Plataforma de conteúdo
Publicado em 25 de dezembro de 2025 às 13h00.
O avanço da Nova Economia esbarra em limitações estruturais. Entre investidores, 60% apontaram o excesso de informação sem curadoria de informação como principal dificuldade, enquanto parte significativa citou falta de formação específica para analisar negócios digitais.
Do lado das empresas, 57% relataram dificuldade para preservar margens em meio a custos crescentes e quase 1/4 afirmou ter enfrentado problemas para escalar operações com eficiência.
Para 2026, a maioria pretende priorizar a capacitação em liderança e cultura, enquanto apenas 5% colocam inteligência artificial no centro da agenda.
Quase metade das empresas se declara apenas moderadamente preparada para operar com processos orientados por dados.
O conjunto dos números indica que a distância entre intenção modernizadora e execução concreta ainda define o ritmo de adaptação do mercado.
O levantamento revela que grande parte das organizações opera com ferramentas digitais fragmentadas, processos pouco integrados e baixa capacidade de transformar dados em decisões operacionais.
O CEO da SME Theo Braga aponta que esse padrão compromete produtividade e aumenta vulnerabilidade em ciclos de maior volatilidade.
A assimetria também aparece entre investidores, que relatam dificuldade para interpretar modelos digitais e definir critérios robustos de avaliação.
Embora a digitalização avance em alguns segmentos, o quadro geral revela uma economia ainda marcada por desníveis tecnológicos, o que reduz a velocidade de resposta e amplia riscos estratégicos.
Os indícios sugerem que a modernização segue, mas de forma irregular, e que parte do mercado ainda opera à margem das exigências técnicas da nova economia.
Para Theo Braga, investidor serial e CEO da SME The New Economy, os resultados expõem um desafio que o mercado tenta resolver há anos.
“A pesquisa mostra que tanto empresários quanto investidores ainda enfrentam dificuldade para interpretar informações de maneira objetiva, especialmente em setores onde a volatilidade exige decisões rápidas e com fundamento técnico”, afirma.
Segundo ele, a distância entre a quantidade de dados disponíveis e a capacidade real de analisá-los produz ruídos estratégicos que impactam na execução, custo e competitividade.
Braga avalia que muitos gestores ainda tratam a transformação digital como aquisição de ferramentas, quando o problema central está em processos, critérios de decisão e maturidade operacional.
Para ele, o quadro revela um ecossistema de negócios que sabe o que precisa fazer, mas ainda não consegue avançar com consistência.
A expectativa para 2026, de acordo com Braga, é de um ano voltado à reorganização interna e definição de prioridades estratégicas mais técnicas.
As empresas devem investir em liderança, governança e clareza operacional, enquanto os investidores tendem a exigir métricas de impacto, risco e escalabilidade mais bem definidas.
“Há consciência sobre a necessidade de mudança, mas a implementação avança em velocidades muito distintas. Quem conseguir alinhar dados, cultura e execução tende a atravessar os próximos ciclos com mais segurança”, diz Braga.
A pesquisa sugere que o mercado entrará em 2026 pressionado por incertezas macroeconômicas e por um ambiente competitivo mais exigente, no qual a preparação técnica deixa de ser diferencial e passa a ser condição mínima para operar.