Confira dicas para ingressar no software e mercado de tecnologia (Freepik)
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Publicado em 9 de abril de 2026 às 13h00.
O mercado de tecnologia no Brasil segue aquecido, mas ainda enfrenta um desafio: a falta de mão de obra especializada. Segundo o Relatório de Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC, o setor pode gerar entre 30 mil e 147 mil novos empregos formais, sendo 57% desses postos diretamente ligados à tecnologia.
A questão é que o ritmo de formação ainda está aquém da demanda. Entre 2019 e 2024, o mercado precisou de mais de 665 mil profissionais, mas apenas 464 mil foram formados no mesmo período, um descompasso de 30,2%.
O resultado é um déficit acumulado estimado em mais de 530 mil vagas não preenchidas entre 2021 e 2025, segundo levantamento do Google for Startups.
O cenário pode resultar em melhores condições para os profissionais que estão se formando e ingressando na área.
Segundo o Guia Salarial 2026 da Robert Half, 44% das companhias brasileiras pretendem expandir suas equipes de tecnologia e metade dos gestores estão dispostos a oferecer salários acima da média para profissionais com certificações ou conhecimentos especializados.
“O que faz diferença na prática não é só saber programar. As empresas procuram quem entenda o problema de negócio, consiga se comunicar bem e evolua rápido”, detalha o especialista em tecnologia Thiago Muniz, CEO da Receita Previsível e da B2B Stack.
Segundo a Impulso, Tecnologia da Informação e Engenharia de Software aparecem como a principal escolha de especialização para 14,3% dos profissionais.
Convidamos Muniz e outros especialistas para criar um guia prático em 8 dicas que ajudarão os profissionais de tecnologia e Engenharia de Software a ingressarem neste mercado em 2026.
O ponto de entrada mais comum no mercado de software é o domínio técnico de uma linguagem. Mas o que diferencia candidatos é ir além da sintaxe: entender frameworks, ferramentas de versionamento (como Git), práticas de código limpo e ciclos de desenvolvimento ágil.
"A linguagem de programação é o instrumento; o que o mercado compra é a capacidade de resolver problemas reais. Quem sabe tocar um instrumento aprende outro com muito mais facilidade, o mesmo vale para código”, pontua o especialista em mercado de trabalho e CEO da Impulso, Sylvestre Mergulhão.
A segurança digital já não é mais território exclusivo de times especializados, hoje, ela é uma competência esperada de qualquer profissional de software.
"Todo desenvolvedor que escreve código está, na prática, criando uma superfície de ataque potencial. Conhecer os princípios básicos de segurança — como OWASP Top 10, gestão de credenciais e criptografia — não é opcional; mas passou a ser fundamental para garantir a robustez e a confiabilidade de um produto”, completa o especialista em segurança cibernética e CEO da Security First, Fernando Corrêa.
A pesquisa da Impulso mostra que 68,4% dos brasileiros já usaram ou usam frequentemente IA em suas atividades. No entanto, 61,7% apontam que a tecnologia influencia 'totalmente' ou 'significativamente' seu trabalho. Análise de Dados e Inteligência Artificial aparecem como a segunda habilidade mais valorizada para o futuro (33,2% das escolhas na pesquisa).
O levantamento da Robert Half aponta o Engenheiro de Inteligência Artificial como o profissional mais bem remunerado fora da gestão no setor de TI, com salários entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil mensais.
As empresas buscam profissionais que saibam aplicar IA Generativa, desenvolvimento de software com IA e plataformas de nuvem.
Ter uma certificação reconhecida pode ser o diferencial que coloca um candidato à frente. Segundo a Robert Half, 48% dos gestores de contratação em tecnologia no Brasil estão dispostos a oferecer salários mais altos a candidatos com certificações ou conhecimentos especializados.
As competências técnicas que mais impulsionam remuneração incluem Segurança da Informação, Cloud Computing e Desenvolvimento de Software.
"No setor de segurança, uma certificação como a Comptia Security+ ou a CISSP não é enfeite no currículo, é sinal de que o profissional investiu tempo e dedicação real. As empresas sabem disso e pagam por isso.", afirma Fernando Corrêa, da Security First.
No mercado de software, mostrar o que se faz vale mais do que listar o que se sabe. Contribuir para projetos open source, manter um perfil ativo no GitHub, publicar artigos técnicos e participar de comunidades são práticas que aumentam a visibilidade e constroem credibilidade.
"No B2B, a reputação precede o contrato. Para quem quer trabalhar com software, especialmente em contextos corporativos, o portfólio público e as conexões certas fazem muito mais do que um diploma. O mercado compra trajetória, não só credencial." completa Thiago Muniz.
O idioma é uma das barreiras mais citadas para o crescimento na carreira tech. Um estudo realizado com mais de 12 mil programadores brasileiros, mostra que profissionais que atuam remotamente para empresas no exterior têm remuneração significativamente superior, seja indo para outro país, seja trabalhando remotamente para companhias internacionais.
O domínio do inglês é especialmente crítico para áreas como Segurança da Informação, Cloud e IA, onde grande parte da documentação, certificações e comunidades operam no idioma.
Para quem está começando em TI, é comum cair na armadilha de focar apenas nas habilidades técnicas.
"Saber programar é essencial, mas não é suficiente. As empresas buscam profissionais que saibam se comunicar bem, trabalhar em equipe, entender o problema do cliente e propor soluções que gerem valor de verdade", afirma Sylvestre Mergulhão, da Impulso.
Para Mergulhão, competências como comunicação, pensamento crítico, resolução de problemas e adaptabilidade são tão importantes quanto dominar uma linguagem de programação. "Um profissional que consegue traduzir tecnologia em benefícios para o negócio tem muito mais chances de crescer e se destacar no mercado", reforça.
Ele também recomenda que os profissionais busquem entender o contexto das empresas onde atuam. "Não basta entregar código limpo; é preciso entender por que aquele código está sendo escrito, qual problema ele resolve e qual impacto ele gera. Essa visão estratégica diferencia profissionais", completa.
A habilidade mais valorizada pelos brasileiros para o futuro do trabalho, segundo a pesquisa da Impulso, é 'aprender constantemente' (30,4%). E 73% dos entrevistados concordam que quem tem capacidade de adaptação e aprendizado contínuo terá mais chances de manter o emprego.
Apesar disso, ainda há um descompasso entre intenção e prática:
Esse cenário, no entanto, começa a mudar diante da ampliação do acesso a alternativas mais democráticas de capacitação.
A boa notícia é que nunca houve tantos recursos gratuitos ou acessíveis: plataformas online, bootcamps, programas governamentais como o Hackers do Bem (que abriu 25 mil vagas gratuitas para 2026) e comunidades abertas permitem que qualquer pessoa com acesso à internet avance na carreira de software sem grandes investimentos financeiros.
"A tecnologia muda rápido demais para quem aprende uma vez. Os profissionais que constroem carreiras longas em software são aqueles que desenvolveram o hábito de estudar, não como obrigação, mas como parte da identidade profissional”, conclui Fernando Corrêa, da Security First.