do monopólio e mais concorrência

A iniciativa também rompe com o sistema que concentrava o mercado, limitava a escolha do trabalhador, de companhias contratantes e restringia a competição entre empresas do setor. Com a obrigatoriedade de sistemas de pagamento de ampla aceitação para todos os emissores e a interoperabilidade, a estrutura ganha em diversidade, escala e inclusão.

Isso amplia a rede credenciada, fortalece o comércio local e estimula a concorrência entre operadoras, reduzindo barreiras de entrada e aumentando a eficiência do setor. O resultado: melhores serviços para empresas e trabalhadores brasileiros.

Economia para o setor de alimentação

Para se ter uma ideia dos impactos da medida, o relatório realizado pela LCA, uma consultoria econômica, aponta que a mudança deve gerar uma economia anual de cerca de R$ 5,21 bilhões ao ano para bares e restaurantes.

Desta forma, os estabelecimentos poderão oferecer refeições mais baratas, o que pode aumentar a duração do benefício do colaborador no mês.

Liberdade e flexibilidade para o trabalhador

Do ponto de vista das empresas, o novo cenário redefine o papel dos benefícios como uma ferramenta de gestão de pessoas e vantagem competitiva. As novas medidas aprimoram a jornada do uso dos benefícios de alimentação, permitindo que as necessidades individuais de cada colaborador sejam atendidas da melhor forma.

O que significa que o trabalhador terá total liberdade para usar o vale a qualquer momento para se alimentar, seja no restaurante ou lanchonete perto do escritório, na padaria do seu bairro ou no mercadinho próximo da sua casa. Isso expande significativamente as opções de alimentação e impulsiona a economia local. 

Atração e retenção de talentos

O movimento gera vantagens estratégicas para empresas e RH, pois otimiza a utilização dos benefícios corporativos, uma ferramenta poderosa para a atração e retenção de talentos. Essa liberdade de utilização dos benefícios voltados para alimentação tem impacto direto na satisfação, produtividade e engajamento das equipes.

O resultado? Equipes mais saudáveis, engajadas e alinhadas com os objetivos organizacionais, uma equação que contribui positivamente para métricas de satisfação e redução da rotatividade de membros do time.

O futuro dos pagamentos de alimentação

Ao adotar esse novo modelo, todo o mercado deixa de apenas conceder um benefício aos trabalhadores e passam a oferecer uma experiência personalizada no processo de pagamentos da alimentação, gerando alto valor para o usuário e o varejo.

Trata-se de uma transformação que une inovação tecnológica, impacto econômico e valorização humana, e que se traduz em retorno concreto para todos os envolvidos.

Modelos baseados em ecossistemas digitais, que conectam alimentação e aperfeiçoamento da jornada de pagamentos, tendem a ganhar espaço nesse contexto, criando camadas adicionais de economia para o usuário final, para as empresas e para o varejo.

Ao integrar serviços e capturar sinergias, essas plataformas transformam o benefício em um hub de valor voltado para a alimentação, e não apenas em um meio de pagamento.

Estamos diante de um novo capítulo na política e no mercado de benefícios no Brasil. No horizonte, se desenha um sistema mais justo, competitivo e conectado às reais necessidades do mercado de trabalho, comércio alimentar e o mais importante, do trabalhador.

Ao promover concorrência mais justa, reduzir custos estruturais, incentivar a inovação e colocar a experiência do usuário no centro, o modelo redesenha o papel dos benefícios corporativos no país. O que indica a direção para um caminho mais eficiente para alinhar interesse público, sustentabilidade dos negócios, do varejo e da valorização das pessoas.

*Arthur Freitas é CEO do iFood Benefícios. Iniciou sua trajetória no iFood em julho de 2020 e atuou em diferentes posições de liderança, incluindo o cargo de Diretor de Corporate Development, incluindo a responsabilidade sobre temas como M&A, Alianças Estratégicas, Parcerias, entre outros. 

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