Brasil

STF manda Cunha acolher impeachment de Temer

Para ministro Marco Aurélio Mello, Cunha não poderia ter arquivado pedido de impeachment contra vice-presidente

O vice-presidente Michel Temer em Brasília. Em 05/05 (Ueslei Marcelino/Reuters)

O vice-presidente Michel Temer em Brasília. Em 05/05 (Ueslei Marcelino/Reuters)

Talita Abrantes

Talita Abrantes

Publicado em 5 de abril de 2016 às 16h06.

São Paulo - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, determinou nesta terça-feira que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, dê continuidade ao processo de  abertura de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer

Em dezembro do ano passado, o advogado mineiro Mariel Márley Marra protocolou o pedido na Câmara dos Deputados, sob a justificativa de que Temer cometeu crime de responsabilidade ao assinar decretos que autorizam a abertura de crédito suplementar sem a autorização do Congresso. O pedido, no entanto, foi arquivado pelo presidente da Casa.

A prática é um dos argumentos do requerimento contra Dilma Rousseff, que tramita na Comissão Especial de Impeachment na Câmara.

Marra recorreu ao STF alegando que Cunha não poderia ter julgado sozinho a abertura do processo e que deveria abrir uma comissão para decidir sobre a abertura do processo contra Temer. 

Marco Aurélio Mello concordou com esse argumento e determinou a formação de uma comissão especial, nos moldes da que analisa o processo de deposição da petista, para avaliar a denúncia contra o peemedebista.

Em sua decisão, o magistrado pondera que a determinação não emite "qualquer compreensão quanto à conduta do vice-presidente da República, revelada na edição dos decretos". O problema, segundo ele, é que Cunha não respeitou formalidades legais para o prosseguimento do impeachment.

"O presidente da Câmara dos Deputados, após proclamar o atendimento dos requisitos formais da denúncia, a apreciou quanto ao mérito - a procedência ou improcedência -, queimando etapas que, em última análise, consubstanciam questões de essencialidade maior", afirmou. 

Nesta terça, Temer anunciou que irá se licenciar da presidência do PMDB - cargo que ocupa há 15 anos - para que o senador Romero Jucá, que o substitui, "tenha condições de defender o partido dos ataques que vêm sofrendo nos últimos dias". Isso acontece uma semana depois que a sigla anunciou o fim da aliança com o governo.

Veja a íntegra da decisão do ministro Marco Aurélio:

Mandado de Segurança - Min. Marco Aurélio

https://www.scribd.com/embeds/307101614/content?start_page=1&view_mode=scroll&show_recommendations=true

Acompanhe tudo sobre:PolíticosPolíticos brasileirosPolítica no BrasilImpeachmentMichel TemerMDB – Movimento Democrático BrasileiroCrise política

Mais de Brasil

Empresa de engenharia aposta em equipes globais contra falta de mão de obra

Quadrante aposta em ciclo de investimentos com 50 projetos no país

Estádio Mané Garrincha rescinde contrato de naming rights com BRB

Fim da escala 6x1: o que acontece após aprovação na CCJ da Câmara