Um terço dos alunos cogita abandonar a escola diante do coronavírus

Pesquisa ouviu 33.000 jovens sobre os impactos da pandemia. Metade ainda pode desistir de fazer o Enem e 70% teve perda em renda na família

A evasão escolar é uma das maiores preocupações dos especialistas em meio à pandemia do novo coronavírus. E uma nova pesquisa de organizações de educação com estudantes de todo o Brasil dá algumas pistas sobre o tamanho do problema, que pode ser um dos maiores desafios da educação brasileira nos próximos anos.

O estudo mostrou que um em cada três estudantes cogita abandonar a escola ou a faculdade durante as paralisações forçada das atividades presenciais, ainda que as redes de ensino venham tentando implementar soluções como ensino híbrido e atividades remotas.

Dentre os alunos que, antes da pandemia, planejavam fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quase metade (49%) pensa em eventualmente desistir da prova, segundo os alunos relataram.

A pesquisa “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus” ouviu 33.688 alunos de 15 a 29 anos, de todas as regiões do Brasil, em questionário aplicado pela internet entre 15 e 31 de maio. A maior parte dos jovens está no ensino médio ou na faculdade. Participaram do estudo organizações como o Conselho Nacional da Juventude, o Mapa Educação, a Fundação Roberto Marinho, o Instituto Porvir e a Unesco.

Dos alunos que planejavam fazer o Enem, quase metade pensa em desistir da prova, que dá acesso às principais universidades brasileiras

O aspecto financeiro também pode impactar na decisão de continuar estudando. Em meio à crise econômica gerada pela pandemia, cinco em cada dez jovens ouvidos relataram perda de renda familiar.

Cerca de 33% dos jovens disseram ainda que buscaram formas de complementar a renda. Outros 72% afirmam acreditar que a pandemia vai piorar a economia do Brasil no futuro.

“O futuro desta, que é a maior geração de jovens da história do país, está seriamente em risco, o que pode impactar drasticamente os rumos da sociedade nas próximas décadas”, disse em comunicado apresentando a pesquisa Marcus Barão, vice-presidente do Conselho Nacional da Juventude e coordenador do estudo.

Historicamente, os alunos do Ensino Médio já são os mais afetados pela evasão escolar. Dados do Ministério da Educação mostram que a taxa de insucesso (a soma da reprovação + abandono escolar) no primeiro ano do Ensino Médio, que atende alunos de cerca de 15 anos, é de 25,5 pontos entre alunos de escola pública. Para os alunos mais jovens, no começo do Ensino Fundamental II (na casa dos 11 anos), o insucesso é de 16,2 pontos, e de apenas 2 pontos no começo do Fundamental I (com alunos na casa dos 7 anos).

O problema não é só a internet

A maior parte dos jovens, 8 em cada 10, usou algum tipo de atividade de ensino remoto durante a pandemia. Para eles, o maior desafio não foi a infraestrutura tecnológica, como o acesso à internet, mas o equilíbrio emocional, a organização e a gestão de tempo.

Ao todo, 6 em cada 10 jovens querem que susas instituições de ensino priorizem atividades para lidar com as emoções e 5 em cada 10 desejam aprender estratégias de gestão de tempo e organização.

As respostas mostraram também que o acesso à internet em dispositivos que não sejam o celular, como computador e tablet, foi menor do entre jovens autodeclarados negros e pardos do que entre os brancos.

Boa parte dos estudantes citou desafios de organização de tempo e emocionais para estudar durante a pandemia, para além das barreiras tecnológicas

Na outra ponta, parte dos alunos tem uma visão otimista sobre a recuperação. Quase metade acredita que haverá novas formas de estudar, mais dinâmicas e acessíveis do que as que existem atualmente.

Metade dos alunos também projeta que a forma de trabalhar vai melhorar um pouco ou muito após a pandemia e que, por conta do trabalho remoto, podem surgir oportunidades para quem mora longe dos grandes centros urbanos.

A amostra da pesquisa foi corrigida para se basear na distribuição dos jovens entre 15 e 29 anos pelas unidades da federação e faixas etárias, tomando como referência o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A amostra e os resultados completos do estudo podem ser acessados no site oficial da pesquisa.

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