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Um terço das cidades do Brasil terá alto risco de deslizamentos até 2030

Painel do governo aponta que 1.041 municípios brasileiros já enfrentam risco alto ou muito alto

Juiz de Fora: 65 pessoas morreram depois das chuvas em fevereiro (Ivan PISARENKO/AFP/Getty Images)

Juiz de Fora: 65 pessoas morreram depois das chuvas em fevereiro (Ivan PISARENKO/AFP/Getty Images)

Publicado em 4 de março de 2026 às 08h34.

Um em cada cinco municípios brasileiros já apresenta risco alto ou muito alto de deslizamentos de terra. O dado faz parte do painel AdaptaBrasil, sistema do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora riscos climáticos no país.

Hoje, 1.041 cidades estão nessa condição. Desse total, 830 têm risco alto e 211 risco muito alto de deslizamentos.

As projeções indicam agravamento do cenário. Considerando os efeitos das mudanças climáticas e a ausência de novas medidas de adaptação, o número de municípios expostos pode chegar a cerca de 1.800 até 2030, o equivalente a aproximadamente um terço das cidades brasileiras.

Desastres expõem vulnerabilidade urbana

O tema voltou ao centro do debate após as chuvas que atingiram Juiz de Fora (MG) na semana passada. Segundo o levantamento do AdaptaBrasil, o município integra o grupo de cidades com risco alto de deslizamentos.

No episódio recente, 65 pessoas morreram em Juiz de Fora e sete em Ubá, cidade que também apresenta risco elevado para esse tipo de desastre.

No caso da cidade mineira, fatores como grande quantidade de moradias em áreas de risco e características da topografia local contribuem para o cenário de vulnerabilidade.

Desigualdade e geografia ampliam riscos

O painel do AdaptaBrasil identifica padrões regionais. Municípios com menor renda tendem a apresentar riscos maiores, o que explica por que Norte e Nordeste concentram proporções mais altas de cidades vulneráveis em comparação com o Sul.

A geografia também pesa. No Sudeste, por exemplo, a presença de serras próximas ao litoral na área de Mata Atlântica contribui para maior concentração de municípios em situação de risco.

Na média nacional, Sul e Centro-Oeste apresentam risco baixo, enquanto Sudeste, Norte e Nordeste têm risco médio para deslizamentos.

Projeções até 2050

As estimativas do sistema consideram modelos climatológicos internacionais e trabalham com dois cenários, definidos pelas projeções de emissão de CO₂.

  • 2026: 1.041 cidades com risco alto ou muito alto
  • 2030: entre 1.791 e 1.801 municípios (cerca de 32% do total)
  • 2050: entre 1.887 e 1.902 cidades (aproximadamente 34%)

As projeções levam em conta apenas o comportamento do clima, sem incluir mudanças socioeconômicas ou melhorias de infraestrutura nas cidades.

Plano nacional busca reforçar prevenção

O desastre em Juiz de Fora ocorreu três meses após a publicação do decreto que instituiu o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDC).

O plano estabelece diretrizes para a próxima década com foco em prevenção, mitigação, preparação, resposta e reconstrução diante de desastres naturais. Entre as ações previstas estão:

  • mapeamento de áreas de risco
  • fortalecimento das estruturas de proteção e defesa civil
  • aprimoramento dos sistemas de alerta
  • planejamento financeiro e orçamentário para gestão de desastres
  • ampliação da participação da sociedade em ações preventivas

Segundo o Ministério das Cidades, R$ 32,6 bilhões já foram destinados para mitigar impactos de eventos climáticos extremos desde 2023. Desse total, R$ 22,1 bilhões foram para obras de drenagem, R$ 4 bilhões para contenção de encostas e R$ 6,5 bilhões para fundos de apoio à infraestrutura.

Debate sobre prevenção volta à tona

Especialistas apontam que a combinação entre chuvas intensas e ocupação desordenada aumenta o risco de tragédias. Encostas ocupadas e moradias em áreas suscetíveis a deslizamentos já apareciam em mapeamentos anteriores em cidades como Juiz de Fora.

Entre as medidas consideradas prioritárias para reduzir mortes e prejuízos estão educação da população para situações de desastre, investimentos em infraestrutura urbana — especialmente drenagem — e maior integração entre diferentes áreas da administração pública no apoio à Defesa Civil.

*Com informações do Globo

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