Brasil

Um terço dos alunos cogita abandonar a escola diante do coronavírus

Pesquisa ouviu 33.000 jovens sobre os impactos da pandemia. Metade ainda pode desistir de fazer o Enem e 70% teve perda em renda na família

 (Arquivo/Agência Brasil)

(Arquivo/Agência Brasil)

CR

Carolina Riveira

Publicado em 24 de junho de 2020 às 10h59.

Última atualização em 24 de junho de 2020 às 15h27.

A evasão escolar é uma das maiores preocupações dos especialistas em meio à pandemia do novo coronavírus. E uma nova pesquisa de organizações de educação com estudantes de todo o Brasil dá algumas pistas sobre o tamanho do problema, que pode ser um dos maiores desafios da educação brasileira nos próximos anos.

O estudo mostrou que um em cada três estudantes cogita abandonar a escola ou a faculdade durante as paralisações forçada das atividades presenciais, ainda que as redes de ensino venham tentando implementar soluções como ensino híbrido e atividades remotas.

Dentre os alunos que, antes da pandemia, planejavam fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quase metade (49%) pensa em eventualmente desistir da prova, segundo os alunos relataram.

A pesquisa "Juventudes e a Pandemia do Coronavírus" ouviu 33.688 alunos de 15 a 29 anos, de todas as regiões do Brasil, em questionário aplicado pela internet entre 15 e 31 de maio. A maior parte dos jovens está no ensino médio ou na faculdade. Participaram do estudo organizações como o Conselho Nacional da Juventude, o Mapa Educação, a Fundação Roberto Marinho, o Instituto Porvir e a Unesco.

Dos alunos que planejavam fazer o Enem, quase metade pensa em desistir da prova, que dá acesso às principais universidades brasileiras

O aspecto financeiro também pode impactar na decisão de continuar estudando. Em meio à crise econômica gerada pela pandemia, cinco em cada dez jovens ouvidos relataram perda de renda familiar.

Cerca de 33% dos jovens disseram ainda que buscaram formas de complementar a renda. Outros 72% afirmam acreditar que a pandemia vai piorar a economia do Brasil no futuro.

"O futuro desta, que é a maior geração de jovens da história do país, está seriamente em risco, o que pode impactar drasticamente os rumos da sociedade nas próximas décadas", disse em comunicado apresentando a pesquisa Marcus Barão, vice-presidente do Conselho Nacional da Juventude e coordenador do estudo.

Historicamente, os alunos do Ensino Médio já são os mais afetados pela evasão escolar. Dados do Ministério da Educação mostram que a taxa de insucesso (a soma da reprovação + abandono escolar) no primeiro ano do Ensino Médio, que atende alunos de cerca de 15 anos, é de 25,5 pontos entre alunos de escola pública. Para os alunos mais jovens, no começo do Ensino Fundamental II (na casa dos 11 anos), o insucesso é de 16,2 pontos, e de apenas 2 pontos no começo do Fundamental I (com alunos na casa dos 7 anos).

O problema não é só a internet

A maior parte dos jovens, 8 em cada 10, usou algum tipo de atividade de ensino remoto durante a pandemia. Para eles, o maior desafio não foi a infraestrutura tecnológica, como o acesso à internet, mas o equilíbrio emocional, a organização e a gestão de tempo.

Ao todo, 6 em cada 10 jovens querem que susas instituições de ensino priorizem atividades para lidar com as emoções e 5 em cada 10 desejam aprender estratégias de gestão de tempo e organização.

As respostas mostraram também que o acesso à internet em dispositivos que não sejam o celular, como computador e tablet, foi menor do entre jovens autodeclarados negros e pardos do que entre os brancos.

Boa parte dos estudantes citou desafios de organização de tempo e emocionais para estudar durante a pandemia, para além das barreiras tecnológicas

Na outra ponta, parte dos alunos tem uma visão otimista sobre a recuperação. Quase metade acredita que haverá novas formas de estudar, mais dinâmicas e acessíveis do que as que existem atualmente.

Metade dos alunos também projeta que a forma de trabalhar vai melhorar um pouco ou muito após a pandemia e que, por conta do trabalho remoto, podem surgir oportunidades para quem mora longe dos grandes centros urbanos.

A amostra da pesquisa foi corrigida para se basear na distribuição dos jovens entre 15 e 29 anos pelas unidades da federação e faixas etárias, tomando como referência o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A amostra e os resultados completos do estudo podem ser acessados no site oficial da pesquisa.

Acompanhe tudo sobre:EducaçãoEnemEnsino médioCoronavírus

Mais de Brasil

Escala 6x1: Lula confirma reunião com Motta e critica transição gradual de redução de jornada

Definição da candidatura ao Senado deve sair até início de junho, diz Marina

Indefinição do PT atrapalha, diz Tabata sobre chapa da esquerda em SP

Ministro do Planejamento nega chance de reajuste no Bolsa Família